Boletim Semanal da Energia de 26 de Maio a 1 de Junho

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Destaques da Semana

  • Carga esperada para junho é 5,4% menor, aponta ONS.

De acordo com expectativa do Operador Nacional do Sistema (ONS), espera-se uma retração de 5,4% na carga para o mês de junho. Caso se confirme, será a quarta queda seguida no ano, desde o mês de março, início da pandemia.

Em março, em comparação ao mesmo mês do ano passado, houve um recuo de 0,6%. Contudo, em abril após o aprofundamento das medidas de isolamento social, o Operador indicou uma queda de 11,6%. Para maio, a previsão aponta para 10%, quando comparamos o mês de maio de 2019.

Considerando a queda esperada para o mês de junho na carga de cada subsistema, o ONS sinaliza uma redução de 7,5% no Sudeste – região de maior consumo do país. Nos demais, a queda deve ser de 4,3% no Norte, 2,4% no Nordeste e 1,8% no Sul.

Fonte: Canal Energia.

  • Empréstimo da Conta Covid pode chegar a R$ 16,1 bilhões.

A operação financeira para contratação de crédito para as distribuidoras de energia, que externam suas necessidades de caixa devido à forte redução do consumo e crescente inadimplência, por meio de empréstimos da chamada “Conta-Covid”, deve atingir o montante de R$ 16,1 bilhões. O valor leva em conta, adicionalmente, R$ 700 milhões destinados à cobertura de revisões tarifárias extraordinárias que seriam aplicadas em seis distribuidoras do Grupo Eletrobras.

A proposta da ANEEL de regulamentação do Decreto 10.350, através do qual foi criada a “Conta-Covid”, ficará disponível para Consulta Pública no site da Agência até dia 01/6/2020. Por ela, os recursos seriam limitados a R$ 15,4 bilhões.

Tais recurso serão contratados de um sindicato de bancos e utilizados na cobertura de déficits e antecipação de receitas das distribuidoras, justamente para evitar problemas de caixa nas empresas. Como o setor de distribuição é o primeiro elo da cadeia de pagamentos do setor elétrico, garante-se, ainda, a manutenção dos fluxos de pagamentos para as empresas de geração e de transmissão.

Fonte: Canal Energia.

Balanço Energético do Sistema Interligado Nacional (SIN)

Com ocorrência de chuvas ao longo da costa no Nordeste na semana operativa em curso, tivemos uma geração eólica bastante inferior ao que foi verificado na semana anterior. Com isso, houve um maior recebimento de energia desta região, oriunda do Norte. O Sul segue como principal importador de energia, o que não deve se alterar até que haja uma quebra de padrão do cenário de estiagem.

Figura 1 – Balanço Energético e intercâmbio de energia (Fonte: ONS)
Figura 2 – Balanço Energético (Fonte:ONS)

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

Durante a semana, o destaque foi a reversão da tendência de queda nos níveis de armazenamento do subsistema Sul. Com a ocorrência de uma frente fria no final de semana de 22 a 24/5, tivemos boas chuvas na região, contribuindo para uma elevação dos reservatórios. Contudo, a não continuidade desta situação faz com que tenhamos nova queda nas vazões de segunda passada (25/5) em diante.

Figura 3 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

De modo geral, as condições do SIN são melhores que as do ano passado. Infelizmente, ainda não houve uma resposta mais robusta das condições de chuvas no Sul. Apesar da última frente ter trazido boas chuvas, ainda é necessário um volume bem mais representativo.

Figura 4 – Trajetórias dos níveis de armazenamento por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para a RV0 do PMO de junho (Fonte: ONS)

Na Tabela 2, temos as previsões para o mês de junho, divulgadas no âmbito do Programa Mensal da Operação (PMO) para o mês de junho, realizadas pelo ONS.

Percebemos uma continuidade do cenário de vazões bastante baixas no Sul do Brasil. Conforme comentamos anteriormente, mesmo com a recente ocorrência de chuvas em bons volumes no Sul, não tivemos a continuidade das chuvas.

Dessa forma, os Preços de Liquidação de Diferenças (PLD) para a primeira semana operativa de junho (de 30/5 a 05/6) são dados na tabela a seguir. Como há grande excedente de energia no Norte, aproveitados totalmente tanto no Sudeste e Sul, como também no Nordeste, e o intercâmbio de energia de Norte e Nordeste para Sudeste atinge seu limite máximo, há um descolamento dos preços entre os submercados (denominação dada pela CCEE. No ONS, a denominação é subsistema).

 
Tabela 3 – PLDs para a primeira semana operativa de Junho /2020 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

O impacto da crise sanitária no consumo de energia tem sido material ao longo do ano, como pode ser visto nos gráficos ao lado. O SIN deve fechar o mês corrente com uma queda de 10% em relação a maio de 2019.

Figura 5 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Mercado e Preços

As oscilações vistas no curto prazo refletem as incertezas em relação à continuidade ou não da estiagem no Sul, que já perdura por meses, bem como de restrições e variáveis operativas, como limites de intercâmbio do Bipolo do Xingu, dividido em dois terminais de corrente contínua (Xingu-Estreito e Xingu-Terminal Rio), declarações de inflexibilidade de usinas térmicas, restrições de vazão defluente nas usinas do Sul, dentre outras. Em relação ao Bipolo, houve uma limitação de 8 GWm para 69 GWm nas cargas pesada e média, e de 8 GWm para 6.4 GWm na carga leve, para atendimento de critério de segurança operativa definido pelo ONS. Com a redução material de carga decorrente da crise atual, tivemos problemas de estabilidade e queda de frequência no Bipolo. Para evitar qualquer problema maior para o sistema, houve essa limitação. Lembrando que o Bipolo possibilita a transmissão da energia de Belo Monte para o SIN.

Figura 6 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Contudo, não se nota, ainda, um impacto mais sensível nos preços de longo prazo, em especial, dos produtos com início de entrega de 2022 em diante. Devemos seguir com uma certa estabilidade em tais preços no decorrer do ano, podendo ter alguma variação mais significativa à medida em que nos aproximarmos do próximo período chuvoso.

Figura 7 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Além das ENAs, várias outras variáveis e restrições operativas têm influenciado de forma material a formação do preço.Em função do cenário de vazões bastante abaixo da média no Sul, e de apenas 77% da média histórica para o Sudeste em junho, tivemos uma elevação do PLD médio para estes submercados na próxima semana operativa.

Em junho, algumas previsões meteorológicas indicam uma melhora nas condições climáticas para a ocorrência de chuvas na região Sul. Contudo, temos notado que há grande volatilidade em relação aos prováveis eventos – hora temos bons volumes sendo previstos, hora há um cenário mais “seco” em vista. Não só por uma questão de preço, mas as chuvas no Sul são bem-vindas principalmente por uma questão de atendimento de água e sanitário na região, sobretudo sob a conjuntura que estamos vivendo.

Todas essas incertezas levam a uma volatilidade nos preços no curto prazo, a qual não se reflete ainda, de forma mais intensa, nos preços de longo prazo.



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