Boletim Semanal de 11 a 17 de Maio

Painéis Solares e Geradores Eólicos

Destaques da Semana

  • Pandemia pode trazer perdas de R$ 17 bilhões para distribuição em 2020.

No webinar “Agenda Setorial 2020 – O impacto da Covid-19 no setor e as sugestões dos agentes para mitigação dos impactos”, realizado na última quinta-feira, dia 07, o presidente da ABRADEE (Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia) Marcos Madureira comentou que a inadimplência enfrentada pelas empresas está em 15% (contra uma média histórica de 3%). Como primeiro elo da cadeia de pagamentos do setor, as distribuidoras têm recebido atenção especial do Governo e da ANEEL, os quais trabalham na criação de mecanismos que mitiguem impactos financeiros nestas empresas. A chamada “Conta-Covid” será fruto de um decreto, o qual regulamentará a MP 950, e deverá ser divulgado em meados de maio, definindo suas regras. O objetivo é injetar liquidez no caixa das empresas para lidar com a crise.

Fonte: Canal Energia.

  • Restrições para combater COVID-19 fazem consumo de energia cair 13% em abril.

Estudo recente da CCEE mostra que, em abril, houve uma queda de consumo de energia de 13%, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Tal situação refletiu a diminuição das atividades comerciais e industriais ocorridas no país em decorrência das medidas para combate à pandemia da Covid-19.

Os dados ainda são preliminares, mas já apontam para um impacto de -14% no mercado livre, e um pouco menor, -13%, no mercado regulado, já que o consumo residencial teve uma continuidade. A CCEE também levantou a queda de consumo por ramo de atividade. Os setores de veículos e têxtil tiveram as quedas percentuais mais expressivas, de 66% e 47%. De modo oposto, os setores de alimentos e saneamento tiveram aumento de consumo, de 4% e 24%, respectivamente.

Fonte: Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

  • CCEE, ONS e EPE propõem revisão extraordinária da carga à Aneel

Em função da queda de consumo na faixa dos 13%, além do fato de que as previsões de PIB desde meados de março têm se deteriorado bastante, ONS, EPE e CCEE decidiram solicitar à ANEEL autorização para realizar uma revisão extraordinária das previsões de carga para fins de planejamento e operação do Sistema Interligado Nacional, além da formação do PLD.

Na primeira revisão, feita em abril, o PIB considerado para 2020 era de 0%. Contudo, previsões mais atualizadas de bancos, casas de research e o próprio Banco Central, através de seu relatório Focus, já mostram estimativas em torno de -3% a -5%. A revisão extraordinária, segundo Rui Altieri, Presidente do Conselho de Administração da CCEE, deverá ser aplicada a partir de julho.

Fonte: Canal Energia.

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

1. Níveis de Armazenamento

Ao longo da semana em análise, tivemos praticamente uma continuidade dos níveis de armazenamentos do Sudeste/Centro-Oeste. Nordeste e Norte seguem com ascensão nos seus níveis. Já no Sul, temos os piores valores do histórico – inclusive, fechando a semana já abaixo dos 15%.

Figura 1 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
2. Energia Natural Afluente (ENA)

Seguimos com uma tendência bem definida nos subsistemas. No SE/CO, já estamos em pleno período seco, o que se reflete na queda contínua nos valores de ENA.

No Sul, infelizmente não houve alteração na situação hidrológica bastante desfavorável, que já perdura há meses.

Nordeste e Norte mostram escoamento de vazões, mas com níveis dentre os maiores do histórico.

Figura 2 – Trajetórias dos níveis de armazenamento por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para a RV2 do PMO de Maio (Fonte: ONS)

Na Tabela 2, temos a comparação das previsões de ENA divulgadas para a revisão 2 do PMO de maio/2020, a qual abrange a semana operativa de 09 a 15/5, com as previsões que foram divulgadas para a semana em curso. Apenas no Nordeste não houve queda nas expectativas de ENA. Consequentemente, os PLDs divulgados pela CCEE, na Tabela 3, subiram 14% no seu valor médio nos submercados SE/CO e Sul.

Já Nordeste e Norte seguem no seu valor mínimo regulatório (R$ 39,68/MWh) em todos os patamares de carga, por estarem em uma condição hidrológica mais favorável, além de transmitir energia para as demais no limite da capacidade de intercâmbio nos principais troncos de transmissão. Justamente quando há o intercâmbio máximo de energia de um ou mais subsistemas do SIN para os demais, temos o chamado “descolamento do PLD” entre regiões.

Tabela 3 – PLD da segunda semana operativa de Maio/2020 (Fonte: CCEE)
3. Carga de Energia

Nos gráficos abaixo, podemos verificar que, com as medidas restritivas necessárias para se tentar frear o avanço da COVID-19, há uma queda acentuada da carga no SIN como um todo desde meados para o final do mês de março. Na média móvel de 30 dias, percebemos uma queda material da carga em relação aos anos anteriores em todos os subsistemas. No ano, temos uma queda de 13,2% na carga do SIN, representando cerca de 8,5 GWm, valor bastante expressivo e que impacta de forma material os PLDs. Caso não estivéssemos nessas condições, certamente os valores de PLD estariam significativamente mais elevados.

Figura 3 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Conforme temos reportado em nossos Boletins, o mercado de energia tem apresentado uma forte queda nos preços de energia para o ano de 2020, além de 2021, conforme pode ser visto nos gráficos a seguir. Interessante, contudo, notar que os produtos de mais longo prazo não têm sofrido variações significativas.

Figura 4 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

De forma análoga ao que aconteceu na semana anterior, a saída do PLD do seu valor mínimo regulatório nos submercados Sudeste e Sul causa volatilidade no produto referente ao próprio mês de maio, e alguma volatilidade mais sensível também no produto junho/2020. Nos demais, ainda não se nota uma mudança material, já que o mercado ainda espera a divulgação da revisão extraordinária das previsões de carga para o período de 2020 a 2024 (horizonte de simulação do modelo NEWAVE, utilizado para cálculo dos PLDs), já solicitada para a ANEEL por ONS, EPE e CCEE.

Figura 5 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Ao longo da semana, nossa expectativa era de uma elevação no PLD dos submercados Sudeste e Sul para a próxima semana operativa, o que se confirmou.

Como houve nova queda nas expectativas de Energia Natural Afluente para todos os subsistemas, exceto no Nordeste, o aumento de 14% na média dos PLDs dos submercados citados faz sentido. Nordeste e Norte seguem no chamado “piso”, R$ 39,68/MWh

Ainda não temos nenhum indicativo firme de mudança significativa nas condições hidrológicas e de chuvas no Sul.

O impacto na queda de consumo é material para a formação de preços. Como a continuidade das medidas de restrição de circulação de pessoas para combate à pandemia da Covid-19 ainda seguem no país, devemos continuar a verificar um consumo de energia bastante reduzido, e bem inferior ao que era previsto antes do início da pandemia.

Em função disso e, consequentemente, da queda constante nas expectativas de PIB e retomada da economia para 2020, ONS, EPE e CCEE já solicitaram à ANEEL uma revisão extraordinária nas projeções de carga do SIN para fins de planejamento, operação e formação de preços. Como tal fato era esperado pelo mercado, mesmo com condições de ENA bem abaixo da média no Sudeste e, sobretudo, no Sul, não se percebe uma elevação dos preços para transações de energia ao longo de 2020 e, até mesmo, 2021.

Após a divulgação dos novos valores de carga, o mercado deverá ratificar ou retificar a sua precificação.



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