Mês: setembro 2020


Destaques da Semana

Mercado livre contava com 8.105 consumidores ao final de agosto.

No final do mês de agosto, o mercado livre de energia atingiu a marca de 8.105 consumidores livres e especiais habilitados junto à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Tal montante representa um aumento de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, indicando que estamos em uma nova onda de migração para o ACL. A CCEE pontua, também, que nos oito primeiros meses de 2020, a média mensal de adesões mercado livre foi de 148 consumidores – valor mais elevado desde o ano de 2016, durante o qual houve uma forte onda de migração.

Segunda a Câmara, tais montantes são reflexo, principalmente, do crescimento de 16% de consumidores especiais – aqueles que possuem carga de 0,5MW a 2 MW, e só podem comprar energia incentivada. Já o número de consumidores livres – com carga acima dos 2MW – apresentou um crescimento de 8%.

No próprio mês de agosto, houve um forte aumento do número de processos em andamento para adesão ao mercado livre, de 46% na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram registrados 1.055 processos de migração, sendo a maior parte de consumidores especiais.

Fonte: CCEE

Consumo de energia cresce 2,5% na primeira metade de setembro.

De acordo com o boletim InfoMercado Quinzenal, divulgado pela CCEE, o consumo de energia no Brasil apresentou um aumento de 2,5% na primeira quinzena de setembro, quando comparado com o mesmo mês de 2019. Tal crescimento indica uma tendência de retomada das atividades econômicas no país. Contudo, é importante pontuar que houve forte elevação das temperaturas nas principais regiões do Brasil, o que impacta, também, o consumo de energia.

No Ambiente de Contratação Regulada – ACR, que reúne os consumidores cativos, o consumo manteve-se praticamente estável em setembro (+0,1%). Já no Ambiente de Contratação Livre – ACL, houve um avanço de 7,9%.

Fonte: CCEE.

Balanço Energético do Sistema Interligado Nacional (SIN)

Durante a semana operativa, os excedentes energéticos do Nordeste e Norte foram utilizados no Sudeste e Sul via intercâmbio. Com um volume relevante de geração eólica, o Nordeste se destaca por ser exportador de energia praticamente em todo o período seco.

Balanço energético; Energia; boletim
Figura 1 – Balanço Energético e intercâmbio de energia (Fonte: ONS)
Balanço energético; médio
Figura 2 – Balanço Energético (Fonte: ONS)

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

No decorrer desta semana operativa, observamos a continuidade da trajetória de queda nos níveis de armazenamento do SIN, já que não houve episódios de chuvas relevante nas principais bacias do Sistema.

Níveis de Armazenamento, regiões sul nordeste, norte e Sudeste Cento
Figura 3 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
reservatório SIN
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

A menos de alguma elevação mais pontual no Sudeste, tivemos os subsistemas em tendência majoritária de queda ao longo da semana. Importante observar que Sudeste e Sul estão com valores de ENA mais próximos dos mínimos atingidos nos últimos anos.

ENA; energia natural afluente
Figura 4 – Trajetórias dos níveis de Energia Natural Afluente por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente mensais
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para o PMO de outubro (Fonte: ONS)

As previsões do PMO de outubro/2020 indicam a possibilidade de termos Energia Natural Afluente (ENA) abaixo das médias de longo termo (MLT) em todos os subsistemas.

No Sudeste/Centro-Oeste, a expectativa da ENA mensal é de 68% da MLT. No Sul, as vazões devem resultar em um cenário de ENA de apenas 61% da média.

Outubro costuma ser o mês de transição para o período chuvoso. Por hora, podemos observar que, com as previsões de ENA abaixo dos valores históricos, espera-se um atraso no início do período de chuvas. Com isso, o impacto que temos no PLD é de uma forte alta.

De fato, pelos valores de PLD para a próxima semana, tal observação faz todo o sentido:

PLD, preço da energia
Figura 5 – PLDs para a primeira semana operativa de Outubro /2020 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

Notamos forte elevação da carga em relação ao mês de agosto, e também em relação a setembro de 2019. Além da retomada da atividade econômica no país, importante ressaltar que tivemos temperaturas acima da média ao longo deste mês em boa parte do país, exercendo pressão de alta no consumo de energia em função da utilização de equipamentos de climatização.

Carga de energia, brasil
Figura 6 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Mercado e Preços

Ao longo da semana, a expectativa de cenários de ENA mais baixos para outubro trouxe uma profunda tendência de alta nos preços de energia para entrega em 2020, impactando também os produtos para entrega em 2021.

Na atualização dos modelos climáticos observada na segunda-feira trouxe ao mercado uma enorme volatilidade nos produtos com entrega próxima. Para a visualização, abaixo foram apresentadas as médias de preços enviadas nos dias 21 e 22 de setembro pelas empresas aderentes a tomada de preços da curva forward da Witzler Energia.

energia convencional, preço
Figura 7 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Para o produto de 2022, nota-se uma leve tendência de alta, sendo este sinal praticamente nulo nos produtos de mais longo prazo para esta semana para os preços observados nesta semana.

energia incentivada, mercado livre de energia
Figura 8 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Com o consumo de energia em elevação, e as condições hidrológicas ainda depreciadas nesta transição do período seco para o período chuvoso, notamos uma forte tendência de alta nos preços de energia para produtos com entrega em 2020 e 2021.

No decorrer do mês de outubro, caso a situação não se reverta, podemos seguir com esta tendência. Importante ressaltar que estamos sob influência do fenômeno La Niña, o qual traz uma perspectiva de condições mais secas no Sul do Brasil. Para as demais regiões, espera-se condições mais favoráveis às chuvas no Nordeste e no Norte.

No Sudeste, o La Niña não traz uma condição tão definida, mas pode resultar em atraso do período de chuvas, a depender de sua intensidade e interação com demais fatores meteorológicos.

Escute agora o segundo episódio do Witzler Cast


Destaques da Semana

Consumo acelera e ONS prevê crescimento de 3,4% em setembro

Para a próxima semana operativa (de 19 a 25 de setembro), o Operador Nacional do Sistema (ONS) voltou a elevar sua previsão de carga, indicando que a carga de energia de setembro deve se situar 3,4% acima daquela verificada no mesmo período do ano anterior.

O Operador destaca, por subsistema, o crescimento esperado para o Sul, de 7,1% em relação ao ano anterior. No Sudeste/Centro-Oeste, espera-se um crescimento de 3,3%. No Norte o crescimento esperado é de 5%. Já o Nordeste é o único subsistema onde se espera uma queda, porém, de apenas 0,6%.

Já nas previsões de vazões, houve redução na estimativa de Energia Natural Afluente (ENA) para SE/CO e Sul, com projeções de 69% da média histórica e 46% da média, respectivamente.

Fonte: CanalEnergia

Terceira parcela da conta covid chega às distribuidoras

A CCEE liberou a terceira parcela do repasse da chamada “Conta Covid”, repassando, para as distribuidoras, R$ 890,5 milhões. O pagamento fo realizado conforme informações publicadas no Despacho nº 2.640, da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

No total, já foram repassados R$ 13 bilhões às empresas que aderiram à medida, correspondendo a 88% do total da operação. A previsão é a de que os montantes totais sejam repassados até janeiro de 2021.

17 empresas já receberam todo o montante previsto em seus termos de adesão.

A operação foi financiada por um pool formado por 16 instituições financeiras sob liderança do BNDES. A gestão da operação é do Banco Bradesco. Do total, 29% dos recursos são oriundos de bancos públicos.

Fonte: CanalEnergia

Balanço Energético do Sistema Interligado Nacional (SIN)

Primeiramente, observando os dados médios no período, notamos o Nordeste como franco exportador de energia, e o Sudeste como recebedor.

O subsistema Norte teve momentos de recebimento e envio de energia, mas o balanço da semana operativa, até o dia de ontem, mostra exportação líquida de89 MW médios.

Balanço energético; Energia; boletim
Figura 1 – Balanço Energético e intercâmbio de energia (Fonte: ONS)
Balanço energético; médio
Figura 2 – Balanço Energético (Fonte: ONS)

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

Na semana operativa, seguimos em trajetória de queda nos níveis de armazenamento do SIN.

Níveis de Armazenamento, regiões sul nordeste, norte e Sudeste Cento
Figura 3 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
reservatório SIN
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

Todos os subsistemas seguem em tendência de queda nas ENAs, a menos do Sul, com leve elevação das ENAs devido a eventos de chuva ocorridos nesta semana.

ENA; energia natural afluente
Figura 4 – Trajetórias dos níveis de Energia Natural Afluente por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente mensais
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para a revisão 3 do PMO de setembro (Fonte: ONS)

A revisão das previsões de ENA da revisão 3 do PMO de setembro, como já comentado na seção “Destaques da Semana”, indicaram queda na expectativa de fechamento mensal das ENAs, novamente no Sudeste e Sul. No total do SIN, houve queda de 2,2 GW médios (-9%).

Com isso, houve nova elevação dos PLDs médios de todos os submercados, com Sudeste, Sul e Norte passando dos R$ 100/MWh pela primeira vez no mês.

Como nas demais semanas, tivemos valores menores de PLD no Nordeste, refletindo sua condição de exportador de energia. Como os limites de intercâmbio de energia são atingidos, há o descolamento dos preços.

Os PLDs para a próxima semana operativa são dados a seguir.

PLD, preço da energia
Figura 5 – PLDs para a quarta semana operativa de Setembro /2020 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

A princípio, seguimos notando elevação na carga do mês de setembro, em comparação tanto com o mês anterior, quanto com o mesmo mês do ano passado (setembro/2019).

A retomada das atividades econômicas ao redor do país, bem como as elevadas temperaturas que têm sido verificadas em várias de suas regiões, colaboram para tal cenário.

Carga de energia, brasil
Figura 6 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Mercado e Preços

Ao longo da semana, tivemos uma leve reversão da tendência de queda de preços verificada na semana anterior. De fato, houve oscilação nas previsões de chuvas utilizadas por várias casas de comercialização, além da perspectiva de uma possível elevação da carga prevista para os próximos meses.

energia convencional, preço
Figura 7 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Para os produtos de 2022 em diante, apenas notamos variações naqueles com entrega para o próximo ano.

energia incentivada, mercado livre de energia
Figura 8 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Em síntese, com um período mais seco no decorrer de setembro, tivemos atualizações de previsões de vazões constantemente mais baixas, ao longo das semanas operativas do mês.

Novamente, tivemos elevação dos PLDs médios em todos os submercados, com destaque para Sudeste, Sul e Norte, os quais tiveram PLDs médios acima dos R$ 100/MWh.

Com a oscilação das previsões de precipitações, notamos volatilidade mais elevada nos preços ao longo desta semana. Importante ressaltar que alguns institutos de meteorologia já dão como certo a influência do fenômeno La Niña sob o clima, o que pode desfavorecer a ocorrência de chuvas no Sul e em parte do Sudeste. Contudo, para esta última, não há uma expectativa predominante de seca ou abundância de chuvas em função do fenômeno.


Destaques da Semana

Brasil retoma consumo de energia pré-pandemia antes de outros países, diz CCEE.

O consumo de energia já se mostra em níveis próximos aos que se verificava antes da pandemia. Comparativamente a outros países, no Brasil, temos uma recuperação mais rápida, conforme estudo recente da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). De acordo com o mês de agosto de 2020, tivemos um recuo de apenas 0,3%, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Tal comportamento é atribuído ao gradual relaxamento das medidas de isolamento social para conter a disseminação da Covid-19.

Importante ressaltar que os dados de consumo não descontam outros fatores, como a temperatura, mas, ainda assim, Rui Altieri, presidente do conselho da CCEE, entende que o comportamento recente dá demonstrações claras de uma retomada. Além disso, Altieri acredita que, a partir de setembro e outubro, todos os setores da economia devem apresentar consumo de energia no mesmo patamar ou acima do ano passado.

Fonte: Reuters.

Acordo do GSF deve ter grande adesão por parte dos agentes, diz CCEE.

De acordo com Rui Altieri, a proposta para acordo do GSF deve ter adesão da maioria dos 115 agentes com débitos no mercado de curto prazo. Com isso, o acordo deverá resultar no parcelamento de um montante líquido de R$ 5,3 bilhões. Importante lembrar que a disputa judicial em relação aos débitos do GSF já dura mais de cinco anos, e impede a liquidação de um total de R$ 8,9 bilhões na CCEE.

Com a publicação da Lei 14.052/2020, sancionada pelo Presidente da República no último dia 9 de setembro, abre-se caminho legal para que o acordo seja efetivado. Aceitando o custo passado, e desistindo das liminares, os agentes de geração que aderirem ao acordo terão direito a um prazo adicional de concessão, cuja duração máxima será de 7 anos, além da possibilidade de parcelamento dos débitos.

Altieri espera que até dezembro o mercado poderá ter o primeiro pagamento, ou ao menos seu agendamento, concluído. Do total de 141 liminares, 45 delas protegem agentes de participar do rateio da inadimplência, e estão fora da solução aventada pela Lei. Dessa forma, a CCEE deverá se reunir com associações de classe para negociar a desistência, também, destas liminares, buscando acabar com a judicialização do setor elétrico.

Fonte: CanalEnergia.

economia de energia; fatura de energia

Balanço Energético do Sistema Interligado Nacional (SIN)

Além do Nordeste e do Norte, com a melhora das ENAs, em função de eventos de chuva ocorridos ao longo da semana, o Sul também exportou energia ao Sudeste, como podemos verificar na Figura 1.

Apenas o Sudeste foi o único subsistema a importar energia para complementação do seu atendimento energético.

Balanço energético; Energia; boletim
Figura 1 – Balanço Energético e intercâmbio de energia (Fonte: ONS)
Balanço energético; médio
Figura 2 – Balanço Energético (Fonte: ONS)

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

Em primeiro lugar, nesta semana operativa, como na anterior, houve queda nos níveis de armazenamento. Mas, mesmo com elevação pontual nas ENAs no Sul, não houve alteração de trajetória neste subsistema.

Níveis de Armazenamento, regiões sul nordeste, norte e Sudeste Cento
Figura 3 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
reservatório SIN
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

Todos os subsistemas seguem em tendência de queda nas ENAs. No Sul, os eventos de chuva ao longo da semana não causaram uma elevação material conforme vimos nos últimos meses, mas trouxe uma pequena elevação nas ENAs da região.

ENA; energia natural afluente
Figura 4 – Trajetórias dos níveis de Energia Natural Afluente por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente mensais
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para a revisão 2 do PMO de setembro (Fonte: ONS)

A revisão das previsões de ENA da revisão 2 do PMO de setembro mostram uma queda na expectativa nas ENAs do Sudeste e Sul, resultando em uma diminuição de 2,6 GW médios na ENA prevista para o SIN no mês.

Dessa forma, tivemos uma elevação dos PLDs médios de todos os submercados para a semana operativa de 12 a 18 de setembro. O aumento foi de 17% para Sudeste, Sul e Norte, e 15% para Nordeste, em relação à semana operativa corrente.

Como o Nordeste segue como exportador de energia, contando com valores elevados de geração eólica, capazes de atender a quase toda sua carga, ao enviar energia para as demais regiões temos um esgotamento da capacidade de intercâmbio. Com isso, o submercado se isola, ficando com um custo marginal de operação e, consequentemente, um PLD mais baixo que os demais.

Os PLDs para a próxima semana operativa são dados a seguir.

PLD, preço da energia
Figura 5 – PLDs para a terceira semana operativa de Setembro /2020 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

Além da retomada do consumo em função da flexibilização do isolamento social, as elevadas temperaturas dos últimos dias impactaram positivamente a carga ao longo de setembro

Assim, já notamos elevação da carga no mês em função do mesmo período do ano passado e do mês anterior.

Carga de energia, brasil
Figura 6 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Mercado e Preços

Com as previsões meteorológicas indicando cenários mais secos em boa parte da semana, além da situação mais seca em boa parte do SIN, a exceção do Sul, no qual tivemos alguns episódios de chuvas e leve elevação das ENAs, notamos uma tendência de alta ao longo da semana de 8 a 11 de setembro, lembrando que tivemos feriado da Independência na segunda, sem operações no mercado.

Contudo, no final da semana, notamos algumas alterações nas previsões de chuvas, porém, ainda com certa variabilidade, gerando volatilidade nos preços, sobretudo nos produtos para entrega em 2020.

energia convencional, preço
Figura 7 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Para os produtos de 2021 em diante, apenas notamos variações naqueles com entrega para o próximo ano.

energia incentivada, mercado livre de energia
Figura 8 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Após elevação das ENAs no Sul, em função de chuvas ocorridas no início da semana operativa, já notamos queda nas vazões, condizente com o início de uma situação mais seca na região.

As previsões de chuvas indicam um cenário mais positivo após o dia 19/9, e já mexem com o mercado. Contudo, não se nota um movimento tão forte de queda, já que o mercado deve esperar uma confirmação do cenário nos próximos dias.

A revisão 2 do PMO de setembro mostra cenários mais baixos de ENAs para Sudeste e Sul. Com isso, tivemos elevação nos PLDs médios de todos os submercados.

Escute agora o Witzler Cast


Apresentação

A Comercialização Varejista

A regulamentação do comercializador varejista não é uma novidade no setor elétrico. Fruto de discussões no âmbito da Audiência Pública ANEEL 044, instaurada em junho de 2012, suas motivações foram mitigar o crescimento do número de agentes da CCEE, simplificar o processo de migração de consumidores com cargas pequenas, além de reduzir custos de entrada no mercado livre. Ou seja: a ideia básica era permitir uma operação no mercado livre mais simples, eficiente e barata.

Sem a figura do varejista, todo consumidor deveria necessariamente ser agente da CCEE. Com isso, o número de participantes do mercado já apresentava crescimento importante. Em termos operacionais, tal elevação e, consequentemente, o maior volume de operações na Câmara traria importantes desafios em termos de estrutura para sua gestão. Para uma empresa que não tenha uma área de energia, a migração impõe custos e exige conhecimento técnico específico. Por esta razão, muitas optam por empresas de gestão de energia – como a Witzler – para que consigam cumprir com as obrigações perante a CCEE e tenham uma operação no mercado livre que lhes assegure eficiência e economia.

Assim, a modalidade varejista fazia todo o sentido. A comercializadora, nesta modalidade, realizaria a modelagem de cargas diretamente em seu perfil. Com isso, ao invés de termos diversos consumidores como agentes da CCEE, ela passaria a “enxergar” apenas a carga do comercializador varejista. Com menos agentes no mercado, temos uma economia de escala, tanto em termos de investimentos em infraestrutura pela CCEE, quanto em custos operacionais para os consumidores representados. Para o varejista, ao invés de diversas operações de compra e venda, consegue-se, também, uma economia de escala através da compra de energia de um volume maior para atendimento aos seus consumidores.

Comercializadores Varejista de Energia

Este tipo de modelo já existe em outros países. Na Colômbia, por exemplo, consumidores livres só podem acessar o mercado através de comercializadores.

Muito interessante, bom para todos, e com modelos similares pelo mundo. Mas, o modelo varejista ainda “patina” no mercado. Atualmente (setembro de 2020), temos 367 comercializadoras e 1.641 geradores. Contudo, até o momento, temos apenas 25 empresas habilitadas nesta modalidade. O que aconteceu?

Mesmo estando com requisitos e procedimentos estabelecidos em regulamentação desde 2013, poucos comercializadores aderiram à comercialização varejista desde então. O principal fator para tanto é atribuído ao risco de inadimplência, totalmente por conta do varejista. Empresas que possuem gestão de energia conhecem os seus clientes de perto. São parceiros, entendem de suas necessidades, buscam soluções em conjunto, querem trazer economia e resultados. Esse é o nosso caso.

Mas, não é a realidade de muitas casas de comercialização. Imaginar-se assumindo uma inadimplência sem ter formas de desligar o consumidor e, consequentemente, arcar com seu prejuízo, fez com que poucas casas aderissem o modelo, o qual não engrenou como desejado até agora. Com isso, a modalidade ficou restrita a poucas empresas, poucas operações. E o número de agentes da CCEE foi crescendo cada vez mais, até atingir a marca de 10.000 em julho de 2020. De certa forma, o mercado até comemorou. Mas, nas entrelinhas, estamos sobrecarregando as estruturas em detrimento a termos uma forma mais simples, prática, eficiente e barata de se participar do mercado.

Proteção para o Comercializador Varejista

Houve até uma tentativa de tornar obrigatória a representação de consumidores por comercializadores varejistas. Em 2019, através da Consulta Pública 76, o Ministério de Minas e Energia tentou estabelecer a obrigatoriedade da representação para consumidores com carga de até 1 MW. Apenas 9% dos agentes de mercado foram favoráveis à proposta. Mais uma vez, uma das principais objeções pelo mercado foi a questão da inadimplência, inclusive compreendida com um problema pelo próprio MME. No final das contas, a proposta foi abandonada.

No início de setembro, o Governo trouxe um tratamento que deve contribuir para impulsionar a comercialização varejista, através da publicação da Medida Provisória 998/2020. Tal dispositivo tem como foco a contenção das tarifas de distribuidoras em função da crise atual, sobretudo algumas localizadas nas regiões Nordeste e Norte, com situação mais delicada. Contudo, traz, também, a possibilidade de suspensão do fornecimento de energia elétrica no caso de inadimplência de consumidores no Ambiente de Contratação Livre (ACL).

Pelo Artigo 4º da MP, em seu parágrafo primeiro, o encerramento da representação dos consumidores poderá ocorrer no caso de resilição do contrato, mediante declaração de vontade à prorrogação da representação, ou resolução em razão de inexecução contratual, ou seja, inadimplência. Em seu parágrafo segundo, a Medida diz que o encerramento da representação ensejará a suspensão do fornecimento de energia elétrica a todas as unidades consumidoras modeladas sob o comercializador varejista. É uma medida que traz segurança jurídica, sem dúvida.

A Exponencial Energia tornou-se a vigésima empresa habilitada a comercializar energia no mercado varejista

Mesmo antes de ter ideia de que a medida seria publicada, a Exponencial Energia, comercializadora do Grupo Witzler, se tornou varejista. Depois de muita luta, muito resultado feito para nossos clientes parceiros, muito trabalho, chegamos lá. A Exponencial cumpriu com todas as exigências para se tornar varejista, tanto em termos de operações e capital, quanto de conhecimento, lisura e crédito no mercado. Foi aprovada por unanimidade pelo Conselho de Administração da CCEE para se tornar varejista. Motivo de muito orgulho e alegria para nós.

Já acreditávamos no modelo de comercialização varejista. Com a MP e sua futura conversão em Lei, temos a convicção de que este modelo será o principal vetor de crescimento para o mercado livre. E nós, do Grupo Witzler Energia, estamos prontos para oferecer aos nosso clientes mais esta forma de migração para o Ambiente de Comercialização Livre.

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Energia Natural Afluente (ENA)[1]
Energia Natural Afluente; ENA
Figura 1 – Trajetórias de ENA para cada subsistema (Fonte: ONS)

Nos primeiros dias de setembro, notamos uma condição majoritariamente seca, com exceção do final de semana do feriado de 7 de setembro, quando tivemos chuvas no Sul, em especial em áreas da bacia do rio Jacuí.

Assim, notamos que todos os subsistemas seguem em tendência de queda em seus valores de ENA, a menos do Sul, pelas razões já citadas.

Na Figura 2, temos os valores de ENA verificados ao longo de 2020, sendo os valores de setembro referentes à revisão 1 do PMO. De junho para cá, há uma alteração material nas ENAs do Sul, subsistema o qual seguir em forte recessão no primeiro semestre de 2020. No Sudeste/Centro-Oeste, apenas tivemos valores acima da MLT em fevereiro e em março. No Nordeste, apenas nos meses de março e abril – contudo, foi o suficiente para uma recuperação excelente nos níveis de armazenamento da região.

Energia Natural Afluente; ENA, 2020
Figura 2 – Valores de ENA verificados nos meses de janeiro a setembro (RV1 do PMO neste último) (Fonte: ONS)

[1] Basicamente, a ENA corresponde à energia obtida quando a vazão natural afluente de um rio é turbinada nas usinas situadas a jusante, ou seja, rio-abaixo, a partir de um ponto de observação

Níveis de Armazenamento

A Figura 3 mostra as trajetórias de armazenamento em cada um dos subsistemas. Os níveis em destaque são os do dia 07/9/2020.

Nestes primeiros sete dias do mês, seguimos em trajetória majoritariamente descendente em todos os subsistemas. Contudo, no Sul tivemos a ocorrência de chuvas não tão volumosas no final de semana do feriado da Independência, mas que contribuíram para uma reversão na queda até então verificada.

Gráfico; níveis de armazenamento; Região Brasil
Figura 3 – Trajetórias dos níveis de armazenamento por subsistema (Fonte: ONS)
Carga
Gráficos; Trajetória das médias móveis de carga
Figura 4 – Trajetória das médias móveis de 30 dias da carga (Fonte: ONS / Exponencial)

Nos primeiros dias do mês de setembro, nota-se uma elevação da carga em relação ao mês anterior, e ao mesmo mês do ano de 2019, a qual pode ser vista na Tabela 1.

A flexibilização do isolamento social e a volta às atividades em diversos setores têm contribuído para um desempenho mais vigoroso da carga em relação ao que tivemos no início da pandemia. Como já comentado no Boletim anterior, após forte queda no consumo de energia nos meses de abril e maio, notamos uma tendência de recuperação no consumo de energia a partir de junho.

Tabela; Carga de Energia Brasil
Tabela 1 – Carga de energia – média de 30 dias (Fonte: ONS – Elaboração: Exponencial Energia)
Mercado

Com uma perspectiva de uma condição mais seca nos próximos dias, muito embora algumas previsões venham indicando uma possibilidade de chuvas no Sul e no Sudeste, os preços de mercado apresentaram uma oscilação positiva, com uma tendência de alta se formando ao longo dos primeiros dias de setembro.

Figura 5 – Curva de Preços de para Energia Convencional (Fonte: Grupo Witzler Energia)
Figura 6 – Curva de Preços de para Energia Incentivada (Fonte: Grupo Witzler Energia)

Os próximos meses são cruciais para a definição dos patamares de preços não apenas para os produtos com entrega ao longo de 2020, como também para os produtos de 2021. Para 2022 em diante, dependendo das condições hidrológicas nos próximos meses, o impacto pode ser maior ou menor.

PLDs médios 2020; Preço Energia Curto prazo
Figura 7 – PLDs médios verificados em 2020 – AGOSTO: média dos preços verificados até a semana de 08 a 14 (Fonte: CCEE)
Bandeiras Tarifárias

Como mais uma medida emergencial, frente ao cenário de pandemia da Covid-19, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) decidiu manter a bandeira verde acionada até 31/12/2020. O anúncio desta medida foi feito na Reunião Pública da Diretoria da ANEEL do último dia 26 de maio.

Bandeira Tarifária, Energia Elétrica

Meteorologia

Ao longo da primeira semana do mês de agosto, tivemos a configuração de um bloqueio atmosférico, o qual acabou impedindo o avanço de frentes frias pelo país. Com isso, não tivemos ocorrência de chuvas ao longo da maior parte do SIN e suas bacias de interesse.

Já na segunda semana do mês, houve o avanço de uma frente fria pelo estado do Rio Grande do Sul, a qual teve condições de gerar precipitações em parte das principais bacias do Sul. Na terceira semana, este sistema acabou ficando semi-estacionário sobre os estados de Santa Catarina e Paraná. Com isso, houve bons volumes de chuvas nas bacias dos rios Iguaçu, Paranapanema e Paraná. No final do mês, tivemos o acanço desta frente para o Sudeste, gerando precipitações nas bacias do Tietê e Paraíba do Sul.

Precipitação total em junho/2020; CPTEC
Figura 8 – Precipitação total em junho/2020 (Fonte: CPTEC)
Expectativas meteorológicas

Nos últimos dias, tivemos chuvas no Sul do Brasil, as quais atingiram, em maior parte, a bacia do rio Jacuí. No mapa a seguir, podemos verificar a precipitação acumulada entre os dias 3 e 7 de setembro:

Precipitação Acumulada Agosto; Chuvas
Figura 9 – Previsões meteorológicas resultantes do modelo GFS (Fonte: WXMaps)

Contudo, os volumes acumulados foram relativamente baixos, e ainda não dão uma resposta material em ENA, apesar de já indicarem possível reversão de tendência de queda, como pode ser visto no gráfico referente ao Sul na Figura 1.

Importante ressaltar que a previsão de precipitações do modelo GFS indica que pode haver uma continuidade das precipitações no Sul e, após o dia 16/9, em parte do SE/CO. Mas, vale comentar que não se esperam episódios de chuvas volumosas. No acumulado de 8 dias em cada período, não se esperam volumes acima de 70/80 mm nestas regiões.

Aas previsões do GFS (Global Forecast System, modelo de previsão de tempo produzido pelo National Center for Environmental Prediction – NCEP, dos EUA) de sua rodada mais recente são dadas na figura a seguir:

Global Forecast System; previsão de tempo; NCEP
Figura 10 – Previsões meteorológicas resultantes do modelo GFS (Fonte: WXMaps)

Conclusões

Historicamente, a entrada do período chuvoso no Sudeste/Centro-Oeste se dá ao longo dos meses de outubro e novembro. Eventuais atrasos de período chuvoso podem gerar fortes oscilações de preços.

Dessa forma, é importante monitorar as condições meteorológicas e seus impactos nos preços de energia ao longo dos próximos meses.

No momento, temos a atuação de um sistema de alta pressão, que traz uma condição mais seca no início de setembro. Nos últimos dias, já tivemos atuação de uma frente fria no Sul, a qual deve trazer chuva moderada ao longo da região. Contudo, os mapas ainda não mostram condições de chuvas tão favoráveis como as que vimos nos meses anteriores.

Com isso, apesar de termos oscilações, notamos uma tendência majoritária de alta nos preços dos produtos com entrega nos próximos meses de 2020. Caso haja alguma alteração nas condições de chuvas, tal tendência pode ser ratificada ou retificada pelo próprio comportamento do mercado.

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