Boletim Semanal de Energia de 23 a 29 de Junho


Destaques das Semana

Aneel aprova Conta Covid com R$16,1 bi para distribuidoras.

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou, em reunião virtual realizada no último dia 23 de junho, as condições de contratação das operações de financiamento da Conta-Covid. Foi estabelecido o limite de R$ 16,1 bilhões para o empréstimo. Questões como o tratamento a ser dado a eventuais pedidos de reequilíbrio econômico dos contratos de concessão das empresas ficaram para um segundo momento e serão parte de uma nova consulta pública, que deverá ser aberta nos próximos 60 dias.

Fonte: Canal Energia.

Oferta deve superar em bilhões as necessidades da Conta-Covid, diz BNDES.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve divulgar, no dia 1º de julho, as condições do empréstimo da Conta-Covid. De acordo com o presidente do banco, é possível que a oferta de crédito supere “em bilhões” as necessidades do setor elétrico.

Conforme destaque acima, a ANEEL definiu em R$ 16,1 bilhões o montante necessário para compensar os efeitos da inadimplência e redução de consumo nas distribuidoras de energia elétrica, em decorrência da crise causada pela pandemia.

O BNDES liderou todo o processo de estruturação da Conta-Covid, o qual contou com a participação de mais de dez outras instituições financeiras. Além deste papel, o banco de fomento também será financiador da conta, nas mesmas condições que forem definidas para os demais bancos.

A CCEE atuará como gestora operacional da Conta-Covid. Espera-se que o início dos repasses às distribuidoras esteja operacionalizado até o final do mês de julho.

Fonte: Canal Energia.

Safra, Credit, Mitsui e Votorantim avaliam empréstimo a elétricas, dizem fontes.

Os bancos Credit Suisse, BNP Paribas e Sumitomo Mitsui Banking Corp estão interessados em participar de um sindicato que fornecerá um empréstimo de 16,1 bilhões de reais para auxílio às distribuidoras de energia, no âmbito da Conta-Covid.

Além destes, os bancos brasileiros Safra e Votorantim também estariam em tratativas com o BNDES, que lidera os esforços para estruturar o financiamento. Confirmados no grupo de bancos para estruturação do empréstimo, por hora, estariam Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil.

Conforme definido em regulamentação da ANEEL, o empréstimo será pago em cinco anos, e será repassado às tarifas dos consumidores, com taxas de juros que ainda serão definidas.

Fonte: Reuters.

Balanço Energético do Sistema Interligado Nacional (SIN)

Nesta semana, 76% da carga do Nordeste tem sido atendida pela geração eólica na região. O restante é enviado via intercâmbio para os subsistemas Sudeste e, principalmente, Sul. Neste último, a importação de energia responde por cerca de 60% do atendimento da carga. Na Figura 2, evidencia-se a situação de cada subsistema – Norte e Nordeste consolidados como exportadores de energia, e os demais, francamente importadores, sobretudo o Sul.

Mercado Livre de Energia; balanço energético; Boletim Semanal Energia
Figura 1 – Balanço Energético e intercâmbio de energia (Fonte: ONS)
Valores médios; balanço energético; SIN
Figura 2 – Balanço Energético (Fonte:ONS)

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

Apenas o Sul apresentou elevação de nível de armazenamento neste semana operativa (20 a 26/Junho). No mês, temos uma elevação de quase 18%, como consequência de bons eventos de chuvas ocorridos em meados de junho. Enquanto os demais subsistemas apresentam queda em seus níveis, coerente com a época do ano.

Níveis de Armazenamento; Sistema Interligado Nacional; Energia Mercado Livre; Boletim Semanal Energia
Figura 3 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Níveis de Armazenamento das regiões Sudeste, Sul, Nordeste, Norte e SIN
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

As vazões seguiram em recessão ao longo da semana operativa. Como houve forte elevação no Sul, mesmo com a queda, temos a ENA em valores bem acima daqueles que foram verificados na maior parte da estiagem na região. Entretanto , no Sudeste, destacamos uma tendência de termos ENAs próximas às de 2018, ano cujos montantes foram bem reduzidos de julho a setembro.

ENA; Energia Natural Afluente; Trajetórias dos níveis ENA
Figura 4 – Trajetórias dos níveis de Energia Natural Afluente por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Previsões Mensais ENA; PLD;
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para o PMO de julho (Fonte: ONS)

Conforme a Tabela 2, temos as previsões de ENA para a primeira semana operativa de julho. A menos do subsistema Norte, os demais constam com valores previstos abaixo da Média de Longo Termo (MLT).

Como temos previsões e bons volumes de precipitação em áreas do Sul e Sudeste do Brasil, eram esperados valores de ENA mais elevados, sobretudo para o Sul. Porém, como a metodologia de previsão de vazões do ONS conta com um método de remoção de viés, esta acaba “penalizando” bastante os cenários previstos. Caso tenhamos uma boa resposta das chuvas previstas, podemos ter uma revisão “para cima” nestes valores na Revisão 1 do PMO de julho.

Os Preços de Liquidação de Diferenças (PLD) para a próxima semana operativa são dados na tabela a seguir. Novamente, Nordeste e Norte seguem com preços mais baixos do que os demais submercado, porém, as diferenças são menores, já que o Sul conta com ENAs mais elevadas do que o verificado em boa parte do mês de junho, e temos menos excedentes energéticos nas demais regiões.

PLD; Mercado Livre de Energia; Junho de 2020; Boletim Semanal Energia
Tabela 3 – PLDs para a primeira semana operativa de Julho /2020 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

Em junho, verifica-se uma elevação na carga, em relação ao mês de maio, no Sudeste, Sul e Norte

No Nordeste, há uma queda de 0,8%.

Contudo, a comparação com o mês de junho de 2019 mostra uma queda em todos os subsistemas, equivalente a -5,9% na carga SIN.

mês de junho; Carga de Energia; isolamento social; Boletim Semanal Energia
Figura 5 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Mercado e Preços

Boa parte das previsões de chuvas divulgadas ao longo da semana indicaram bons volumes de chuvas para Sul e parte do Sudeste. Os preços de mercado oscilaram em resposta a elas, com tendência de baixa no início da semana e, com volatilidade nas previsões indicando um pouco menos de chuvas, tendência de alta na quinta e sexta-feira. Destacamos que tais oscilações nos preços foram notadas nos produtos com vencimento em 2020.

Mercado de Energia; Mercado Livre de Energia; Energia convencional
Figura 6 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Notamos uma maior liquidez no produto ano 2021, com preços um pouco mais baixos, mas sem grandes oscilações. Já nos produtos de longo prazo, não se nota grandes alterações nos montantes praticados no mercado.

Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST
Figura 7 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Houve uma queda nos PLDs para a próxima semana operativa. Tal tendência de baixa se confirmará, ou não, caso as chuvas que já estão ocorrendo, e que ainda estão previstas, venham a impactar as ENAs de Sul e Sudeste de forma mais sensível.

O mercado respondeu às previsões de chuvas. Porém, sabemos que estas oscilam ao longo dos dias, o que é natural, pois são expectativas.

Os produtos de longo prazo, conforme destacamos, não sofreram grandes alterações de preços. A energia para 2021 sofreu uma pequena queda, mas ainda é cedo para que tenham alta volatilidade neste produto.

Como estamos no período seco, e ainda é difícil antecipar uma tendência mais clara para o início do próximo período chuvoso, acreditamos que uma oscilação mais evidente em tais preços apenas será sentida mais para frente, de setembro / outubro em diante.



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