Boletim Semanal de Energia de 24 a 31 de Outubro


Destaques da Semana

ONS: outubro de 2020 é o mais seco em série histórica de 90 anos.

De acordo com o Operador Nacional do Sistema, o mês de outubro foi o pior do histórico de 90 anos no Brasil, ao considerarmos as vazões verificadas ao longo do Sistema Interligado Nacional.

Nesse sentido, no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, tivemos o recorde histórico de pior outubro, com as ENAs mais baixas já verificadas neste mês desde 1931, 52% da média histórica. Já no Sul, tivemos uma ENA equivalente a apenas 21% da média histórica, a segunda pior já verificada. Assim como no subsistema Norte, o mês de outubro de 2020 é o terceiro pior, com apenas 58% da média.

Tais informações foram apresentadas aos agentes durante a reunião para o Programa Mensal de Operação (PMO) de novembro. As previsões do ONS para novembro mostram uma expectativa de termos SE/CO com 75% da média histórica, 67% no Nordeste, e 97% no Norte. Já no Sul, ainda se espera uma situação muito complicada, com apenas 28% da média histórica, o que seria o pior novembro do histórico para a região.

Fonte: CanalEnergia.

Despacho térmico deve ser mantido até configuração do período úmido.

De acordo com o Diretor Geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, o despacho termelétrico fora da ordem de mérito (quando usinas térmicas com custo de despacho acima do PLD são despachadas) deverá ser mantido até que tenhamos, de fato, o início das chuvas do período chuvoso.

Porém, o executivo destacou que tal medida pode ser revista, caso assim seja decidido no âmbito da próxima reunião mensal do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico), prevista para a semana em curso.

No Sudeste, o despacho fora da ordem de mérito visa a preservação dos reservatórios de Furnas e Mascarenhas de Moraes. No Sul, irá contribuir para a redução da geração hidráulica e preservação dos níveis dos reservatórios diante do cenário de vazões muito abaixo da média neste subsistema.

Fonte: CanalEnergia.

Leia também!

Balanço Energético do Sistema Interligado Nacional (SIN)

Primeiramente nesta primeira semana operativa do mês de novembro, seguimos com baixas vazões nos principais reservatórios do SIN. Com isso, foi mantida a política de operação com base na utilização dos excedentes energéticos de Nordeste e Norte, além dos intercâmbios internacionais com Argentina e Uruguai.

Figura 1 – Balanço Energético e intercâmbio de energia (Fonte: ONS)
Figura 2 – Balanço Energético (Fonte: ONS)

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

Neste início de novembro, continuamos com uma situação hidrológica bastante abaixo da média histórica em todo o SIN. Desse modo, houve queda nos níveis de armazenamento de quase todos os subsistemas. Apenas no Sul tivemos manutenção dos valores. Contudo, é importante notar que eles são os mais baixos do histórico.

Figura 3 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

No Sudeste, tivemos uma elevação da ENA nos últimos dias, já que houve chuvas em parte do subsistema, beneficiando as bacias do Paranaíba e Tietê.

Houve forte elevação no Nordeste, já que os principais episódios de chuvas que têm sido verificados impactaram positivamente as vazões no São Francisco.

No Sul, seguimos com ENAs fazendo mínimas históricas.

Figura 4 – Trajetórias dos níveis de Energia Natural Afluente por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para a primeira semana operativa do PMO de novembro (Fonte: ONS)

As ENAs previstas para o mês de novembro, indicadas na tabela acima, mostram valores abaixo da média em todos os subsistemas.

No Sul, o destaque fica para o valor de apenas 28% da média de longo termo, o que será o pior novembro do histórico, caso venha a se verificar.

Com tal expectativa, temos uma nova elevação do PLD, ao compararmos os valores de Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Norte, com os da semana anterior (de R$ 317,03/MWh para R$ 370,77, um aumento de 17%).

Os PLDs médios divulgados pela CCEE para a primeira semana operativa de novembro são dados na Figura 5:

Figura 5 – PLDs para a primeira semana operativa de Novembro /2020 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

Em outubro, tivemos uma elevação de quase 4% em relação ao mês anterior, e de 4,5% quando observamos o outubro de 2019. As temperaturas bastante elevadas no início do mês contribuíram para tal cenário. Já em novembro, ainda é cedo para uma análise mais aprofundada.

Figura 6 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Mercado e Preços

Com o aumento do PLD a cada semana, verificamos forte tendência de alta nos produtos com entrega nos anos de 2020 e 2021. Além disso, mesmo que ainda em menor escala, já se nota elevação nas cotações para 2022.

Figura 7 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Com um início de período chuvoso bastante “seco”, ainda não se vislumbra uma recuperação mais efetiva das ENAs. Inclusive, a maior parte das simulações indicam que devemos ter o PLD em seu valor máximo regulatório de R$ 559,75/MWh na próxima semana operativa, o que mantém a tendência de alta nos preços por agora.

Figura 8 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Em conclusão, no início de novembro as chuvas se concentram mais ao norte no país, com destaque para as chuvas no São Francisco, que já causaram aumento sensível na ENA do Nordeste.

Contudo, para os demais subsistemas, em especial no Sul, as vazões se encontram em valores ainda bastante reduzidos para a época do ano, o que já causa pressão de alta no PLD. Na primeira semana operativa de novembro/2020, houve uma elevação de 17% no PLD médio de Sudeste, Sul e Norte.

Para a próxima semana operativa, a maioria das simulações mostram que o PLD deve chegar ao seu valor “teto” nos submercados Sudeste, Sul e Norte.

Dessa forma, ainda seguimos com preços bastante elevados para os produtos com entrega em 2020 e 2021, os quais atingem seus valores máximos no ano até o momento.



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