Boletim Semanal da Energia 18 a 25 de Maio

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Destaques da Semana

Preço da energia no ACL deve incentivar migração de consumidores.

No evento Agenda Setorial 2020, realizado no último dia 21, foram discutidas questões conjunturais e estruturais referentes aos preços de energia no mercado livre, além das tarifas do mercado regulado. A organização do mesmo ficou a cargo do Grupo CanalEnergia-Informa Markets.

A forte redução de consumo causada pela pandemia da Covid-19 resultou em queda material dos preços no mercado. Patrick Hansen, sócio da consultoria Dcide, comentou que os contratos tiveram uma redução de cerca de 30%, conforme acompanhamento de sua consultoria feito através de uma curva forward de preços. A partir de 2022, contudo, não houve uma alteração tão sensível na curva, já que, no longo prazo, há menos volatilidade.

“Acho que este é um bom momento para o consumidor, um bom momento para se contratar no longo prazo”, disse Hansen no evento.

Por outro lado, a chamada Conta-Covid deve apresentar um impacto para o mercado regulado. Conforme Andrew Strofer, da América Energia, mesmo que os empréstimos para as distribuidoras tenham juros a taxas mais reduzidas do que aqueles contraídos na época da Conta ACR, em função da forte queda na SELIC, temos outros efeitos na tarifa, como a energia de Itaipu, cotada em dólares. Assim, devemos ter um forte impacto de elevação nas tarifas de energia das distribuidoras ao longo dos próximos anos.

Fonte: Canal Energia.

Sul vive pior histórico de vazões em 90 anos.

Conforme temos destacado em nossos Boletins Semanais, o subsistema Sul segue enfrentando uma estiagem bastante significativa desde o final do ano passado. A estimativa do ONS é que tenhamos as vazões médias mensais na região em apenas 12% da média histórica do mês.

No evento Agenda Setorial 2020, Márcio Oliveira, Diretor da Conmet Meteorologia, salientou que as incertezas em relação às previsões meteorológicas estão muito presentes. Contudo, acredita em uma tendência de termos uma leve melhora nas condições de chuvas na região. Ressaltou que, mesmo com eventos recentes de chuvas no Sul, a entrada de junho será com um déficit grande. Porém, acredita em condições melhores em julho, mês no qual, em sua visão, tende a ser mais favorável.

Outro participante do painel, Bruno Soares, da Ampere Consultoria, lembrou que a situação no Sul é a pior em 90 anos de medição. Segundo ele, a situação na região só não está mais pressionada pela redução material do consumo em decorrência da pandemia.

Fonte: Canal Energia.

Balanço Energético do Sistema Interligado Nacional (SIN)

Ao longo da semana operativa em curso, seguimos com uma política de operação focada no intercâmbio dos excedentes energéticos gerados no subsistema Norte para a região Sul, passando pelo Sudeste.

No Sul, praticamente 75% de sua carga média na semana operativa é atendida através de intercâmbio, dada sua condição hidrológica extrema.

Figura 1 – Balanço Energético e intercâmbio de energia (Fonte: ONS)
Figura 2 – Balanço Energético (Fonte:ONS)

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

Ao longo do mês de maio, o nível de armazenamento do Sudeste se encontra praticamente estável. No Sul, a queda se mantém em 0,6%, oscilando um pouco. Com a frente fria que se encontra na região, espera-se alguma melhora nesta situação. Mas ainda não devemos ter uma reversão do cenário, a qual demanda a ocorrência de um evento bem mais forte. Nordeste e Norte seguem com bons níveis de armazenamento, estando o primeiro com os maiores níveis registrados nos últimos dez anos.

Figura 3 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

Observando o comportamento da ENA ao longo do ano, percebe-se claramente um perfil de período seco nas ENAs de Sudeste, Nordeste e Norte, conforme já temos destacado em nossos Boletins.

Ainda não observamos uma mudança mais sensível das ENAs no Sul, apesar das fortes chuvas que vêm ocorrendo na região. Espera-se uma melhora nos próximos dias.

Figura 4 – Trajetórias dos níveis de armazenamento por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para a RV4 do PMO de Maio (Fonte: ONS)

Na Tabela 2, temos a comparação das previsões de ENA divulgadas para a revisão 4 do PMO de maio/2020, a qual abrange a semana operativa de 23 a 29/5, com as previsões que foram divulgadas para a semana em curso.

Tivemos nova queda nas expectativas de Energia Natural Afluente para os subsistemas Sudeste, Sul e Norte, ocasionando uma elevação nos PLDs médios de Sudeste e Sul em 16%.

No Nordeste e no Norte, seguimos no PLD mínimo regulatório ao longo de todo o mês, reflexo do grande excedente energético da região Norte, o qual é aproveitado integralmente pelos demais subsistemas (vide seção Balanço Energético). Contudo, como é atingido o limite de transmissão para Sudeste e Sul, há um descolamento de preços.

Tabela 3 – PLD da quinta semana operativa de Maio/2020 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

Nos gráficos abaixo, podemos verificar que o impacto da crise sanitária no consumo de energia tem sido material desde meados de março.

O desvio da carga em maio, considerando o mesmo mês do ano anterior, é de -11,3%.

Mercados e Preços

Conforme temos reportado em nossos Boletins, o mercado de energia tem apresentado uma forte queda nos preços de energia para o ano de 2020, além de 2021, conforme pode ser visto nos gráficos a seguir. Ao observamos os preços de 2022 em diante, não se percebe grande volatilidade, uma vez que a crise impacta, de forma mais intensa, os preços no curto prazo e, como muito, 2021. Isso ocorre pela perspectiva de desdobramentos mais severos na economia ao longo deste ano, com repercussão no próximo, e a influência destes no consumo de energia elétrica.

Figura 6 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Nesta semana, notamos uma oscilação mais sensível nos preços do mercado, iniciando com uma forte alta, perdendo força no decorrer da mesma. Isso ocorreu em função da entrada de uma forte frente fria no Sul do Brasil, trazendo chuvas significativas para a região.

Contudo, ainda não temos a quantificação deste cenário em termos de vazões e Energia Natural Afluente e, caso haja uma elevação razoável nas vazões, mesmo que ficando longe da média histórica, podemos ter uma manutenção ou mesmo alguma queda nos preços no início da semana. O cenário contrário também é verdadeiro, ou seja, caso haja uma frustração do efeito das chuvas nas ENAs, há risco de termos uma elevação dos preços.

Figura 7 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Importante destacar que já estamos verificando boas chuvas na região Sul. De qualquer forma, ainda não houve o reflexo destas nas vazões, mas espera-se que haja uma elevação sensível nos próximos dias.Houve uma elevação nos valores do PLD para a semana que vem, de 16% na média dos três patamares nos submercado Sudeste e Sul, refletindo uma queda na expectativa de vazões e, sobretudo, as péssimas condições hidrológicas da região Sul.

Os preços de mercado oscilaram no decorrer da semana, refletindo, no início desta, um maior receio de que as vazões seguissem extremamente baixas no Sul e, mais para o final, uma queda de preços em função da ocorrência de fortes chuvas na região, iniciadas no dia 21 de maio.

De qualquer forma, devemos monitorar se, de fato, haverá uma resposta mais contundente, ainda que abaixo da média, nas vazões sulistas. Uma frustração no cenário de ENAs pode levar a uma nova alta no mercado no curto prazo.



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