Boletim Semanal de Energia de 14 a 20 de Novembro

USINA TERMICA WITZLER

Destaques da Semana

Terceiro trimestre foi o primeiro do ano a registrar alta no consumo de energia.

Conforme o boletim InfoMercado da CCEE. o consumo de energia elétrica cresceu quase 2% no terceiro trimestre, em comparação aos mesmos meses do ano passado. Os dados consolidados pela Câmara de julho a setembro mostram que tal período foi o primeiro em 2020 com elevação do consumo em relação a 2019. Contudo, ainda se espera um cenário anual de queda, com redução de 2,9% em comparação com o ano passado.

Houve retomada em quase todos os ramos de atividade no mercado livre, exceto nos segmentos de veículos (-8,7%), transportes (-7,9%) e extração de minerais metálicos (-0,7%). Fortes elevações de consumo foram registradas nos setores de saneamento (32%), comércio (19,9%) e bebidas (14,8%).

Fonte: CCEE.

Comitê mantém térmicas para preservar reservatórios.

Como ainda seguimos com níveis de reservatórios bastante reduzidos nas principais bacias integrantes do Sistema Interligado Nacional (SIN), o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) decidiu por manter o despacho térmico elevado, além da importação de energia de Argentina e Uruguai.

O CMSE analisou, também, algumas outras medidas adicionais, como reprogramação de manutenções em usinas, elevação da disponibilidade de combustível para termelétricas, além da avaliação da possibilidade de flexibilizar algumas restrições hidráulicas existentes.

Uma das restrições avaliadas é a da usina de Furnas. Suas regras de operação preconizam que, quando a usina estiver com cota abaixo de 756 metros, deve operar “a fio d’água”, ou seja, trava-se sua vazão para evitar o esvaziamento do reservatório. Em contrapartida, há uma perda de 3.300 MW médios. Porém, para garantir o suprimento de energia, o Comitê decidiu que faz sentido autorizar a operação da usina abaixo de cota citada.

Fonte: CanalEnergia.

Balanço Energético do Sistema Interligado Nacional (SIN)

Em termos de política operativa, não houve alteração significativa. Com baixas vazões neste início de período chuvoso, há a prerrogativa de se aproveitar ao máximo os excedentes energéticos de Nordeste e Norte. Além disso, temos um montante significativo de importação de energia de Argentina e Uruguai.

Balanço energético; Energia; boletim
Figura 1 – Balanço Energético e intercâmbio de energia (Fonte: ONS)
Balanço energético; médio
Figura 2 – Balanço Energético (Fonte: ONS)

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

No subsistema Sul, temos os recordes mínimos históricos de armazenamento sendo registrados ao longo dos últimos meses. No Sudeste, temos uma diferença de apenas 0,3% em relação ao ano passado. Norte e, especialmente, Nordeste, se encontram com níveis maiores que os registrados na mesma época em 2019.

Níveis de Armazenamento, regiões sul nordeste, norte e Sudeste Cento
Figura 3 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN – valores de 23/11 (Fonte: ONS)
reservatório SIN
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

As maiores elevações de ENA observadas foram registradas no Nordeste. Norte e Sudeste tiveram aumento de vazões, contudo, ainda em montantes bastante baixos para a época do ano. No Sul, seguimos com recordes mínimos históricos. Ainda não tivemos episódios de chuvas suficientes para alterar a condição mais seca que verificamos no SIN.

ENA; energia natural afluente
Figura 4 – Trajetórias dos níveis de Energia Natural Afluente por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente mensais
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para a quarta semana operativa do PMO de novembro (Fonte: ONS)

Conforme nossa expectativa, tivemos os valores de Sudeste, Sul e Norte no valor máximo regulatório. Tivemos forte queda na expectativa de ENAs para o Sul no mês de novembro. Na semana passada, houve uma atualização para um valor referente a 35% da média histórica deste subsistema como ENA média do mês. Contudo, com a frustração das chuvas esperadas pelo ONS, a nova previsão atualizou o cenário para apenas 21% da média, com uma queda de 1.319 MW médios.

Assim, tivemos os PLDs de Sudeste, Sul e Norte no “teto” novamente..

Os PLDs médios divulgados pela CCEE para a quarta semana operativa de novembro são dados na Figura 5:

PLD, preço da energia
Figura 5 – PLDs para a terceira semana operativa de Novembro /2020 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

Em relação ao mês de outubro, temos queda na carga no mês de novembro. Contudo, ao compararmos com novembro de 2019, há uma pequena elevação de menos de 1%.

Os valores verificados de carga estão próximos aos do ano passado, a menos dos primeiros dias do mês, quando tivemos temperaturas abaixo da média em grande parte das regiões Sudeste e Sul.

Carga de energia, brasil
Figura 6 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Mercado e Preços

Como ainda não tivemos chuvas suficientes para uma alteração do cenário neste início de período chuvoso, o mercado segue em tendência de alta nos preços para os produtos de 2020 e 2021 – apesar de já sentirmos elevação, também, em alguns produtos de mais longo prazo.

Sem uma alteração significativa nas condições hidrológicas e, especialmente, de precipitação no SIN, não vemos uma alteração desta tendência.

energia convencional, preço
Figura 7 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)
energia incentivada, mercado livre de energia
Figura 8 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Mesmo com alguns episódios de chuvas no Sudeste e, especialmente, Nordeste e Norte, não tivemos volumes acumulados significativos para que houvesse uma alteração no cenário, até então, mais seco neste início de período chuvoso.

Novamente, temos os PLDs no seu valor máximo regulatório no Sudeste, Sul e Norte. A menos que tenhamos mudanças materiais nas condições climatológicas, não vemos uma guinada da tendência de preços mais elevados.



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