Boletim Semanal de Energia de 16 a 22 de Junho

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Destaques da Semana

BBCE recebe aval para ofertar derivativos de energia elétrica.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou, na última terça-feira, 16/6, de forma unânime, o funcionamento do Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE) como administrador de mercado organizado de valores mobiliários. O contrato de derivativo de energia deverá ser negociado a partir de agosto próximo.

Em julho, está previsto a abertura da plataforma de negociação de derivativos pela BBCE, para que o mercado conheça o sistema. São previstos, também, eventos educacionais para promover este novo produto, bem como sua tributação e funcionamento da plataforma de modo geral.

Importante ressaltar que derivativos são contratos financeiros que derivam de um ativo. Por exemplo, no mercado financeiro, temos as opções, que derivam de ações. São muito utilizados no mercado financeiro como mecanismos de proteção aos riscos de exposição a preços. Os derivativos poderão ser negociados tanto por agentes do mercado livre, como também por bancos e fundo de investimento.

Fonte: Canal Energia.

Divergências de interpretação adiam regulamentação da Conta Covid.

Divergências entre diretores da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) adiaram a decisão sobre a regulamentação do empréstimo da Conta Covid, o qual tem por objetivo reforçar o caixa das distribuidoras, primeiro elo na cadeia de pagamentos do setor elétrico. Tais divergências se concentraram em pontos relacionados ao uso da operação financeira para reduzir os impactos de revisões tarifárias previstas para 2020 e ao reequilíbrio econômico das distribuidoras, que não tem relação com a contratação do crédito emergencial.

O limite de contratação da Conta Covid foi estabelecido em R$ 16,25 bilhões pela diretora relatora, Elisa Bastos Silva. Porém, este não considerou a antecipação de receita sugerida pelo diretor Sandoval Feitosa, o qual beneficiaria distribuidoras que passarão por revisões tarifárias até o fim do ano corrente.

Além disso, outro diretor da ANEEL, Efrain Cruz, também reforçou as críticas pela não inclusão da proposta no cálculo final da Conta Covid. O ponto mais polêmico, porém, para os dois diretores, foi a decisão da relatora de atender parcialmente o pleito das distribuidoras, ao permitir a contabilização nos balanços financeiros de ativos regulatórios relacionados aos impactos da pandemia. A proposta inicial defendida por Elisa Bastos era de discutir o reequilíbrio em fase posterior da consulta pública, a ser aberta pela agência.

Fonte: Canal Energia.

Balanço Energético do Sistema Interligado Nacional (SIN)

Com a melhora das condições hidrológicas no Sul, este subsistema foi menos dependente do intercâmbio dos demais. Tal recurso era responsável por 75% da carga do Sul na semana anterior. Agora, responde por 35%.

No Nordeste, a geração eólica tem sido bastante relevante no atendimento não só da própria região, como também para envio ao Sudeste e Sul. A energia dos ventos corresponde a 70% da carga do NE.

Mercado Livre de Energia; balanço energético
Figura 1 – Balanço Energético e intercâmbio de energia (Fonte: ONS)
Valores médios; balanço energético; SIN
Figura 2 – Balanço Energético (Fonte:ONS)

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

Em primeiro lugar destacamos a boa recuperação nos níveis de armazenamento da região Sul. Após um longo período de estiagem, tivemos bons volumes de chuvas entre os dias 05 e 15/6, contribuindo para uma elevação significativa nas vazões da região. Sudeste e Nordeste tiveram queda nos seus níveis de armazenamento, coerente com o período seco.

Níveis de Armazenamento; Sistema Interligado Nacional; Energia Mercado Livre
Figura 3 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Níveis de Armazenamento das regiões Sudeste, Sul, Nordeste, Norte e SIN
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

Anteriormente, já destacamos o Sul, com uma grande recuperação nos seus níveis de ENA. Mesmo, agora, com uma queda das vazões, em função da ausência de chuvas na semana em curso, o subsistema sai dos piores níveis da história para valores relativamente bons. No Sudeste, destacamos a tendência da região seguir com ENAs próximas ao ano de 2018.

ENA; Energia Natural Afluente; Trajetórias dos níveis ENA
Figura 4 – Trajetórias dos níveis de Energia Natural Afluente por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Previsões Mensais ENA; PLD; nota-se uma elevação material na expectativa do Sul
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para a RV3 do PMO de junho (Fonte: ONS)

De acordo com a Tabela 2, temos as previsões de ENA para a semana operativa de 20 a 26 de junho. Para a próxima semana, nota-se uma elevação material na expectativa do Sul. Diferentemente da revisão 2, houve, desta vez, a contabilização da forte elevação já ocorrida nas vazões deste subsistema.

Os Preços de Liquidação de Diferenças (PLD) para a próxima semana operativa são dados na tabela a seguir. Novamente, Nordeste e Norte seguem com preços mais baixos do que os demais submercado, já que contam com as melhores condições de armazenamento do SIN e grandes excedentes energéticos. Sudeste e Sul tiveram queda de 8% no PLD médio, em relação a semana anterior, em função da já destacada melhora nas condições hidrológicas do Sul, e, consequentemente, melhores níveis de armazenamento realizados em comparação com as previsões da revisão anterior do PMO.

PLD; Mercado Livre de Energia; Junho de 2020
Tabela 3 – PLDs para a terceira semana operativa de Junho /2020 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

O impacto da crise sanitária no consumo de energia tem sido material ao longo do ano, como pode ser visto nos gráficos ao lado. Frente ao mês de maio, temos uma elevação de 1,6% na carga do SIN.

Contudo, ao observarmos o mês de junho de 2019, há uma queda de quase 7,5% na carga, reflexo do forte impacto das medidas de isolamento social na economia.

mês de junho; Carga de Energia; isolamento social
Figura 5 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Mercado e Preços

Nesta semana, com a realização de boas chuvas no Sul, e continuidade de previsões de chuvas para a próxima semana não só no Sul, como também em algumas bacias do Sudeste, o mercado seguiu em tendência de baixa, especialmente para os produtos com entrega em 2020.

Mercado de Energia; Mercado Livre de Energia; Energia convencional
Figura 6 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Para 2021, houve uma certa manutenção, com leve tendência de queda, nos preços, acompanhando a tendência do curto prazo, porém, com muito menos volatilidade. Como já temos destacado em nossos boletins, para produtos de mais longo prazo, com início de entrega de 2022 em diante, não temos grandes oscilações das cotações. Ao longo dos próximos meses, a depender da expectativa em relação ao início do período chuvoso, ademais das condições hidrológicas no próximo semestre, poderemos notar algum efeito mais sensível nos preços dos produtos com entrega, especialmente, em 2021.

Figura 7 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

O destaque neste Boletim acabou sendo a melhora nas condições hidrológicas do Sul. Mesmo que não tenha havido, até agora, uma continuidade das chuvas na região, os elevados volumes de precipitações ocorridos do meio para o final da semana anterior mudam bastante, por hora, o panorama operativo da região.

Previsões meteorológicas têm oscilado em relação à continuidade das chuvas nos estados sulistas. Entretanto, não se vislumbra, até o momento, um cenário seco, a ponto de termos as vazões do Sul recuando para valores extremamente baixos, como os que vimos ao longo da primeira quinzena, e parte da segunda quinzena, do mês de maio último.

Mesmo com oscilações nos preços de curto prazo, volatilidade que é mais comemorada (ou não) entre os traders de energia, para o longo prazo, as cotações de preços de energia têm mostrado uma maior estabilidade, não esboçando tendência de elevação. Ou seja, o cenário atual é interessante para aquisições de energia para este tipo de produto. Corroboram para tal afirmação a forte queda no consumo de energia, em função das medidas de isolamento social para combate à pandemia, e a expectativa de uma retomada mais lenta do que se esperava no início da crise.

Sem dúvida, nossas melhores vibrações são para que todos tenham boa saúde, que passemos por esta situação em segurança, e que logo possamos olhar nos olhos de nossos clientes, apertar-lhes as mãos e fazer ótimos negócios. Mas, na crise, surgem boas oportunidades, as quais podem nos deixar ainda mais fortes, com custos mais reduzidos e controlados, prontos para o mundo pós-Covid. Cuidem-se, e não deixem de nos consultar para aproveitar as melhores oportunidades do mercado livre.



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