Boletim Semanal de Energia de 21 a 27 de Novembro

HIDROELÉTRICA WITZLER

Destaques da Semana

Estudo aponta ampla disponibilidade de lastro de energia incentivada no ACL em 2021.

No último dia 27/11, a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) divulgou a oitava edição do estudo sobre a disponibilidade de lastro de energia incentivada. Tal lastro é utilizado para atendimento à demanda dos consumidores especiais. Segundo a Câmara, espera-se uma sobra de 1.085 MW médios deste tipo de energia para o ano de 2021.

Conforme levantamento da CCEE, foi feito um balanço dos dados da migração de unidades consumidoras especiais até o mês de junho de 2020. Em comparação com janeiro deste ano, tivemos um aumento de 1.739 unidades, com o mês de junho terminando com um total de 15.139. Contudo, com o impacto da pandemia, não foi notado um aumento de carga total tão significativa com este aumento no número de unidades consumidoras. O incremento médio mensal no consumo de janeiro a junho de 2020 foi de apenas 54 MW médios.

Porém, apesar do pequeno crescimento do consumo em 2020, é notório o aumento da capacidade do parque gerador de energia incentivada. Espera-se que até dezembro de 2021 haja uma elevação de 1.237 MW médios. De acordo com o gerente executivo de Segurança de Mercado e Informações da CCEE, Carlos Dornellas, o montante ofertado pode ser ainda maior, caso tenhamos antecipações de entrada em operação de alguns projetos para o mercado livre.

Ademais, é importante salientar que a oferta de lastro de energia incentivada para 2021 pode ser ampliada a partir de janeiro de 2021, já que os consumidores especiais com demanda entre 1,5 MW e 2 MW se tornarão livres, podendo comprar qualquer tipo de energia, não se atendo somente à energia incentivada. A CCEE estima que o potencial de energia liberada em relação a esta mudança é de 559 MW médios.

O estudo da CCEE está disponível no seguinte endereço: https://www.ccee.org.br/ccee/documentos/CCEE_659486

Fonte: CCEE.

Balanço Energético do Sistema Interligado Nacional (SIN)

Primeiramente, com um volume ainda relevante de geração eólica, o Nordeste se mantém como franco exportador de energia para os demais subsistemas do SIN. O Norte também conta com sobras, apesar de ainda contar com vazões abaixo da sua média histórica.

Com uma forte estiagem, o Sul conta com uma necessidade relevante de importação de energia, atendida pelos excedentes das demais regiões, e importação de Uruguai e Argentina.

Figura 1 – Balanço Energético e intercâmbio de energia (Fonte: ONS)
Figura 2 – Balanço Energético (Fonte: ONS)

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

Seguimos com níveis mínimos históricos de armazenamento no Sul desde meados de outubro. Em relação ao ano passado, apenas Nordeste e Norte se encontram com valores melhores em 2020. Em novembro, tivemos variações negativas acima de 5% no Sudeste e Sul.

Figura 3 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN – valores de 23/11 (Fonte: ONS)
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

Nos últimos dias, Sudeste e Sul têm feito mínimos históricos de ENA. Já no Norte, temos os maiores valores dos últimos 10 anos, apesar de termos vazões ainda baixo da média histórica.

Como ainda não tivemos episódios mais relevantes de chuvas, especialmente no Sudeste e no Sul, dependemos de uma melhora material nos cenários de chuvas ao longo de dezembro, para que haja uma inversão da tendência de baixa das vazões.

Figura 4 – Trajetórias dos níveis de Energia Natural Afluente por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para a primeira semana operativa do PMO de dezembro (Fonte: ONS)

Com uma expectativa de ENAs muito abaixo da média, sobretudo no Sudeste, e a aplicação de restrições operativas nas usinas do rio São Francisco, com o ONS limitando as vazões defluentes em Três Marias e Xingó, tivemos, pela primeira vez em meses, o PLD do Nordeste igualado com os demais submercados.

Como podemos observar na Figura 5, temos todos os valores iguais ao valor máximo regulatório do PLD:

Figura 5 – PLDs para a primeira semana operativa de Dezembro /2020 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

Até o dia 27/11, tínhamos uma média móvel de carga maior em 0,6% no SIN, em relação ao mesmo período do ano anterior. Contudo, ao compararmos com o observado em outubro, temos uma queda de 1,8%. Entretanto, convém observar que as elevadas temperaturas na primeira quinzena do mês passado, atípicas para a época do ano, fizeram com que a carga atingisse valores muito altos, compatíveis com os montantes mais comumente observados em dias de verão.

Figura 6 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Mercado e Preços

O mercado ainda opera com preços relativamente elevados, já que, neste início de período chuvoso, ainda temos vazões muito aquém do esperado, especialmente no Sudeste e Sul.

Só se vislumbra uma queda nos preços caso tenhamos uma mudança mais significativa, ao menos, nas expectativas de chuvas para o mês de dezembro.

Figura 7 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)
Figura 8 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Novamente, temos o PLD “no teto” no Sudeste, Sul e Norte. Pela primeira vez em meses, temos os PLDs do Nordeste igualados com os demais submercados.

Apenas com alteração significativa do cenário hidrológico iremos ver quedas efetivas nos PLDs. Até lá, o mercado deve operar em níveis de preços elevados.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Gostaria de entender mais a fundo?

Conte com nosso time de profissionais com anos de experiência no mercado de energia. Entre em contato conosco e vamos conversar mais sobre esse assunto

*Campos Obrigatórios