Boletim Semanal da Energia de 28 de Abril a 4 de Maio

Geradores Eólicos

Destaques da Semana

1. Luiz Carlos Ciocchi é eleito novo diretor-geral do ONS.

O executivo teve seu nome aprovado por unanimidade na Assembleia Geral Ordinária do ONS, realizada no último dia 28 de abril. Era Diretor Presidente de Furnas, e tem passagens por empresas como EMAE, AES Brasil, AES Argentina, Ford e Queiroz Galvão. Seu mandato é para o quadriênio 2020-2024.

Além dele, foram eleitos Alexandre Zucarato, atualmente na Engie, como Diretor de Planejamento, e Marcelo Prais, do próprio ONS, como Diretor de TI, Relacionamento com os Agentes e Assuntos Regulatórios.

Fonte: Canal Energia.

2. Governo trabalha para fechar Conta-Covid em maio.

MME e ANEEL trabalham de modo intenso para regulamentar a MP 950/2020. A meta do Governo é publicar o Decreto e fechar o financiamento com o sindicato dos bancos. Tal financiamento terá por objetivo principal prover recursos para suportar a redução de receita das distribuidoras. A ideia do empréstimo é o de suavizar possíveis impactos tarifários em 2020. A administração da conta para recebimento e pagamento dos empréstimos, que está sendo chamada “Conta-COVID” no setor, será feita pela CCEE.

Fonte: Canal Energia.

3. Setor elétrico implementa novas medidas durante pandemia da COVID-19

A gerência executiva de Relacionamento com Agentes e Assuntos Regulatórios (RA/DTA) do ONS fez um levantamento recente das principais medidas adotadas no setor elétrico desde o início da pandemia no país. Dentre as principais medidas, destacam-se a implementação do Comitê Setorial de Crise, no âmbito do Ministério de Minas e Energia, para agilizar a tomada de decisão, a suspensão do corte de energia a unidades de serviços essenciais, além da postergação de leilões de energia, dada a dificuldade de se avaliar a real necessidade de expansão do setor após a pandemia e seus possíveis efeitos na economia brasileira e mundial.

Fonte: Operador Nacional do Sistema.

4. ONS defende revisão extraordinária da carga de 2020

O Operador Nacional do Sistema defendeu publicamente, no webinar Agenda Setorial, realizado em 30/4 pelo Grupo CanalEnergia, a revisão extraordinária da carga. A motivação para tanto é justificada, segundo Luiz Eduardo Barata, atual Diretor Geral do ONS, pela esperada retração do PIB, cujas previsões de algumas casas já chegam a -5% para 2020, além do próprio comportamento atual da carga. EPE faz coro ao Operador, também levantando o forte impacto que as medidas de combate à pandemia exercem sobre consumo e economia.

Fonte: Canal Energia.

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

1. Níveis de Armazenamento

Na semana em análise, podemos destacar a continuidade da evolução dos níveis de armazenamento dos subsistemas Nordeste e Norte, sendo que o primeiro se encontra prestes a atingir 90%, nível próximo aos maiores do histórico.

Já o Sul continua em uma situação bastante desfavorável, com redução de seus níveis.

Figura 1 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
2. Energia Natural Afluente (ENA)

Podemos verificar, nos gráficos abaixo, que já estamos em momento de queda nas vazões e, consequentemente, na ENA, o que é coerente com o início do período seco das regiões Sudeste, Nordeste e Norte. Ainda não há expectativa de reversão do cenário hidrológico desfavorável no Sul do Brasil.

Figura 2 – Trajetórias dos níveis de armazenamento por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para o a RV1 do PMO de Maio (Fonte: ONS)

Na Tabela 2, podemos ver uma comparação das novas previsões de ENA para a Revisão 1 do PMO de maio/2020, divulgadas pelo ONS, com aquelas realizadas na primeira semana operativa do mês de maio (25/4 a 01/5). Houve queda sensível na estimativa de ENA mensal no Sudeste (-1,9 GW médios) e Sul (-241 MW médios). Já no Nordeste e no Norte, houve um aumento na expectativa de ENAs. Com isso, houve descolamento de PLDs entre as regiões – os preços de Sudeste e Sul são mais altos do que os de Nordeste e Norte, estes ainda no PLD mínimo (R$ 39,68/MWh).

Tabela 3 – PLD da segunda semana operativa de Maio/2020 (Fonte: CCEE)
3. Carga de Energia

Nos gráficos abaixo, podemos verificar que, com as medidas restritivas necessárias para se tentar frear o avanço da COVID-19, temos verificado uma queda vertiginosa na carga no SIN. Tais medidas foram iniciadas em meados de março, e devem seguir ao longo do mês de maio, fazendo com que a perspectiva de consumo de energia continue em baixa significativa.

Figura 3 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Na média móvel de 30 dias, como temos nos gráficos acima, percebemos uma queda material da carga em relação aos anos anteriores em todos os subsistemas.

A maior queda de carga percentual é a do Sul, seguida pelo Sudeste. No total do SIN, até o dia 30/4, há uma queda de 14% em relação à carga do mês de março.

Mercado e Preços

O mercado de energia tem apresentado uma forte queda para os preços de energia para o ano de 2020 nos últimos dois meses, conforme as curvas de preços de mercado abaixo. Tal cenário é reflexo do que temos visto na operação do sistema, e seus rebatimentos nas condições de Preços de Liquidação de Diferenças (PLD).

Figura 4 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)
 

Com o PLD saindo do seu valor mínimo regulatório nos submercados Sudeste e Sul, notamos um movimento de alta mais concentrado no produto referente ao próprio mês de maio, além do produto junho/2020. Nos demais, não tivemos grandes modificações. A perspectiva da divulgação de uma revisão extraordinária das previsões de carga para o período de 2020 a 2024 (horizonte de simulação do modelo NEWAVE, utilizado para cálculo dos PLDs) faz com que o mercado siga reticente em iniciar um movimento de alta mais pronunciado, mesmo com a situação hidrológica crítica que estamos vivendo no Sul do país.

Figura 5 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Houve elevação do PLD nos submercados Sudeste e Sul, a qual teve como principal causa a queda nas perspectivas de vazões em tais regiões, bem com o consequente nível de armazenamento mais baixo do que previsto na semana anterior em ambas.

Mesmo assim, não percebemos um movimento de alta nos preços do mercado para transações de médio / longo prazo, já que temos a perspectiva de uma revisão extraordinária de carga, que pode ser divulgada para uso já em junho ou em julho. Inclusive, como mencionado na seção “Destaques da Semana”, o próprio ONS, além da EPE, já se pronunciaram publicamente favoráveis a tal revisão. Além das motivações acerca do consumo de energia atualmente observado e expectativa de queda mais intensa do PIB do Brasil em 2020, a revisão extraordinária faria com que a operação do sistema considerasse uma carga mais próxima à realidade. Lembrando que a previsão de carga de energia impacta não só a formação de preços, como também a expectativa da necessidade de contratação das empresas de distribuição nos leilões de energia.



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