Boletim Semanal da Energia De 18 a 24 de Abril

Eletricidade | Witzler Energia | Mercado Livre de Energia

Destaques da Semana

1. BBCE terá comitê de supervisão e monitoramento de mercado.

O Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia Elétrica (BBCE) deu mais um passo em direção a negociação de derivativos de energia para o mercado. Adequando às exigências da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a BBCE criará um Comitê de Supervisão e Monitoramento do Mercado, visando atender às condicionantes para inserir estes novos produtos no mercado. Entretanto, segundo o artigo, ainda não há uma data definida para tanto.

Além disso, a BBCE deve preparar uma cartilha e alguns eventos tipo webinar sobre o tema, para disponibilizá-los ao mercado.

Fonte: Canal Energia

2. Aneel libera mais R$ 432 milhões para preservar a liquidez do setor elétrico.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) autorizou o uso de R$ 432,4 milhões, os quais são oriundos de sobras de encargos de transmissão de energia elétrica. O objetivo é aliviar o custo de energia para consumidores cativos e livres, justamente no horizonte de abril a junho. Esta é mais uma ação do regulador para poupar os consumidores de custos extraordinários decorrentes da pandemia de Covid-19, gerar liquidez no mercado e evitar inadimplência sistêmica sobre a cadeia no setor elétrico.

Fonte: Canal Energia.

3. Brasil ultrapassa marca de 5 GW em capacidade fotovoltaica

De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o Brasil ultrapassou a marca de 5 GW em potência operacional deste tipo de energia. O levantamento considera tanto usinas de grande porte quanto aquelas para geração distribuída.

As plantas de grande porte, com boa parte comercializadas em leilões regulados, já correspondem por cerca de 1,5% da matriz elétrica nacional.

Mesmo com um montante de 2,42 GWm de potência, a matéria destaca que a geração distribuída tem grande potencial para ser explorado, já que uma parcela muito reduzida dos consumidores (0,3%) a utilizam.

A Associação destaca, na matéria, que a geração dessas usinas possibilitou R$ 26,8 bilhões em novos investimentos privados para o país, gerando 130 mil empregos acumulados.

Fonte: Canal Energia.

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

1. Níveis de Armazenamento

Ao longo da semana em curso, apenas não houve elevação dos níveis de armazenamento do Sul. Mesmo com um cenário de recessão de vazões, especialmente no Sudeste e Nordeste, além de forte estiagem que ainda acomete os estados sulistas, a queda da carga contribui para que os reservatórios continuassem em ascensão.

Convém ressaltar que os níveis do subsistema Sul são os piores do histórico.

Gráfico nível de armazenamento
Figura 1 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
2. Energia Natural Afluente

Mesmo com vazões em recessão, conforme já mencionado, percebe-se, nos gráficos, que as ENAs de Sudeste e Nordeste ainda seguem com valores dentre os melhores dos últimos anos, sobretudo neste último subsistema. Seguimos verificando recordes negativos históricos no Sul.

Figura 2 – Trajetórias dos níveis de armazenamento por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)

Porém, tal região se beneficia do intercâmbio de energia com os demais subsistemas do SIN.

Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para o PMO de Maio (Fonte: ONS)

Na Tabela 2, temos as previsões iniciais de ENA para o PMO de maio/2020, as quais são utilizadas para o cálculo do PLD da próxima semana operativa. Verificamos a permanência da perspectiva de estiagem no Sul, além de valores abaixo da média histórica para Sudeste e Nordeste. Apenas no Norte continua com a expectativa de vazões acima da média.

Ainda assim, em função da queda material do consumo de energia na crise atual, devemos seguir com o PLD em seu mínimo histórico na próxima semana.

Tabela 3 – PLD da primeira semana operativa de Maio/2020 (Fonte: CCEE)
3. Carga de Energia

Nos gráficos abaixo, podemos verificar que, com as medidas restritivas necessárias para se tentar frear o avanço da COVID-19, temos verificado uma queda vertiginosa na carga no SIN. Tais medidas foram iniciadas em meados de março, e devem seguir ao longo do mês de maio, fazendo com que a perspectiva de consumo de energia continue em baixa significativa.

Figura 3 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Na média móvel de 30 dias, como temos nos gráficos acima, percebe-se que a carga está abaixo daquelas verificadas nos últimos cinco anos.

A maior queda de carga percentual é a do Sul, seguida pelo Sudeste. No total do SIN, até o momento, temos um desvio material de -13% em relação ao mês anterior.

Mercados e Preços

O mercado de energia tem apresentado uma forte queda para os preços de energia para o ano de 2020 nos últimos dois meses, conforme as curvas de preços de mercado abaixo. Tal cenário é reflexo do que temos visto na operação do sistema, e seus rebatimentos nas condições de Preços de Liquidação de Diferenças (PLD).

Figura 4 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Esperamos que, ao longo de maio, o PLD se mantenha em seu valor mínimo regulatório, a menos de alguma deterioração muito mais intensa que a esperada nos cenários de vazões, ou mesmo alguma alteração operativa que venha a impactar os preços.

Figura 5 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)
 

Na reunião do Programa Mensal de Operação Energética, realizada hoje (24/4), o Operador Nacional do Sistema destacou que, conforme já havia sido abordado na reunião do Plano da Operação Energética 2020-2024 (PEN 2020) na semana passada, já há tratativas com a ANEEL para a realização de uma revisão extraordinária na carga. Como tal fator exerce uma pressão de baixa no PLD, temos percebido o mercado reticente em operações, além de operar em um certo nível de suporte no preço de alguns produtos.

Considerações

Seguimos com expectativas de PLD no seu valor mínimo operativo na próxima semana. Provavelmente, tal condição deverá se manter ao longo de maio.

A partir do mês que vem, tal continuidade dependerá tanto do cenário hidrológico, sobretudo do Sul, quanto da ocorrência ou não de uma revisão extraordinária na carga. Tal possibilidade já foi aventada tanto pela EPE quanto pelo ONS. Contudo, há de se obter anuência da ANEEL.

De qualquer forma, conforme abordado, a expectativa de tal revisão já faz com que o mercado opere com uma certa cautela.



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