Preços do PLD e Mercado de Longo Prazo

Como podemos notar, o mês de Fevereiro ficou muito abaixo do esperado, com o PLD atingindo níveis elevados durante todo o período. No mês de Março houve queda de 28% no PLD para os submercados Sudeste/Centro-Oeste e Sul, sendo que após a primeira semana os preços se mantiveram estáveis, chegando no patamar de 251,81 R$/MWh. O principal motivo para a redução do PLD foi a melhora nas afluências, estimadas em 95% da média histórica para Março.

A curva abaixo apresenta o comportamento do PLD até a quinta semana de Março, onde houve uma melhora significativa no cenário com relação ao que foi apresentado no mês anterior, se consolidando no patamar de 229,74 R$/MWh nos submercados Sudeste/Centro-Oeste e Sul.

A Figura 1 abaixo apresenta o preço médio da energia incentivada cotada durante as cinco semanas do mês de Março/19, bem como o PLD verificado nesse período.


Carga

Para os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul, houve redução de carga no período de Mar/19, com relação a Mar/18, respectivamente de 1,0% e 2,1%. Já no Nordeste, ocorreu aumento de 4,3% e no Norte, decréscimo de 1,2%.

A Tabela 2 apresenta a carga para o mês de Mar/19 em comparação com a constatada em Mar/18, traçando um comparativo entre o comportamento dessa grandeza do ano de 2018 com o ano de 2019. Nela observa-se a perspectiva de decréscimo de 0,4% do consumo em relação ao ano de 2018.



Bandeira Tarifária

Após o acionamento de bandeira tarifária VERDE durante o mês de Março de 2019, mesmo com o período de seca, a ONS optou pelo despacho das Usinas Hidrelétricas, o que resultou em bandeira VERDE para Abril, não incidindo em custo adicional na tarifa de energia aos consumidores cativos.

O resultado do quociente entre a Previsão de Geração Hidráulica do MRE (GH pmo) e a Previsão de garantia Física Sazonalizada (GF sazo), resultou em 1,07. Desta forma, com o PLD no intervalo de 42,35 à 513,89 R$/MWh, a bandeira tarifária resultante do novo método de acionamento foi novamente a VERDE.


Hidrologia: Reservatórios e Afluências

A Figura 2 apresenta os níveis consolidados de armazenamento dos reservatórios nacionais até Mar/19 (39,9% da Earm máxima), bem como a projeção atualizada para o começo do mês (linha preta). Levando em consideração que Mar/ 2019 ficou 4,3% abaixo com relação ao mesmo mês do ano anterior, fica evidente a necessidade de maiores acumulados de chuva.


A ENA, Energia Natural Afluente, é a energia gerada a partir da vazão de água de uma determinada bacia ou rio para o reservatório de uma usina hidrelétrica.

Na Figura 3 pode-se analisar a projeção de ENA em % da MLT (Média de Longo Termo) para Mar/19. Nota-se a expectativa para o submercado Sudeste/Centro-Oeste de realizar valores abaixo da média de longo termo.


A partir da Figura 4 é possível acompanhar a variação da ENA Bruta (medida em MWmed) durante Mar/2019 algumas das principais bacias do sistema. Esta energia está diretamente relacionada ao volume de precipitação observado no período.

É possível notar que na primeira quinzena de março ocorreu aumento da ENA para as quatro bacias analisadas. No final do mês houve queda para as bacias do Rio Grande, Paranaíba e Paranapanema, enquanto a bacia do São Francisco manteve perfil de aumento.


Meteorologia

A Figura 5, abaixo, representa as anomalias de precipitação em todo o país durante o mês de março de 2019. As regiões em laranja indicam chuva abaixo da média e, as regiões em azul, chuva acima da média esperada para o período. Na sequência, serão apontados os impactos do acumulado de precipitação em algumas das principais bacias do sistema: bacia do São Francisco, bacia do Paranapanema e bacia do Rio Grande.


Figura 5: Anomalia de Precipitação Mar/19
Fonte: http://clima1.cptec.inpe.br/

Bacia do São Francisco: Foi observado chuva acima da média entre as regiões oeste do estado da Bahia, norte de Minas Gerais e nordeste de Goiás, resultando em chuva acima da média esperada na maior parte da bacia do São Francisco.

O acumulado de chuva nesta região resultou em aumento do volume útil e da Energia Natural Afluente Bruta da bacia do rio São Francisco (apresentado anteriormente na Figura 4).

 
Figura 6: Anomalia de Precipitação – São Francisco – Mar/19.
Fonte: http://clima1.cptec.inpe.br/

Bacia do Paranapanema: Também entre o estado do Paraná e região norte do Rio Grande do sul, o acumulado de precipitação ficou acima da média, influenciando a região sul da Bacia do Paranapanema.

Entretanto, a região norte da bacia sofreu com chuva abaixo do esperado, resultando em leve redução na Energia Natural Afluente Bruta (Figura 4).


Figura 7: Anomalia de Precipitação – Paranapanema – Mar/19.
Fonte: http://clima1.cptec.inpe.br/

Bacia do rio Grande: As regiões norte, centro-oeste e sudeste do país, ficaram parcialmente abaixo da média esperada de precipitação, situação que se repete desde janeiro deste ano. Grande parte do estado de São Paulo ficou abaixo da média de precipitação prevista para o período de março, impactando negativamente a Bacia do Rio Grande. A Energia Natural Afluente Bruta para esta bacia sofreu redução com relação ao início do mês (Figura 4 apresentada anteriormente).

Figura 8: Anomalia de Precipitação – Rio Grande – Mar/19.
Fonte: http://clima1.cptec.inpe.br/