Boletim Semanal de Energia de 19 a 25 de Setembro

EÓLICA

Destaques da Semana

Mercado livre contava com 8.105 consumidores ao final de agosto.

No final do mês de agosto, o mercado livre de energia atingiu a marca de 8.105 consumidores livres e especiais habilitados junto à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Tal montante representa um aumento de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, indicando que estamos em uma nova onda de migração para o ACL. A CCEE pontua, também, que nos oito primeiros meses de 2020, a média mensal de adesões mercado livre foi de 148 consumidores – valor mais elevado desde o ano de 2016, durante o qual houve uma forte onda de migração.

Segunda a Câmara, tais montantes são reflexo, principalmente, do crescimento de 16% de consumidores especiais – aqueles que possuem carga de 0,5MW a 2 MW, e só podem comprar energia incentivada. Já o número de consumidores livres – com carga acima dos 2MW – apresentou um crescimento de 8%.

No próprio mês de agosto, houve um forte aumento do número de processos em andamento para adesão ao mercado livre, de 46% na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram registrados 1.055 processos de migração, sendo a maior parte de consumidores especiais.

Fonte: CCEE

Consumo de energia cresce 2,5% na primeira metade de setembro.

De acordo com o boletim InfoMercado Quinzenal, divulgado pela CCEE, o consumo de energia no Brasil apresentou um aumento de 2,5% na primeira quinzena de setembro, quando comparado com o mesmo mês de 2019. Tal crescimento indica uma tendência de retomada das atividades econômicas no país. Contudo, é importante pontuar que houve forte elevação das temperaturas nas principais regiões do Brasil, o que impacta, também, o consumo de energia.

No Ambiente de Contratação Regulada – ACR, que reúne os consumidores cativos, o consumo manteve-se praticamente estável em setembro (+0,1%). Já no Ambiente de Contratação Livre – ACL, houve um avanço de 7,9%.

Fonte: CCEE.

Balanço Energético do Sistema Interligado Nacional (SIN)

Durante a semana operativa, os excedentes energéticos do Nordeste e Norte foram utilizados no Sudeste e Sul via intercâmbio. Com um volume relevante de geração eólica, o Nordeste se destaca por ser exportador de energia praticamente em todo o período seco.

Balanço energético; Energia; boletim
Figura 1 – Balanço Energético e intercâmbio de energia (Fonte: ONS)
Balanço energético; médio
Figura 2 – Balanço Energético (Fonte: ONS)

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

No decorrer desta semana operativa, observamos a continuidade da trajetória de queda nos níveis de armazenamento do SIN, já que não houve episódios de chuvas relevante nas principais bacias do Sistema.

Níveis de Armazenamento, regiões sul nordeste, norte e Sudeste Cento
Figura 3 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
reservatório SIN
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

A menos de alguma elevação mais pontual no Sudeste, tivemos os subsistemas em tendência majoritária de queda ao longo da semana. Importante observar que Sudeste e Sul estão com valores de ENA mais próximos dos mínimos atingidos nos últimos anos.

ENA; energia natural afluente
Figura 4 – Trajetórias dos níveis de Energia Natural Afluente por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente mensais
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para o PMO de outubro (Fonte: ONS)

As previsões do PMO de outubro/2020 indicam a possibilidade de termos Energia Natural Afluente (ENA) abaixo das médias de longo termo (MLT) em todos os subsistemas.

No Sudeste/Centro-Oeste, a expectativa da ENA mensal é de 68% da MLT. No Sul, as vazões devem resultar em um cenário de ENA de apenas 61% da média.

Outubro costuma ser o mês de transição para o período chuvoso. Por hora, podemos observar que, com as previsões de ENA abaixo dos valores históricos, espera-se um atraso no início do período de chuvas. Com isso, o impacto que temos no PLD é de uma forte alta.

De fato, pelos valores de PLD para a próxima semana, tal observação faz todo o sentido:

PLD, preço da energia
Figura 5 – PLDs para a primeira semana operativa de Outubro /2020 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

Notamos forte elevação da carga em relação ao mês de agosto, e também em relação a setembro de 2019. Além da retomada da atividade econômica no país, importante ressaltar que tivemos temperaturas acima da média ao longo deste mês em boa parte do país, exercendo pressão de alta no consumo de energia em função da utilização de equipamentos de climatização.

Carga de energia, brasil
Figura 6 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Mercado e Preços

Ao longo da semana, a expectativa de cenários de ENA mais baixos para outubro trouxe uma profunda tendência de alta nos preços de energia para entrega em 2020, impactando também os produtos para entrega em 2021.

Na atualização dos modelos climáticos observada na segunda-feira trouxe ao mercado uma enorme volatilidade nos produtos com entrega próxima. Para a visualização, abaixo foram apresentadas as médias de preços enviadas nos dias 21 e 22 de setembro pelas empresas aderentes a tomada de preços da curva forward da Witzler Energia.

energia convencional, preço
Figura 7 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Para o produto de 2022, nota-se uma leve tendência de alta, sendo este sinal praticamente nulo nos produtos de mais longo prazo para esta semana para os preços observados nesta semana.

energia incentivada, mercado livre de energia
Figura 8 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Com o consumo de energia em elevação, e as condições hidrológicas ainda depreciadas nesta transição do período seco para o período chuvoso, notamos uma forte tendência de alta nos preços de energia para produtos com entrega em 2020 e 2021.

No decorrer do mês de outubro, caso a situação não se reverta, podemos seguir com esta tendência. Importante ressaltar que estamos sob influência do fenômeno La Niña, o qual traz uma perspectiva de condições mais secas no Sul do Brasil. Para as demais regiões, espera-se condições mais favoráveis às chuvas no Nordeste e no Norte.

No Sudeste, o La Niña não traz uma condição tão definida, mas pode resultar em atraso do período de chuvas, a depender de sua intensidade e interação com demais fatores meteorológicos.

Escute agora o segundo episódio do Witzler Cast



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