Mês: junho 2020


Destaques das Semana

Aneel aprova Conta Covid com R$16,1 bi para distribuidoras.

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou, em reunião virtual realizada no último dia 23 de junho, as condições de contratação das operações de financiamento da Conta-Covid. Foi estabelecido o limite de R$ 16,1 bilhões para o empréstimo. Questões como o tratamento a ser dado a eventuais pedidos de reequilíbrio econômico dos contratos de concessão das empresas ficaram para um segundo momento e serão parte de uma nova consulta pública, que deverá ser aberta nos próximos 60 dias.

Fonte: Canal Energia.

Oferta deve superar em bilhões as necessidades da Conta-Covid, diz BNDES.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve divulgar, no dia 1º de julho, as condições do empréstimo da Conta-Covid. De acordo com o presidente do banco, é possível que a oferta de crédito supere “em bilhões” as necessidades do setor elétrico.

Conforme destaque acima, a ANEEL definiu em R$ 16,1 bilhões o montante necessário para compensar os efeitos da inadimplência e redução de consumo nas distribuidoras de energia elétrica, em decorrência da crise causada pela pandemia.

O BNDES liderou todo o processo de estruturação da Conta-Covid, o qual contou com a participação de mais de dez outras instituições financeiras. Além deste papel, o banco de fomento também será financiador da conta, nas mesmas condições que forem definidas para os demais bancos.

A CCEE atuará como gestora operacional da Conta-Covid. Espera-se que o início dos repasses às distribuidoras esteja operacionalizado até o final do mês de julho.

Fonte: Canal Energia.

Safra, Credit, Mitsui e Votorantim avaliam empréstimo a elétricas, dizem fontes.

Os bancos Credit Suisse, BNP Paribas e Sumitomo Mitsui Banking Corp estão interessados em participar de um sindicato que fornecerá um empréstimo de 16,1 bilhões de reais para auxílio às distribuidoras de energia, no âmbito da Conta-Covid.

Além destes, os bancos brasileiros Safra e Votorantim também estariam em tratativas com o BNDES, que lidera os esforços para estruturar o financiamento. Confirmados no grupo de bancos para estruturação do empréstimo, por hora, estariam Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil.

Conforme definido em regulamentação da ANEEL, o empréstimo será pago em cinco anos, e será repassado às tarifas dos consumidores, com taxas de juros que ainda serão definidas.

Fonte: Reuters.

Balanço Energético do Sistema Interligado Nacional (SIN)

Nesta semana, 76% da carga do Nordeste tem sido atendida pela geração eólica na região. O restante é enviado via intercâmbio para os subsistemas Sudeste e, principalmente, Sul. Neste último, a importação de energia responde por cerca de 60% do atendimento da carga. Na Figura 2, evidencia-se a situação de cada subsistema – Norte e Nordeste consolidados como exportadores de energia, e os demais, francamente importadores, sobretudo o Sul.

Mercado Livre de Energia; balanço energético; Boletim Semanal Energia
Figura 1 – Balanço Energético e intercâmbio de energia (Fonte: ONS)
Valores médios; balanço energético; SIN
Figura 2 – Balanço Energético (Fonte:ONS)

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

Apenas o Sul apresentou elevação de nível de armazenamento neste semana operativa (20 a 26/Junho). No mês, temos uma elevação de quase 18%, como consequência de bons eventos de chuvas ocorridos em meados de junho. Enquanto os demais subsistemas apresentam queda em seus níveis, coerente com a época do ano.

Níveis de Armazenamento; Sistema Interligado Nacional; Energia Mercado Livre; Boletim Semanal Energia
Figura 3 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Níveis de Armazenamento das regiões Sudeste, Sul, Nordeste, Norte e SIN
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

As vazões seguiram em recessão ao longo da semana operativa. Como houve forte elevação no Sul, mesmo com a queda, temos a ENA em valores bem acima daqueles que foram verificados na maior parte da estiagem na região. Entretanto , no Sudeste, destacamos uma tendência de termos ENAs próximas às de 2018, ano cujos montantes foram bem reduzidos de julho a setembro.

ENA; Energia Natural Afluente; Trajetórias dos níveis ENA
Figura 4 – Trajetórias dos níveis de Energia Natural Afluente por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Previsões Mensais ENA; PLD;
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para o PMO de julho (Fonte: ONS)

Conforme a Tabela 2, temos as previsões de ENA para a primeira semana operativa de julho. A menos do subsistema Norte, os demais constam com valores previstos abaixo da Média de Longo Termo (MLT).

Como temos previsões e bons volumes de precipitação em áreas do Sul e Sudeste do Brasil, eram esperados valores de ENA mais elevados, sobretudo para o Sul. Porém, como a metodologia de previsão de vazões do ONS conta com um método de remoção de viés, esta acaba “penalizando” bastante os cenários previstos. Caso tenhamos uma boa resposta das chuvas previstas, podemos ter uma revisão “para cima” nestes valores na Revisão 1 do PMO de julho.

Os Preços de Liquidação de Diferenças (PLD) para a próxima semana operativa são dados na tabela a seguir. Novamente, Nordeste e Norte seguem com preços mais baixos do que os demais submercado, porém, as diferenças são menores, já que o Sul conta com ENAs mais elevadas do que o verificado em boa parte do mês de junho, e temos menos excedentes energéticos nas demais regiões.

PLD; Mercado Livre de Energia; Junho de 2020; Boletim Semanal Energia
Tabela 3 – PLDs para a primeira semana operativa de Julho /2020 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

Em junho, verifica-se uma elevação na carga, em relação ao mês de maio, no Sudeste, Sul e Norte

No Nordeste, há uma queda de 0,8%.

Contudo, a comparação com o mês de junho de 2019 mostra uma queda em todos os subsistemas, equivalente a -5,9% na carga SIN.

mês de junho; Carga de Energia; isolamento social; Boletim Semanal Energia
Figura 5 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Mercado e Preços

Boa parte das previsões de chuvas divulgadas ao longo da semana indicaram bons volumes de chuvas para Sul e parte do Sudeste. Os preços de mercado oscilaram em resposta a elas, com tendência de baixa no início da semana e, com volatilidade nas previsões indicando um pouco menos de chuvas, tendência de alta na quinta e sexta-feira. Destacamos que tais oscilações nos preços foram notadas nos produtos com vencimento em 2020.

Mercado de Energia; Mercado Livre de Energia; Energia convencional
Figura 6 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Notamos uma maior liquidez no produto ano 2021, com preços um pouco mais baixos, mas sem grandes oscilações. Já nos produtos de longo prazo, não se nota grandes alterações nos montantes praticados no mercado.

Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST
Figura 7 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Houve uma queda nos PLDs para a próxima semana operativa. Tal tendência de baixa se confirmará, ou não, caso as chuvas que já estão ocorrendo, e que ainda estão previstas, venham a impactar as ENAs de Sul e Sudeste de forma mais sensível.

O mercado respondeu às previsões de chuvas. Porém, sabemos que estas oscilam ao longo dos dias, o que é natural, pois são expectativas.

Os produtos de longo prazo, conforme destacamos, não sofreram grandes alterações de preços. A energia para 2021 sofreu uma pequena queda, mas ainda é cedo para que tenham alta volatilidade neste produto.

Como estamos no período seco, e ainda é difícil antecipar uma tendência mais clara para o início do próximo período chuvoso, acreditamos que uma oscilação mais evidente em tais preços apenas será sentida mais para frente, de setembro / outubro em diante.


Destaques da Semana

BBCE recebe aval para ofertar derivativos de energia elétrica.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou, na última terça-feira, 16/6, de forma unânime, o funcionamento do Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE) como administrador de mercado organizado de valores mobiliários. O contrato de derivativo de energia deverá ser negociado a partir de agosto próximo.

Em julho, está previsto a abertura da plataforma de negociação de derivativos pela BBCE, para que o mercado conheça o sistema. São previstos, também, eventos educacionais para promover este novo produto, bem como sua tributação e funcionamento da plataforma de modo geral.

Importante ressaltar que derivativos são contratos financeiros que derivam de um ativo. Por exemplo, no mercado financeiro, temos as opções, que derivam de ações. São muito utilizados no mercado financeiro como mecanismos de proteção aos riscos de exposição a preços. Os derivativos poderão ser negociados tanto por agentes do mercado livre, como também por bancos e fundo de investimento.

Fonte: Canal Energia.

Divergências de interpretação adiam regulamentação da Conta Covid.

Divergências entre diretores da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) adiaram a decisão sobre a regulamentação do empréstimo da Conta Covid, o qual tem por objetivo reforçar o caixa das distribuidoras, primeiro elo na cadeia de pagamentos do setor elétrico. Tais divergências se concentraram em pontos relacionados ao uso da operação financeira para reduzir os impactos de revisões tarifárias previstas para 2020 e ao reequilíbrio econômico das distribuidoras, que não tem relação com a contratação do crédito emergencial.

O limite de contratação da Conta Covid foi estabelecido em R$ 16,25 bilhões pela diretora relatora, Elisa Bastos Silva. Porém, este não considerou a antecipação de receita sugerida pelo diretor Sandoval Feitosa, o qual beneficiaria distribuidoras que passarão por revisões tarifárias até o fim do ano corrente.

Além disso, outro diretor da ANEEL, Efrain Cruz, também reforçou as críticas pela não inclusão da proposta no cálculo final da Conta Covid. O ponto mais polêmico, porém, para os dois diretores, foi a decisão da relatora de atender parcialmente o pleito das distribuidoras, ao permitir a contabilização nos balanços financeiros de ativos regulatórios relacionados aos impactos da pandemia. A proposta inicial defendida por Elisa Bastos era de discutir o reequilíbrio em fase posterior da consulta pública, a ser aberta pela agência.

Fonte: Canal Energia.

Balanço Energético do Sistema Interligado Nacional (SIN)

Com a melhora das condições hidrológicas no Sul, este subsistema foi menos dependente do intercâmbio dos demais. Tal recurso era responsável por 75% da carga do Sul na semana anterior. Agora, responde por 35%.

No Nordeste, a geração eólica tem sido bastante relevante no atendimento não só da própria região, como também para envio ao Sudeste e Sul. A energia dos ventos corresponde a 70% da carga do NE.

Mercado Livre de Energia; balanço energético
Figura 1 – Balanço Energético e intercâmbio de energia (Fonte: ONS)
Valores médios; balanço energético; SIN
Figura 2 – Balanço Energético (Fonte:ONS)

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

Em primeiro lugar destacamos a boa recuperação nos níveis de armazenamento da região Sul. Após um longo período de estiagem, tivemos bons volumes de chuvas entre os dias 05 e 15/6, contribuindo para uma elevação significativa nas vazões da região. Sudeste e Nordeste tiveram queda nos seus níveis de armazenamento, coerente com o período seco.

Níveis de Armazenamento; Sistema Interligado Nacional; Energia Mercado Livre
Figura 3 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Níveis de Armazenamento das regiões Sudeste, Sul, Nordeste, Norte e SIN
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

Anteriormente, já destacamos o Sul, com uma grande recuperação nos seus níveis de ENA. Mesmo, agora, com uma queda das vazões, em função da ausência de chuvas na semana em curso, o subsistema sai dos piores níveis da história para valores relativamente bons. No Sudeste, destacamos a tendência da região seguir com ENAs próximas ao ano de 2018.

ENA; Energia Natural Afluente; Trajetórias dos níveis ENA
Figura 4 – Trajetórias dos níveis de Energia Natural Afluente por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Previsões Mensais ENA; PLD; nota-se uma elevação material na expectativa do Sul
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para a RV3 do PMO de junho (Fonte: ONS)

De acordo com a Tabela 2, temos as previsões de ENA para a semana operativa de 20 a 26 de junho. Para a próxima semana, nota-se uma elevação material na expectativa do Sul. Diferentemente da revisão 2, houve, desta vez, a contabilização da forte elevação já ocorrida nas vazões deste subsistema.

Os Preços de Liquidação de Diferenças (PLD) para a próxima semana operativa são dados na tabela a seguir. Novamente, Nordeste e Norte seguem com preços mais baixos do que os demais submercado, já que contam com as melhores condições de armazenamento do SIN e grandes excedentes energéticos. Sudeste e Sul tiveram queda de 8% no PLD médio, em relação a semana anterior, em função da já destacada melhora nas condições hidrológicas do Sul, e, consequentemente, melhores níveis de armazenamento realizados em comparação com as previsões da revisão anterior do PMO.

PLD; Mercado Livre de Energia; Junho de 2020
Tabela 3 – PLDs para a terceira semana operativa de Junho /2020 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

O impacto da crise sanitária no consumo de energia tem sido material ao longo do ano, como pode ser visto nos gráficos ao lado. Frente ao mês de maio, temos uma elevação de 1,6% na carga do SIN.

Contudo, ao observarmos o mês de junho de 2019, há uma queda de quase 7,5% na carga, reflexo do forte impacto das medidas de isolamento social na economia.

mês de junho; Carga de Energia; isolamento social
Figura 5 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Mercado e Preços

Nesta semana, com a realização de boas chuvas no Sul, e continuidade de previsões de chuvas para a próxima semana não só no Sul, como também em algumas bacias do Sudeste, o mercado seguiu em tendência de baixa, especialmente para os produtos com entrega em 2020.

Mercado de Energia; Mercado Livre de Energia; Energia convencional
Figura 6 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Para 2021, houve uma certa manutenção, com leve tendência de queda, nos preços, acompanhando a tendência do curto prazo, porém, com muito menos volatilidade. Como já temos destacado em nossos boletins, para produtos de mais longo prazo, com início de entrega de 2022 em diante, não temos grandes oscilações das cotações. Ao longo dos próximos meses, a depender da expectativa em relação ao início do período chuvoso, ademais das condições hidrológicas no próximo semestre, poderemos notar algum efeito mais sensível nos preços dos produtos com entrega, especialmente, em 2021.

Figura 7 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

O destaque neste Boletim acabou sendo a melhora nas condições hidrológicas do Sul. Mesmo que não tenha havido, até agora, uma continuidade das chuvas na região, os elevados volumes de precipitações ocorridos do meio para o final da semana anterior mudam bastante, por hora, o panorama operativo da região.

Previsões meteorológicas têm oscilado em relação à continuidade das chuvas nos estados sulistas. Entretanto, não se vislumbra, até o momento, um cenário seco, a ponto de termos as vazões do Sul recuando para valores extremamente baixos, como os que vimos ao longo da primeira quinzena, e parte da segunda quinzena, do mês de maio último.

Mesmo com oscilações nos preços de curto prazo, volatilidade que é mais comemorada (ou não) entre os traders de energia, para o longo prazo, as cotações de preços de energia têm mostrado uma maior estabilidade, não esboçando tendência de elevação. Ou seja, o cenário atual é interessante para aquisições de energia para este tipo de produto. Corroboram para tal afirmação a forte queda no consumo de energia, em função das medidas de isolamento social para combate à pandemia, e a expectativa de uma retomada mais lenta do que se esperava no início da crise.

Sem dúvida, nossas melhores vibrações são para que todos tenham boa saúde, que passemos por esta situação em segurança, e que logo possamos olhar nos olhos de nossos clientes, apertar-lhes as mãos e fazer ótimos negócios. Mas, na crise, surgem boas oportunidades, as quais podem nos deixar ainda mais fortes, com custos mais reduzidos e controlados, prontos para o mundo pós-Covid. Cuidem-se, e não deixem de nos consultar para aproveitar as melhores oportunidades do mercado livre.


Apresentação

Revisão Extraordinária da Carga

Desde meados de março, temos percebido forte impacto no consumo de energia no Brasil, e no mundo, em decorrência das medidas de isolamento social tomadas ao redor do globo para combate à pandemia da Covid-19.

Em apresentação realizada durante a 66ª Assembleia Geral Extraordinária da CCEE, Rui Altieri, Presidente do Conselho de Administração da Câmara, trouxe o gráfico a seguir, o qual mensura o referido impacto:

Comparação do consumo de energia elétrica nos primeiros meses do ano 2020
Figura 1 – Comparação do consumo de energia elétrica nos primeiros meses do ano (Fonte: CCEE)

Nos primeiros meses do ano, a queda no consumo de energia teve uma maior influência de fatores como temperatura. Como tivemos um período chuvoso mais favorável que o de 2019, as temperaturas mais amenas registradas no primeiro trimestre do ano tiveram um impacto mais significativo sobre a queda no consumo de energia das regiões Sudeste e Sul do Brasil.

Porém, como já mencionado, a partir da segunda quinzena de março as medidas de isolamento social adotadas começaram a surtir efeito sensível no consumo. Em abril e maio, notamos queda de 12% em ambos os meses, em relação ao mesmo período do ano anterior.

Um montante dessa ordem implica em um impacto material na economia brasileira, já que boa parte do setor industrial, e parcela significativa dos setores de comércio e serviços foram obrigados a reduzir suas atividades de modo bastante severo.

ONS, CCEE e EPE fazem projeções de carga para utilização nos modelos energéticos, os quais são base para a precificação de energia (PLD), e outros estudos de grande importância, como de necessidade de nova oferta para os leilões de energia, nos quais as distribuidoras compram energia para atendimento às suas necessidades.

Temos um plano anual e duas revisões quadrimestrais, sendo a primeira feita em abril, para utilização no PMO de maio, e a segunda em agosto, para utilização no PMO de setembro.

Neste ano, a revisão quadrimestral foi entregue bem no início da pandemia. Não havia, com ainda não há, uma ideia clara da profundidade da crise. Tanto que o PIB base utilizado para a revisão da carga foi de 0% em 2020.

Ao longo do tempo, previsões indicavam um cenário bem mais desafiador para a economia brasileira. Como as previsões de carga exercem grande impacto no setor elétrico, foi necessária uma revisão extraordinária, a qual utilizou uma premissa de PIB mais próxima dos cenários que são previstos: -5% (na verdade, há previsões mais pessimistas, mas esta foi a utilizada na revisão extraordinária).

O impacto nas projeções de carga de 2020 a 2024, tanto no plano como nas revisões, pode ser visto a seguir:

Projeções de carga elétrica em cada um dos cenários
Projeções de carga elétrica em cada um dos cenários
Figura 2 – Projeções de carga em cada um dos cenários (Fonte: ONS/EPE/CCEE)

Assim, pode-se verificar que o efeito combinado das revisões Quadrimestral e Extraordinária gera uma projeção de carga para o SIN mais baixa em cerca de 5 GW médios (queda de 7% em 2020 e 6,5% na média dos anos de 2021 a 2024).

Como já mencionado, os impactos para o setor são importantes, tanto em termos de operação do sistema, quanto em relação à uma perspectiva menor da necessidade de expansão do sistema, e, como efeito mais imediato, queda do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD).

Em relação a este último, fizemos uma simulação de como seriam os PLDs de junho caso a revisão extraordinária já estivesse válida para o mês em curso. Os resultados são mostrados abaixo:

PLD médio oficial x simulação com revisão extraordinária
Figura 3 – PLD médio oficial x simulação com revisão extraordinária – junho/2020

Dessa forma, podemos concluir que teremos uma nova “forçante de baixa” nos preços a partir de julho. Todavia, dependendo dos cenários hidrológicos, bem como restrições operativas, os níveis de PLD podem ficar similares aos atuais.

Com a queda da expectativa de carga, faz sentido, também, não termos leilões para contratação de nova oferta no ano corrente. É mais prudente avaliar a situação no próximo ano, após a crise e a consequente mensuração mais apurada de seus efeitos no setor.

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Energia Natural Afluente (ENA)¹
Trajetórias de ENA para cada subsistema
Figura 4 – Trajetórias de ENA para cada subsistema (Fonte: ONS)

No gráfico acima, podemos verificar as trajetórias das ENAs, as quais seguem em queda principalmente no Sudeste, Nordeste e Norte, em função da época do ano, período seco.

Uma observação interessante acerca do Sudeste é que, após boa recuperação nas vazões em fevereiro e março, seus níveis de ENA estão perto da trajetória observada em 2018 – ano onde tivemos os menores valores de ENA registrados nos últimos 10 anos entre julho e agosto. Importante monitorar esta evolução.

No Sul, houve uma elevação razoável das vazões na passagem de duas frentes frias, uma no final de maio, e outra mais recentemente. Contudo, os valores ainda se encontram muito reduzidos.

No gráfico a seguir, temos o histórico das ENAs ao longo de 2020, com os valores de junho referentes à revisão 1 do PMO de junho, evidenciando os valores muito abaixo da média no Sul ao longo do período.

Valores de ENA verificados nos meses de janeiro a junho de 2020; Boletim Mensal; Energia; Junho
Figura 5 – Valores de ENA verificados nos meses de janeiro a junho (RV1 do PMO) (Fonte: ONS)
  1. Basicamente, a ENA corresponde à energia obtida quando a vazão natural afluente de um rio é turbinada nas usinas situadas a jusante, ou seja, rio-abaixo, a partir de um ponto de observação
Níveis de Armazenamento

A Figura 6 mostra as trajetórias de armazenamento em cada um dos subsistemas, com o nível verificado no dia 08/6/2020 em destaque em cada gráfico. Sudeste, Nordeste e Norte seguem em trajetória de transição, após boa elevação no período chuvoso, sobretudo do Nordeste.

Já o Sul, apesar de ter níveis em ascensão nos primeiros dias de junho, segue nos menores valores observados no histórico recente.

Trajetórias dos níveis de armazenamento por subsistema; Hidrologia; Níveis de Armazenamento, Chuva; Boletim Mensal; Energia; Junho
Figura 6 – Trajetórias dos níveis de armazenamento por subsistema (Fonte: ONS)
Carga
Trajetória das médias móveis de 30 dias da carga; Energia elétrica; Junho 2020
Figura 7 – Trajetória das médias móveis de 30 dias da carga (Fonte: ONS / Exponencial)

O impacto da crise sanitária no consumo de energia tem sido material ao longo do ano, como pode ser visto nos gráficos acima. Em relação ao mês de maio, a menos do Nordeste, nota-se uma tendência de elevação na carga do SIN em junho.

Ao longo do mês, poderemos acompanhar o impacto na carga da flexibilização das medidas de isolamento social, e volta à operação de indústrias e comércio, como shoppings centers.

Boletim Mensal; Energia; Junho; Carga de Energia
Tabela 1 – Carga de energia – média de 30 dias (Fonte: ONS – Elaboração: Exponencial Energia)
Mercado

Ao longo do ano, as condições hidrológicas variaram de maneira sensível, conforme vimos nas seções anteriores deste Boletim. Com isso, tivemos forte volatilidade no PLD. No gráfico a seguir, temos o comportamento do preço nos quatro submercados. Destaque para o Sul, cujo valor foi mais elevado nos meses de fevereiro e março. De abril em diante, com a forte queda da carga, e aumento de intercâmbio de energia com o Sudeste, o PLD do Sul voltou a se igualar ao do Sudeste.

Boletim Mensal; Energia; Junho; PLD Junho
Figura 8 – PLDs médios verificados em 2020 – JUNHO: média dos preços verificados até a semana de 06 a 12 (Fonte: CCEE)

Após a queda sensível dos preços da Energia Incentivada 50% no mês de Abril, principalmente dos anos de 2020 e 2021, em consequência dos impactos na carga causados pela epidemia do COVID-19, no mês de Maio, diante do saída do PLD do piso, o preço da energia registrou pequena elevação, com maior impacto no ano vigente.

Boletim Mensal; Energia; Junho; prelo para longo prazo de energia incentivada
Figura 9 – Preço de para Longo Prazo de Energia Incentivada 50% e PLD durante o mês de Maio/2020 (Fonte: Exponencial Energia e CCEE)

Entretanto, não foi notado, ainda, um impacto mais sensível nos preços de longo prazo, ou seja, produtos com início de entrega de 2022 em diante. Tais preços sofrem menos influência das condições conjunturais.

Em princípio, acreditamos que um eventual impacto mais sensível nos preços para entrega em 2022 possa ser sentido somente mais adiante no ano, mais próximo ao período chuvoso de 2020/2021.

Bandeira Tarifárias

Como mais uma medida emergencial, frente ao cenário de pandemia da Covid-19, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) decidiu manter a bandeira verde acionada até 31/12/2020. O anúncio desta medida foi feito na Reunião Pública da Diretoria da ANEEL do último dia 26 de maio.

Boletim Mensal; Energia; Junho; bandeira tarifária

Meteriologia

Na primeira quinzena de maio, houve o avanço de duas frentes frias pelas regiões Sul e Sudeste, ocasionando chuvas, porém, de fraca intensidade, na bacia do rio Jacuí e em pontos isolados dos rios Uruguai e Iguaçu. Porém, no final da terceira e início da quarta semana do referido mês, tivemos uma nova frente fria, a qual trouxe totais elevados de precipitação nas bacias dos rios Jacuí, Uruguai, Iguaçu e Paranapanema.

Mesmo assim, apesar de um aumento sensível de ENAs, o Sul segue uma situação hidrológica muito abaixo de sua média histórica.

Boletim Mensal; Energia; Junho
Figura 10 – Precipitação total em abril/2020 (Fonte: CPTEC)
Expectativas meteriológiacas

Quanto mais longe queremos ter previsões acerca do comportamento das condições climatológicas, maior é o desafio. Pela experiência, a assertividade das previsões se reduz quanto mais tentamos avançar no tempo. Para o período de até 5 dias, temos uma assertividade razoável. Contudo, para períodos de 15 dias, 30 dias, é mais difícil de termos previsões confiáveis.

De qualquer forma, centros de estudos climáticos ao redor do mundo fornecem insumos para previsões meteorológicas de prazo mais estendido. Devemos utilizá-las com cuidado, avaliando tendências possíveis, porém sem descuidarmos dos riscos envolvidos.

Dentre as previsões mais consultadas pelo setor elétrico, temos as do GFS (Global Forecast System, modelo de previsão de tempo produzido pelo National Center for Environmental Prediction – NCEP, dos EUA). A rodada mais recente do modelo pode ser verificada na figura a seguir:

Boletim Mensal; Energia; Junho
Figura 11 – Previsões meteorológicas resultantes do modelo GFS (Fonte: WXMaps)

Sem dúvida, em comparação ao mês passado, junho se mostra com uma condição mais favorável para chuvas no Sul do país. Já temos visto nova elevação das vazões neste subsistema, conforme foi verificado, também, na passagem da frente fria no final do mês de maio. De qualquer forma, no início deste mês, as previsões indicavam boas possibilidades para as precipitações na região. Mas, temos uma oscilação importante nas previsões meteorológicas, o que tem gerado volatilidade nos preços dos produtos com entrega em 2020.

De qualquer modo, as previsões mais recentes do modelo GFS da Figura 11 ainda mostram um cenário com boas precipitações, principalmente para o período de 17 a 25/6.

A revisão extraordinária de carga deverá trazer uma “forçante de baixa” nos preços a partir do mês que vem. Contudo, o que temos observado é uma elevação no PLD, em função do cenário hidrológico, que segue abaixo da média no Sudeste e muito ruim no Sul. Há perspectivas para a ocorrência de chuvas neste subsistema, mas notamos uma oscilação nas previsões, o que gera volatilidade no mercado para produtos com entrega ao longo de 2020.

Conclusões

A carga em junho tem dado sinais de reação, mesmo muito abaixo dos valores do planejamento anual. O anúncio e a efetivação de medidas de relaxamento do isolamento social têm condições de exercer uma pressão de alta no consumo de energia, com a retomada da atividade empresarial. Mas, é importante monitorar tal situação, já que, caso haja uma escalada de casos da Covid-19, pode haver uma revisão e eventual retrocesso nestas medidas.

Mesmo com volatilidade nos preços de 2020, não notamos impactos materiais nos preços de produtos de longo prazo. Com eventual elevação nas tarifas de energia, em função da necessidade de pagamento dos empréstimos no âmbito da Conta-Covid pelas distribuidoras, a atratividade da migração para o mercado livre segue muito interessante. Inclusive, em um momento de crise, oportunidades de redução de custos não devem ser desperdiçadas.

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Por Witzler | Energia

A Witzler | energia é uma plataforma de soluções energéticas. Temos como objetivo oferecer a solução completa, atuando em toda a cadeia energética, através da prestação de serviços de inteligência, comercialização, geração e soluções em energia.


Destaques da Semana

  • Seca no Sul já afeta 18 hidrelétricas, afirma ONS.

A severa estiagem no Sul resultou na paralisação, ou geração intermitente, de 18 usinas hidrelétricas nas duas principais bacias da região, Iguaçu e Uruguai. A operação dos reservatórios tem sido feita apenas para atendimento de restrições ambientais ou de outros usos d’água. Tais informações foram discutidas durante a 9ª reunião da Sala de Crise da Região Sul, realizada na última quinta-feira, 04/6, com o objetivo de avaliar os impactos da situação hidrológica deste subsistema, e buscar soluções para a operação energética da região.

Durante o encontro, recomendou-se a manutenção do teste de redução da defluência mínima da Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó, no rio Uruguai, para 150m³/s. Tal valor será praticado, ao menos, até 18 de junho, quando haverá nova reunião para reavaliação do tema.

Fonte: Canal Energia.

Aneel apresenta contribuições dos agentes à Conta Covid.

A ANEEL publicou na última terça-feira, 02/6, as contribuições recebidas no âmbito da Consulta Pública 035/2020, instaurada para discutir e receber subsídios dos agentes e da sociedade em geral em relação à regulação da Conta Covid.

De modo geral, as distribuidoras contribuíram de modo mais técnico, entrando em detalhes acerca da regulação e da Conta Covid, como era esperado. Já associações e conselhos de consumidores exaltaram preocupações acerca da transparência em relação às informações relacionadas a nível de faturamento e arrecadação das distribuidoras, temendo um impacto muito severo para seus representados.

Outras preocupações levantadas pelos agentes versam sobre transferência de ônus aos consumidores com inadimplência e fraudes, além de sugestões como a da Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia (Abradee), para que a Conta Covid tenha maior flexibilidade, caso se identifique a necessidade de novas tranches de empréstimos, caso haja eventual agravamento da situação.

Fonte: Canal Energia.

Balanço Energético do Sistema Interligado Nacional (SIN)

Durante a semana operativa em análise, tivemos elevação nas condições de vento e, consequentemente, aumento na geração eólica do Nordeste, em comparação à semana anterior. Tal fonte foi responsável por cerca de 40% do atendimento da carga deste subsistema, em média.

Já no Sul, 78% de sua carga segue sendo atendida por intercâmbio do Norte e do Sudeste.

Balanço energetico; witzler energia; mercado livre de energia; energia eletrica;
Figura 1 – Balanço Energético e intercâmbio de energia (Fonte: ONS)
Balanco energetico; wiztler energia; energia eletrica; ons
Figura 2 – Balanço Energético (Fonte:ONS)

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

Nos primeiros dias de junho, percebemos uma elevação nos níveis de armazenamento apenas no Sul, com 0,4%.

A queda nas demais regiões reflete a continuidade do período seco no Brasil, que vai de maio a outubro, basicamente.

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Figura 3 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional; hidrologia; energia; mercado livre de energia; Witzler energia; tabela níveis de armazenamento Junho 2020
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

De modo geral, as condições do SIN são melhores que as do ano passado. Infelizmente, ainda não houve uma resposta mais robusta das condições de chuvas no Sul. Apesar da última frente ter trazido boas chuvas, ainda é necessário um volume bem mais representativo.

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Figura 4 – Trajetórias dos níveis de armazenamento por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Chuva, Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional; hidrologia; energia; mercado livre de energia; Witzler energia; meteriologia
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para a RV1 do PMO de junho (Fonte: ONS)

Na Tabela 2, temos as previsões de ENA para a semana operativa de 06 a 12 de junho. Para a próxima semana, as previsões de ENA indicaram um cenário um pouco mais baixo no Sudeste.

Os Preços de Liquidação de Diferenças (PLD) para a próxima semana operativa são dados na tabela a seguir. Como Nordeste e Norte contam com uma condição de armazenamento bem superior aos demais subsistemas, e sendo o Norte o maior exportador de energia do SIN, inclusive no limite da capacidade de intercâmbio, há o descolamento de preços entre Sudeste/Sul e Nordeste/Norte.

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Tabela 3 – PLDs para a primeira semana operativa de Junho /2020 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

O impacto da crise sanitária no consumo de energia tem sido material ao longo do ano, como pode ser visto nos gráficos a seguir. Em relação ao mês de maio, nota-se uma tendência de elevação na carga do SIN em junho.

Para a semana que vem, o ONS já elevou a previsão da carga para o SE/CO em 651 MWm (em torno de 2%).

Ao longo do mês, poderemos acompanhar o impacto na carga da flexibilização das medidas de isolamento social, e volta à operação de indústrias e comércio, como shoppings centers.

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Figura 5 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Mercado e Preços

Com as perspectivas de chuvas no Sul nos próximos dias, percebemos uma oscilação forte no mercado no decorrer desta semana. De segunda até quinta, a tendência predominante foi de queda, nos produtos com entrega em 2020.

Porém, como ainda não tivemos reflexo em termos de ENA, na sexta-feira (05/6), houve reversão da tendência. A elevação do PLD para a semana que vem causa um impacto nos preços para junho, mas, também, pela especulação dos agentes, influenciou os demais produtos.

Figura 6 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Novamente, não foi notado um impacto mais sensível nos preços de longo prazo, em especial, dos produtos com início de entrega de 2022 em diante. Conforme temos reportado, esperamos eventuais variações mais significativas ao longo dos próximos meses, à medida em que nos aproximarmos do próximo período chuvoso.

Figura 7 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Com uma queda nas expectativas de ENA no Sudeste, houve nova elevação do PLD para a próxima semana operativa.

Entretanto, é importante frisar que a maior parte das previsões indicam a possibilidade de termos boas chuvas no Sul do Brasil, o que pode impactar a ENA na região.

Contudo, tais previsões ainda não se refletiram nas previsões de ENA do ONS, as quais contam com uma metodologia de remoção de viés que, em muitos casos, acaba fazendo com que os valores previstos sejam mais conservadores.

A volatilidade do mercado se concentra nos preços com entrega ao longo de 2020, sem um impacto mais sensível, ainda, nos preços de longo prazo.

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Por Witzler | Energia

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Destaques da Semana

  • Carga esperada para junho é 5,4% menor, aponta ONS.

De acordo com expectativa do Operador Nacional do Sistema (ONS), espera-se uma retração de 5,4% na carga para o mês de junho. Caso se confirme, será a quarta queda seguida no ano, desde o mês de março, início da pandemia.

Em março, em comparação ao mesmo mês do ano passado, houve um recuo de 0,6%. Contudo, em abril após o aprofundamento das medidas de isolamento social, o Operador indicou uma queda de 11,6%. Para maio, a previsão aponta para 10%, quando comparamos o mês de maio de 2019.

Considerando a queda esperada para o mês de junho na carga de cada subsistema, o ONS sinaliza uma redução de 7,5% no Sudeste – região de maior consumo do país. Nos demais, a queda deve ser de 4,3% no Norte, 2,4% no Nordeste e 1,8% no Sul.

Fonte: Canal Energia.

  • Empréstimo da Conta Covid pode chegar a R$ 16,1 bilhões.

A operação financeira para contratação de crédito para as distribuidoras de energia, que externam suas necessidades de caixa devido à forte redução do consumo e crescente inadimplência, por meio de empréstimos da chamada “Conta-Covid”, deve atingir o montante de R$ 16,1 bilhões. O valor leva em conta, adicionalmente, R$ 700 milhões destinados à cobertura de revisões tarifárias extraordinárias que seriam aplicadas em seis distribuidoras do Grupo Eletrobras.

A proposta da ANEEL de regulamentação do Decreto 10.350, através do qual foi criada a “Conta-Covid”, ficará disponível para Consulta Pública no site da Agência até dia 01/6/2020. Por ela, os recursos seriam limitados a R$ 15,4 bilhões.

Tais recurso serão contratados de um sindicato de bancos e utilizados na cobertura de déficits e antecipação de receitas das distribuidoras, justamente para evitar problemas de caixa nas empresas. Como o setor de distribuição é o primeiro elo da cadeia de pagamentos do setor elétrico, garante-se, ainda, a manutenção dos fluxos de pagamentos para as empresas de geração e de transmissão.

Fonte: Canal Energia.

Balanço Energético do Sistema Interligado Nacional (SIN)

Com ocorrência de chuvas ao longo da costa no Nordeste na semana operativa em curso, tivemos uma geração eólica bastante inferior ao que foi verificado na semana anterior. Com isso, houve um maior recebimento de energia desta região, oriunda do Norte. O Sul segue como principal importador de energia, o que não deve se alterar até que haja uma quebra de padrão do cenário de estiagem.

Figura 1 – Balanço Energético e intercâmbio de energia (Fonte: ONS)
Figura 2 – Balanço Energético (Fonte:ONS)

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

Durante a semana, o destaque foi a reversão da tendência de queda nos níveis de armazenamento do subsistema Sul. Com a ocorrência de uma frente fria no final de semana de 22 a 24/5, tivemos boas chuvas na região, contribuindo para uma elevação dos reservatórios. Contudo, a não continuidade desta situação faz com que tenhamos nova queda nas vazões de segunda passada (25/5) em diante.

Figura 3 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

De modo geral, as condições do SIN são melhores que as do ano passado. Infelizmente, ainda não houve uma resposta mais robusta das condições de chuvas no Sul. Apesar da última frente ter trazido boas chuvas, ainda é necessário um volume bem mais representativo.

Figura 4 – Trajetórias dos níveis de armazenamento por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para a RV0 do PMO de junho (Fonte: ONS)

Na Tabela 2, temos as previsões para o mês de junho, divulgadas no âmbito do Programa Mensal da Operação (PMO) para o mês de junho, realizadas pelo ONS.

Percebemos uma continuidade do cenário de vazões bastante baixas no Sul do Brasil. Conforme comentamos anteriormente, mesmo com a recente ocorrência de chuvas em bons volumes no Sul, não tivemos a continuidade das chuvas.

Dessa forma, os Preços de Liquidação de Diferenças (PLD) para a primeira semana operativa de junho (de 30/5 a 05/6) são dados na tabela a seguir. Como há grande excedente de energia no Norte, aproveitados totalmente tanto no Sudeste e Sul, como também no Nordeste, e o intercâmbio de energia de Norte e Nordeste para Sudeste atinge seu limite máximo, há um descolamento dos preços entre os submercados (denominação dada pela CCEE. No ONS, a denominação é subsistema).

 
Tabela 3 – PLDs para a primeira semana operativa de Junho /2020 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

O impacto da crise sanitária no consumo de energia tem sido material ao longo do ano, como pode ser visto nos gráficos ao lado. O SIN deve fechar o mês corrente com uma queda de 10% em relação a maio de 2019.

Figura 5 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Mercado e Preços

As oscilações vistas no curto prazo refletem as incertezas em relação à continuidade ou não da estiagem no Sul, que já perdura por meses, bem como de restrições e variáveis operativas, como limites de intercâmbio do Bipolo do Xingu, dividido em dois terminais de corrente contínua (Xingu-Estreito e Xingu-Terminal Rio), declarações de inflexibilidade de usinas térmicas, restrições de vazão defluente nas usinas do Sul, dentre outras. Em relação ao Bipolo, houve uma limitação de 8 GWm para 69 GWm nas cargas pesada e média, e de 8 GWm para 6.4 GWm na carga leve, para atendimento de critério de segurança operativa definido pelo ONS. Com a redução material de carga decorrente da crise atual, tivemos problemas de estabilidade e queda de frequência no Bipolo. Para evitar qualquer problema maior para o sistema, houve essa limitação. Lembrando que o Bipolo possibilita a transmissão da energia de Belo Monte para o SIN.

Figura 6 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Contudo, não se nota, ainda, um impacto mais sensível nos preços de longo prazo, em especial, dos produtos com início de entrega de 2022 em diante. Devemos seguir com uma certa estabilidade em tais preços no decorrer do ano, podendo ter alguma variação mais significativa à medida em que nos aproximarmos do próximo período chuvoso.

Figura 7 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Além das ENAs, várias outras variáveis e restrições operativas têm influenciado de forma material a formação do preço.Em função do cenário de vazões bastante abaixo da média no Sul, e de apenas 77% da média histórica para o Sudeste em junho, tivemos uma elevação do PLD médio para estes submercados na próxima semana operativa.

Em junho, algumas previsões meteorológicas indicam uma melhora nas condições climáticas para a ocorrência de chuvas na região Sul. Contudo, temos notado que há grande volatilidade em relação aos prováveis eventos – hora temos bons volumes sendo previstos, hora há um cenário mais “seco” em vista. Não só por uma questão de preço, mas as chuvas no Sul são bem-vindas principalmente por uma questão de atendimento de água e sanitário na região, sobretudo sob a conjuntura que estamos vivendo.

Todas essas incertezas levam a uma volatilidade nos preços no curto prazo, a qual não se reflete ainda, de forma mais intensa, nos preços de longo prazo.

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