Boletim Mensal de Energia de Setembro de 2020

Gerador Eólico | Witzler Energia | Mercado Livre de Energia

Apresentação

A Comercialização Varejista

A regulamentação do comercializador varejista não é uma novidade no setor elétrico. Fruto de discussões no âmbito da Audiência Pública ANEEL 044, instaurada em junho de 2012, suas motivações foram mitigar o crescimento do número de agentes da CCEE, simplificar o processo de migração de consumidores com cargas pequenas, além de reduzir custos de entrada no mercado livre. Ou seja: a ideia básica era permitir uma operação no mercado livre mais simples, eficiente e barata.

Sem a figura do varejista, todo consumidor deveria necessariamente ser agente da CCEE. Com isso, o número de participantes do mercado já apresentava crescimento importante. Em termos operacionais, tal elevação e, consequentemente, o maior volume de operações na Câmara traria importantes desafios em termos de estrutura para sua gestão. Para uma empresa que não tenha uma área de energia, a migração impõe custos e exige conhecimento técnico específico. Por esta razão, muitas optam por empresas de gestão de energia – como a Witzler – para que consigam cumprir com as obrigações perante a CCEE e tenham uma operação no mercado livre que lhes assegure eficiência e economia.

Assim, a modalidade varejista fazia todo o sentido. A comercializadora, nesta modalidade, realizaria a modelagem de cargas diretamente em seu perfil. Com isso, ao invés de termos diversos consumidores como agentes da CCEE, ela passaria a “enxergar” apenas a carga do comercializador varejista. Com menos agentes no mercado, temos uma economia de escala, tanto em termos de investimentos em infraestrutura pela CCEE, quanto em custos operacionais para os consumidores representados. Para o varejista, ao invés de diversas operações de compra e venda, consegue-se, também, uma economia de escala através da compra de energia de um volume maior para atendimento aos seus consumidores.

Comercializadores Varejista de Energia

Este tipo de modelo já existe em outros países. Na Colômbia, por exemplo, consumidores livres só podem acessar o mercado através de comercializadores.

Muito interessante, bom para todos, e com modelos similares pelo mundo. Mas, o modelo varejista ainda “patina” no mercado. Atualmente (setembro de 2020), temos 367 comercializadoras e 1.641 geradores. Contudo, até o momento, temos apenas 25 empresas habilitadas nesta modalidade. O que aconteceu?

Mesmo estando com requisitos e procedimentos estabelecidos em regulamentação desde 2013, poucos comercializadores aderiram à comercialização varejista desde então. O principal fator para tanto é atribuído ao risco de inadimplência, totalmente por conta do varejista. Empresas que possuem gestão de energia conhecem os seus clientes de perto. São parceiros, entendem de suas necessidades, buscam soluções em conjunto, querem trazer economia e resultados. Esse é o nosso caso.

Mas, não é a realidade de muitas casas de comercialização. Imaginar-se assumindo uma inadimplência sem ter formas de desligar o consumidor e, consequentemente, arcar com seu prejuízo, fez com que poucas casas aderissem o modelo, o qual não engrenou como desejado até agora. Com isso, a modalidade ficou restrita a poucas empresas, poucas operações. E o número de agentes da CCEE foi crescendo cada vez mais, até atingir a marca de 10.000 em julho de 2020. De certa forma, o mercado até comemorou. Mas, nas entrelinhas, estamos sobrecarregando as estruturas em detrimento a termos uma forma mais simples, prática, eficiente e barata de se participar do mercado.

Proteção para o Comercializador Varejista

Houve até uma tentativa de tornar obrigatória a representação de consumidores por comercializadores varejistas. Em 2019, através da Consulta Pública 76, o Ministério de Minas e Energia tentou estabelecer a obrigatoriedade da representação para consumidores com carga de até 1 MW. Apenas 9% dos agentes de mercado foram favoráveis à proposta. Mais uma vez, uma das principais objeções pelo mercado foi a questão da inadimplência, inclusive compreendida com um problema pelo próprio MME. No final das contas, a proposta foi abandonada.

No início de setembro, o Governo trouxe um tratamento que deve contribuir para impulsionar a comercialização varejista, através da publicação da Medida Provisória 998/2020. Tal dispositivo tem como foco a contenção das tarifas de distribuidoras em função da crise atual, sobretudo algumas localizadas nas regiões Nordeste e Norte, com situação mais delicada. Contudo, traz, também, a possibilidade de suspensão do fornecimento de energia elétrica no caso de inadimplência de consumidores no Ambiente de Contratação Livre (ACL).

Pelo Artigo 4º da MP, em seu parágrafo primeiro, o encerramento da representação dos consumidores poderá ocorrer no caso de resilição do contrato, mediante declaração de vontade à prorrogação da representação, ou resolução em razão de inexecução contratual, ou seja, inadimplência. Em seu parágrafo segundo, a Medida diz que o encerramento da representação ensejará a suspensão do fornecimento de energia elétrica a todas as unidades consumidoras modeladas sob o comercializador varejista. É uma medida que traz segurança jurídica, sem dúvida.

A Exponencial Energia tornou-se a vigésima empresa habilitada a comercializar energia no mercado varejista

Mesmo antes de ter ideia de que a medida seria publicada, a Exponencial Energia, comercializadora do Grupo Witzler, se tornou varejista. Depois de muita luta, muito resultado feito para nossos clientes parceiros, muito trabalho, chegamos lá. A Exponencial cumpriu com todas as exigências para se tornar varejista, tanto em termos de operações e capital, quanto de conhecimento, lisura e crédito no mercado. Foi aprovada por unanimidade pelo Conselho de Administração da CCEE para se tornar varejista. Motivo de muito orgulho e alegria para nós.

Já acreditávamos no modelo de comercialização varejista. Com a MP e sua futura conversão em Lei, temos a convicção de que este modelo será o principal vetor de crescimento para o mercado livre. E nós, do Grupo Witzler Energia, estamos prontos para oferecer aos nosso clientes mais esta forma de migração para o Ambiente de Comercialização Livre.

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Energia Natural Afluente (ENA)[1]
Energia Natural Afluente; ENA
Figura 1 – Trajetórias de ENA para cada subsistema (Fonte: ONS)

Nos primeiros dias de setembro, notamos uma condição majoritariamente seca, com exceção do final de semana do feriado de 7 de setembro, quando tivemos chuvas no Sul, em especial em áreas da bacia do rio Jacuí.

Assim, notamos que todos os subsistemas seguem em tendência de queda em seus valores de ENA, a menos do Sul, pelas razões já citadas.

Na Figura 2, temos os valores de ENA verificados ao longo de 2020, sendo os valores de setembro referentes à revisão 1 do PMO. De junho para cá, há uma alteração material nas ENAs do Sul, subsistema o qual seguir em forte recessão no primeiro semestre de 2020. No Sudeste/Centro-Oeste, apenas tivemos valores acima da MLT em fevereiro e em março. No Nordeste, apenas nos meses de março e abril – contudo, foi o suficiente para uma recuperação excelente nos níveis de armazenamento da região.

Energia Natural Afluente; ENA, 2020
Figura 2 – Valores de ENA verificados nos meses de janeiro a setembro (RV1 do PMO neste último) (Fonte: ONS)

[1] Basicamente, a ENA corresponde à energia obtida quando a vazão natural afluente de um rio é turbinada nas usinas situadas a jusante, ou seja, rio-abaixo, a partir de um ponto de observação

Níveis de Armazenamento

A Figura 3 mostra as trajetórias de armazenamento em cada um dos subsistemas. Os níveis em destaque são os do dia 07/9/2020.

Nestes primeiros sete dias do mês, seguimos em trajetória majoritariamente descendente em todos os subsistemas. Contudo, no Sul tivemos a ocorrência de chuvas não tão volumosas no final de semana do feriado da Independência, mas que contribuíram para uma reversão na queda até então verificada.

Gráfico; níveis de armazenamento; Região Brasil
Figura 3 – Trajetórias dos níveis de armazenamento por subsistema (Fonte: ONS)
Carga
Gráficos; Trajetória das médias móveis de carga
Figura 4 – Trajetória das médias móveis de 30 dias da carga (Fonte: ONS / Exponencial)

Nos primeiros dias do mês de setembro, nota-se uma elevação da carga em relação ao mês anterior, e ao mesmo mês do ano de 2019, a qual pode ser vista na Tabela 1.

A flexibilização do isolamento social e a volta às atividades em diversos setores têm contribuído para um desempenho mais vigoroso da carga em relação ao que tivemos no início da pandemia. Como já comentado no Boletim anterior, após forte queda no consumo de energia nos meses de abril e maio, notamos uma tendência de recuperação no consumo de energia a partir de junho.

Tabela; Carga de Energia Brasil
Tabela 1 – Carga de energia – média de 30 dias (Fonte: ONS – Elaboração: Exponencial Energia)
Mercado

Com uma perspectiva de uma condição mais seca nos próximos dias, muito embora algumas previsões venham indicando uma possibilidade de chuvas no Sul e no Sudeste, os preços de mercado apresentaram uma oscilação positiva, com uma tendência de alta se formando ao longo dos primeiros dias de setembro.

Figura 5 – Curva de Preços de para Energia Convencional (Fonte: Grupo Witzler Energia)
Figura 6 – Curva de Preços de para Energia Incentivada (Fonte: Grupo Witzler Energia)

Os próximos meses são cruciais para a definição dos patamares de preços não apenas para os produtos com entrega ao longo de 2020, como também para os produtos de 2021. Para 2022 em diante, dependendo das condições hidrológicas nos próximos meses, o impacto pode ser maior ou menor.

PLDs médios 2020; Preço Energia Curto prazo
Figura 7 – PLDs médios verificados em 2020 – AGOSTO: média dos preços verificados até a semana de 08 a 14 (Fonte: CCEE)
Bandeiras Tarifárias

Como mais uma medida emergencial, frente ao cenário de pandemia da Covid-19, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) decidiu manter a bandeira verde acionada até 31/12/2020. O anúncio desta medida foi feito na Reunião Pública da Diretoria da ANEEL do último dia 26 de maio.

Bandeira Tarifária, Energia Elétrica

Meteorologia

Ao longo da primeira semana do mês de agosto, tivemos a configuração de um bloqueio atmosférico, o qual acabou impedindo o avanço de frentes frias pelo país. Com isso, não tivemos ocorrência de chuvas ao longo da maior parte do SIN e suas bacias de interesse.

Já na segunda semana do mês, houve o avanço de uma frente fria pelo estado do Rio Grande do Sul, a qual teve condições de gerar precipitações em parte das principais bacias do Sul. Na terceira semana, este sistema acabou ficando semi-estacionário sobre os estados de Santa Catarina e Paraná. Com isso, houve bons volumes de chuvas nas bacias dos rios Iguaçu, Paranapanema e Paraná. No final do mês, tivemos o acanço desta frente para o Sudeste, gerando precipitações nas bacias do Tietê e Paraíba do Sul.

Precipitação total em junho/2020; CPTEC
Figura 8 – Precipitação total em junho/2020 (Fonte: CPTEC)
Expectativas meteorológicas

Nos últimos dias, tivemos chuvas no Sul do Brasil, as quais atingiram, em maior parte, a bacia do rio Jacuí. No mapa a seguir, podemos verificar a precipitação acumulada entre os dias 3 e 7 de setembro:

Precipitação Acumulada Agosto; Chuvas
Figura 9 – Previsões meteorológicas resultantes do modelo GFS (Fonte: WXMaps)

Contudo, os volumes acumulados foram relativamente baixos, e ainda não dão uma resposta material em ENA, apesar de já indicarem possível reversão de tendência de queda, como pode ser visto no gráfico referente ao Sul na Figura 1.

Importante ressaltar que a previsão de precipitações do modelo GFS indica que pode haver uma continuidade das precipitações no Sul e, após o dia 16/9, em parte do SE/CO. Mas, vale comentar que não se esperam episódios de chuvas volumosas. No acumulado de 8 dias em cada período, não se esperam volumes acima de 70/80 mm nestas regiões.

Aas previsões do GFS (Global Forecast System, modelo de previsão de tempo produzido pelo National Center for Environmental Prediction – NCEP, dos EUA) de sua rodada mais recente são dadas na figura a seguir:

Global Forecast System; previsão de tempo; NCEP
Figura 10 – Previsões meteorológicas resultantes do modelo GFS (Fonte: WXMaps)

Conclusões

Historicamente, a entrada do período chuvoso no Sudeste/Centro-Oeste se dá ao longo dos meses de outubro e novembro. Eventuais atrasos de período chuvoso podem gerar fortes oscilações de preços.

Dessa forma, é importante monitorar as condições meteorológicas e seus impactos nos preços de energia ao longo dos próximos meses.

No momento, temos a atuação de um sistema de alta pressão, que traz uma condição mais seca no início de setembro. Nos últimos dias, já tivemos atuação de uma frente fria no Sul, a qual deve trazer chuva moderada ao longo da região. Contudo, os mapas ainda não mostram condições de chuvas tão favoráveis como as que vimos nos meses anteriores.

Com isso, apesar de termos oscilações, notamos uma tendência majoritária de alta nos preços dos produtos com entrega nos próximos meses de 2020. Caso haja alguma alteração nas condições de chuvas, tal tendência pode ser ratificada ou retificada pelo próprio comportamento do mercado.



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