Boletim Semanal de Energia de 16 a 22 de Janeiro

HIDROELETRICA_WITZLER_ENERGIA

Destaques da Semana

Com nova onda migratória de consumidores, CCEE cresce 19% em 2020

Apesar do ano passado ter sido marcado pelo impacto da pandemia na economia mundial, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em estudo recente, indicou uma elevação de 19% no número de seus associados em 2020, somando 10.734 agentes. Tal crescimento foi impulsionado pela nova onda migratória de consumidores para o mercado livre, a segunda maior já registrada, abaixo apenas de 2016.

Houve um total de 1.732 consumidores migrados do mercado regulado para o livre, sendo a grande maioria composta por consumidores especiais (1.618). Dessa forma, o número de consumidores especiais na CCEE aumentou 23%, chegando a um total de 7.556 agentes. O volume de consumidores livres teve evolução de 11%, chegando a 1.023.

A Câmara informa, ainda que houve um acréscimo de 66 novas comercializadoras, totalizando 397 (16% a mais que em 2019) e 155 produtores independentes de energia (aumento de 14,8%), com um total de 1.590 destes.

A CCEE fechou o ano com 26 comercializadores varejistas habilitados (dentre as quais, está a Exponencial Energia, comercializadora do Grupo Witzler). Outras 32 solicitações estão sob análise.

Fonte: CCEE.

2021: Novos temas estratégicos devem modernizar a comercialização de energia.

Com o objetivo de modernizar a comercialização de energia no Brasil, e adequar o mercado às necessidades dos agentes, a CCEE definiu cinco temas regulatórios prioritários para discussão com o mercado em 2021. Três deles continuam: Formação de Preço, Segurança de Mercado e Abertura de Mercado. Dois novos temas aparecem para o ano vigente: Mercado de Capacidade (alinhado às discussões sobre separação de lastro e energia, que seguem em andamento no Comitê de Implementação da Modernização, conduzido pelo Ministério de Minas e Energia) e Modernização do ACR (dentro do qual será estudada e proposta uma alternativa para modernizar os mecanismos de contratação, gestão e descontratação).

Fonte: CCEE.

Balanço Energético do Sistema Interligado Nacional (SIN)

Nesta semana operativa, o Nordeste foi responsável pela exportação de 3,4 GW médios, devido, principalmente, à sua geração eólica. Esta situação é evidente na Figura 1, que apresenta o balanço energético detalhado do SIN. O Norte também contribuiu com o SIN ao produzir além do necessário para suprir a sua carga. Por outro lado, a partir da análise da Figura 2 constata-se que Sul e Sudeste demandaram energia do SIN para suprirem suas demandas energéticas.

Figura 1 – Balanço Energético e intercâmbio de energia (Fonte: ONS)
Figura 2 – Balanço Energético (Fonte: ONS)

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

Conforme é possível observar na Figura 3, a principal mudança nos níveis de armazenamento é observada no Sul, com forte elevação notada nos últimos dias. Além disso, Nordeste, Norte e SE/CO apresentam níveis de armazenamento superiores aos de 2020. Contudo, neste último, temos uma trajetória muito similar à que tivemos em janeiro do ano passado.

A Tabela 1 apresenta as variações nos níveis de armazenamento em relação a 1 ano atrás, com variações diária e mensal, para cada subsistema e para o SIN como um todo.

Figura 3 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN – valores de 10/12 (Fonte: ONS)
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

Na Figura 4, podemos observar que as ENAs do SE/CO apresentam valores muito próximos aos de 2017 e maiores do que o registrado no ano anterior. Entretanto, é importante observar que ainda temos vazões bem abaixo da média histórica na região.

De modo semelhante ao que ocorre no SE/CO, verifica-se uma melhora de ENA em todos os demais subsistemas. A mais expressiva delas é observada no Sul, o qual passa a registrar montantes dentre os maiores dos últimos 10 anos.

Figura 4 – Trajetórias dos níveis de Energia Natural Afluente por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)

Na semana operativa de 16 a 22 de janeiro, notamos uma média de 215,56 R$/MWh, à mostra na Tabela 2. Este valor é um exemplo da queda expressiva nos valores horários dos PLDs que ocorreram em todos os submercados em relação à semana anterior, em que o PLD médio para o SE/CO foi de aproximadamente 306 R$/MWh. Tal queda ocorreu em razão da melhora não só nas expectativas de Energia Natural Afluente (ENA) no Sudeste e no Sul, bem como nos montantes de ENA que foram se verificando ao longo do período, com destaque para este último, já que tivemos chuvas expressivas nas bacias dos rios Iguaçu e Uruguai.

Tabela 2 – Preços horários médios, mínimos e máximos registrados por dia em cada submercado (Fonte: CCEE)

Os PLDs médios verificados no mês de janeiro/2021, até o dia 22, são dados na Figura 5.

Figura 5 – PLDs médios de janeiro, considerando os preços horários verificados até o dia 22/01/2021 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

Os valores médios de carga continuam altos em todos os subsistemas, como mostra a Figura 6. Nesta figura, observa-se, também, valores recordes no Nordeste e Norte. Apesar de um início de recorde de carga média, o SE/CO passa a presentar valores inferiores aos de 2019. Porém, é importante observar que esse nível médio de carga continua alto.

A Tabela 3 apresenta um aumento de nível médio de carga no SIN de 2% em relação ao ano passado.

Figura 6 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)
Tabela 3 – Acompanhamento da carga elétrica do SIN (Fonte: ONS)

Mercado e Preços

Com a forte queda no PLD na semana em curso, e uma expectativa de que os valores da próxima semana sigam em queda, o mercado operou em tendência predominante de baixa,especialmente para os produtos de janeiro a março/2021. Esta tendência pode ser observada na Figura 7 e na Figura 8.

Figura 7 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)
Figura 8 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Com o PLD horário dentro de uma média diária bem abaixo do que tivemos na semana passada, e uma expectativa de um cenário melhor em termos de ENAs para a semana que vem, a tendência de baixa nos preços de mercado vem se confirmando.

Apesar das ENAs bem abaixo da média no Sudeste, percebemos uma elevação expressiva das ENAs do Sul, bem como previsão de chuvas bastante significativas para este subsistema. Como resultado estas chuvas devem trazer uma condição bastante positiva para aquela região e para o SIN como um todo.



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