Categoria: Boletim Semanal


Destaques da Semana

Preço da energia no ACL deve incentivar migração de consumidores.

No evento Agenda Setorial 2020, realizado no último dia 21, foram discutidas questões conjunturais e estruturais referentes aos preços de energia no mercado livre, além das tarifas do mercado regulado. A organização do mesmo ficou a cargo do Grupo CanalEnergia-Informa Markets.

A forte redução de consumo causada pela pandemia da Covid-19 resultou em queda material dos preços no mercado. Patrick Hansen, sócio da consultoria Dcide, comentou que os contratos tiveram uma redução de cerca de 30%, conforme acompanhamento de sua consultoria feito através de uma curva forward de preços. A partir de 2022, contudo, não houve uma alteração tão sensível na curva, já que, no longo prazo, há menos volatilidade.

“Acho que este é um bom momento para o consumidor, um bom momento para se contratar no longo prazo”, disse Hansen no evento.

Por outro lado, a chamada Conta-Covid deve apresentar um impacto para o mercado regulado. Conforme Andrew Strofer, da América Energia, mesmo que os empréstimos para as distribuidoras tenham juros a taxas mais reduzidas do que aqueles contraídos na época da Conta ACR, em função da forte queda na SELIC, temos outros efeitos na tarifa, como a energia de Itaipu, cotada em dólares. Assim, devemos ter um forte impacto de elevação nas tarifas de energia das distribuidoras ao longo dos próximos anos.

Fonte: Canal Energia.

Sul vive pior histórico de vazões em 90 anos.

Conforme temos destacado em nossos Boletins Semanais, o subsistema Sul segue enfrentando uma estiagem bastante significativa desde o final do ano passado. A estimativa do ONS é que tenhamos as vazões médias mensais na região em apenas 12% da média histórica do mês.

No evento Agenda Setorial 2020, Márcio Oliveira, Diretor da Conmet Meteorologia, salientou que as incertezas em relação às previsões meteorológicas estão muito presentes. Contudo, acredita em uma tendência de termos uma leve melhora nas condições de chuvas na região. Ressaltou que, mesmo com eventos recentes de chuvas no Sul, a entrada de junho será com um déficit grande. Porém, acredita em condições melhores em julho, mês no qual, em sua visão, tende a ser mais favorável.

Outro participante do painel, Bruno Soares, da Ampere Consultoria, lembrou que a situação no Sul é a pior em 90 anos de medição. Segundo ele, a situação na região só não está mais pressionada pela redução material do consumo em decorrência da pandemia.

Fonte: Canal Energia.

Balanço Energético do Sistema Interligado Nacional (SIN)

Ao longo da semana operativa em curso, seguimos com uma política de operação focada no intercâmbio dos excedentes energéticos gerados no subsistema Norte para a região Sul, passando pelo Sudeste.

No Sul, praticamente 75% de sua carga média na semana operativa é atendida através de intercâmbio, dada sua condição hidrológica extrema.

Figura 1 – Balanço Energético e intercâmbio de energia (Fonte: ONS)
Figura 2 – Balanço Energético (Fonte:ONS)

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

Ao longo do mês de maio, o nível de armazenamento do Sudeste se encontra praticamente estável. No Sul, a queda se mantém em 0,6%, oscilando um pouco. Com a frente fria que se encontra na região, espera-se alguma melhora nesta situação. Mas ainda não devemos ter uma reversão do cenário, a qual demanda a ocorrência de um evento bem mais forte. Nordeste e Norte seguem com bons níveis de armazenamento, estando o primeiro com os maiores níveis registrados nos últimos dez anos.

Figura 3 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

Observando o comportamento da ENA ao longo do ano, percebe-se claramente um perfil de período seco nas ENAs de Sudeste, Nordeste e Norte, conforme já temos destacado em nossos Boletins.

Ainda não observamos uma mudança mais sensível das ENAs no Sul, apesar das fortes chuvas que vêm ocorrendo na região. Espera-se uma melhora nos próximos dias.

Figura 4 – Trajetórias dos níveis de armazenamento por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para a RV4 do PMO de Maio (Fonte: ONS)

Na Tabela 2, temos a comparação das previsões de ENA divulgadas para a revisão 4 do PMO de maio/2020, a qual abrange a semana operativa de 23 a 29/5, com as previsões que foram divulgadas para a semana em curso.

Tivemos nova queda nas expectativas de Energia Natural Afluente para os subsistemas Sudeste, Sul e Norte, ocasionando uma elevação nos PLDs médios de Sudeste e Sul em 16%.

No Nordeste e no Norte, seguimos no PLD mínimo regulatório ao longo de todo o mês, reflexo do grande excedente energético da região Norte, o qual é aproveitado integralmente pelos demais subsistemas (vide seção Balanço Energético). Contudo, como é atingido o limite de transmissão para Sudeste e Sul, há um descolamento de preços.

Tabela 3 – PLD da quinta semana operativa de Maio/2020 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

Nos gráficos abaixo, podemos verificar que o impacto da crise sanitária no consumo de energia tem sido material desde meados de março.

O desvio da carga em maio, considerando o mesmo mês do ano anterior, é de -11,3%.

Mercados e Preços

Conforme temos reportado em nossos Boletins, o mercado de energia tem apresentado uma forte queda nos preços de energia para o ano de 2020, além de 2021, conforme pode ser visto nos gráficos a seguir. Ao observamos os preços de 2022 em diante, não se percebe grande volatilidade, uma vez que a crise impacta, de forma mais intensa, os preços no curto prazo e, como muito, 2021. Isso ocorre pela perspectiva de desdobramentos mais severos na economia ao longo deste ano, com repercussão no próximo, e a influência destes no consumo de energia elétrica.

Figura 6 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Nesta semana, notamos uma oscilação mais sensível nos preços do mercado, iniciando com uma forte alta, perdendo força no decorrer da mesma. Isso ocorreu em função da entrada de uma forte frente fria no Sul do Brasil, trazendo chuvas significativas para a região.

Contudo, ainda não temos a quantificação deste cenário em termos de vazões e Energia Natural Afluente e, caso haja uma elevação razoável nas vazões, mesmo que ficando longe da média histórica, podemos ter uma manutenção ou mesmo alguma queda nos preços no início da semana. O cenário contrário também é verdadeiro, ou seja, caso haja uma frustração do efeito das chuvas nas ENAs, há risco de termos uma elevação dos preços.

Figura 7 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Importante destacar que já estamos verificando boas chuvas na região Sul. De qualquer forma, ainda não houve o reflexo destas nas vazões, mas espera-se que haja uma elevação sensível nos próximos dias.Houve uma elevação nos valores do PLD para a semana que vem, de 16% na média dos três patamares nos submercado Sudeste e Sul, refletindo uma queda na expectativa de vazões e, sobretudo, as péssimas condições hidrológicas da região Sul.

Os preços de mercado oscilaram no decorrer da semana, refletindo, no início desta, um maior receio de que as vazões seguissem extremamente baixas no Sul e, mais para o final, uma queda de preços em função da ocorrência de fortes chuvas na região, iniciadas no dia 21 de maio.

De qualquer forma, devemos monitorar se, de fato, haverá uma resposta mais contundente, ainda que abaixo da média, nas vazões sulistas. Uma frustração no cenário de ENAs pode levar a uma nova alta no mercado no curto prazo.


Destaques da Semana

MME trabalha em medidas adicionais de ajuda ao setor elétrico.

Em evento realizado pela consultoria Thymos Energia, Francisco Carlos da Silva Jr., Diretor de Programa da Secretaria Executiva do Ministério de Minas e Energia, comentou que o MME trabalha em duas frentes para estruturar uma solução que auxilie os agentes do setor elétrico. A primeira delas é esperada para as próximas semanas de maio, com a publicação de Decreto regulamentando a MP 950 e a operação de empréstimos bancários para auxílio às distribuidoras, a chamada “Conta Covid”. Já a outra busca o estabelecimento de regras mais abrangentes tanto para o segmento de distribuição, como soluções para a questão da sobrecontratação, quanto até mesmo agentes consumidores do ACL. Porém, para esta frente, as soluções são vislumbradas mais para o médio prazo, possivelmente até julho, já que há grande complexidade nos temas envolvidos.

Fonte: Canal Energia.

  • STF define, em repercussão geral, que não incidência de ICMS sobre a demanda contratada.

Em reunião no último dia 24 de abril, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em repercussão geral, que a demanda em potência elétrica por si só não é passível de tributação pelo ICMS, destacando que o imposto estadual recai, de fato, sobre o consumo efetivo de energia elétrica.

A partir da Constituição de 1988, a energia elétrica passou a ser considerada como mercadoria, tributada pelo ICMS. Contudo, o entendimento é de que a demanda contratada é uma disponibilização, mediante pagamento antecipado, de energia elétrica da concessionária para a empresa, não importando se o consumo final fique abaixo do contratado.

Fonte: Site Tributário nos Bastidores (www.tributarionosbastidores.com.br).

  • Número associados da CCEE sobe 6% em abril

A CCEE divulgou que, em abril, seu número de agentes associados teve elevação de 6%, em comparação com o mesmo mês de 2019. Agora são 9.572, contra 9.010 no ano anterior. Desse montante, são 7.569 consumidores aptos a negociar no mercado livre – 23% acima do número de consumidores de abril do ano passado.

A Câmara destaca, ainda, que houve a migração de 578 novos consumidores para o ACL entre janeiro e abril deste ano. Deste montante, 534 são consumidores especiais, com carga entre 0,5 MW e 2 MW.

Interessante notar que ainda há 1.020 processos de adesão à CCEE em andamento, sendo 775 deles por parte de consumidores especiais.

Fonte: Canal Energia.

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

Níveis de Armazenamento

Com a primeira quinzena do mês quase terminada, notamos uma tendência persistente de elevação, porém em um ritmo menor, nos níveis de armazenamento de Nordeste e Norte, refletindo já uma queda nas vazões em função do período seco. No Sul, mesmo com a ocorrência de algumas chuvas nos últimos dias, estas não foram suficientes para conter a forte estiagem pela qual o subsistema passa, o que se reflete na queda de 0,8% ao longo do mês.

Figura 1 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Energia Natural Afluente (ENA)

Observando o comportamento da ENA ao longo do ano, percebe-se claramente um perfil de período seco nas ENAs de Sudeste, Nordeste e Norte, conforme já temos destacado em nossos Boletins.

Conforme já destacamos, mesmo com avanço de duas frentes frias no Sul, não houve elevação de ENA a ponto de se alterar as condições hidrológicas muito abaixo da média.

Figura 2 – Trajetórias dos níveis de armazenamento por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para a RV2 do PMO de Maio (Fonte: ONS)

Na Tabela 2, temos a comparação das previsões de ENA divulgadas para a revisão 3 do PMO de maio/2020, a qual abrange a semana operativa de 16 a 22/5, com as previsões que foram divulgadas para a semana em curso.

Houve queda sensível na expectativa de ENAs do Nordeste e, principalmente, Norte. Contudo, esses subsistemas seguem com o PLD no mínimo regulatório.

Tivemos elevação do PLD no Sudeste e no Sul (29% acima da média do PLD da semana em curso), em função dos níveis de armazenamentos, inferiores aos que tinham sido previstos na semana passada, e pelo cenário de ENAs, bem abaixo da média, sobretudo no Sul.

Tabela 3 – PLD da segunda semana operativa de Maio/2020 (Fonte: CCEE)
Carga de Energia

Nos gráficos abaixo, podemos verificar que o impacto da crise da Covid-19 na carga é notável.

Em termos anuais, já há um desvio negativo de 12% em relação ao mesmo período do ano passado. As maiores quedas percentuais se encontram no Sudeste (-15%) e no Nordeste (-13,3%).

No mês, mantemos uma queda de carga no Sudeste e Nordeste, de 2,2% e 1,9%, respectivamente, o que resulta em um desvio negativo de 1,4% na carga do SIN.

Figura 3 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Mercados e Preços

Conforme temos reportado em nossos Boletins, o mercado de energia tem apresentado uma forte queda nos preços de energia para o ano de 2020, além de 2021, conforme pode ser visto nos gráficos a seguir. Ao observamos os preços de 2022 em diante, não se percebe grande volatilidade, uma vez que a crise impacta, de forma mais intensa, os preços no curto prazo e, como muito, 2021. Isso ocorre pela perspectiva de desdobramentos mais severos na economia ao longo deste ano, com repercussão no próximo, e a influência destes no consumo de energia elétrica.

Figura 4 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Com uma nova elevação do PLD, percebemos uma elevação dos preços nas transações para 2020. Além das condições de ENA estarem abaixo da média no Sudeste, Nordeste e, sobretudo, Sul, o qual passa pelo pior período no histórico de vazões, tivemos a divulgação de um estudo de sensibilidade de carga divulgado por ONS, EPE e CCEE (conforme destacado em nosso último Boletim Mensal, de maio/2020). Tal divulgação já faz com que os agentes consigam elaborar estudos de precificação.

Entretanto, importante salientar que os resultados efetivos da revisão extraordinária da carga serão divulgados possivelmente no final de maio, e serão utilizados para fins de formação de preços apenas a partir de julho. Ademais, com o agravamento da pandemia e eventual tomada de medidas ainda mais restritivas em algumas cidades, não se pode descartar uma revisão extraordinária indicando um cenário de carga ainda mais baixo do que o que foi divulgado.

Figura 5 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Conforme nossa expectativa, houve uma elevação nos valores do PLD para a semana que vem. No Sudeste e Sul, tivemos uma alta de 29% no PLD médio, chegando a R$ 78,88/MWh.

No Sul, apesar da entrada de duas frentes frias no mês de maio, ainda não tivemos uma melhora material da situação hidrológica no subsistema. Inclusive, a “saída do piso” do PLD se deve, basicamente, às condições do Sul, já que os demais subsistemas o suprem através do intercâmbio de energia.

Os preços do mercado reagiram à situação hidrológica abaixo da média, em especial no subsistema Sul. Além disso, a divulgação de um estudo de sensibilidade das previsões de carga, indicando um cenário cerca de 1,4 GW médios abaixo da primeira revisão quadrimestral, fez com que os agentes precificassem a energia um pouco acima – considerando que o mercado esperava uma redução ainda maior, perto dos 2 GWm ou mais.

Contudo, não se pode, ainda, descartar alguma alteração nos números divulgados no estudo. Em evento ocorrido hoje, transmitido via internet, ONS, EPE e CCEE salientaram que os valores divulgados em tal estudo ainda não podem ser considerados os números finais.


Destaques da Semana

  • Pandemia pode trazer perdas de R$ 17 bilhões para distribuição em 2020.

No webinar “Agenda Setorial 2020 – O impacto da Covid-19 no setor e as sugestões dos agentes para mitigação dos impactos”, realizado na última quinta-feira, dia 07, o presidente da ABRADEE (Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia) Marcos Madureira comentou que a inadimplência enfrentada pelas empresas está em 15% (contra uma média histórica de 3%). Como primeiro elo da cadeia de pagamentos do setor, as distribuidoras têm recebido atenção especial do Governo e da ANEEL, os quais trabalham na criação de mecanismos que mitiguem impactos financeiros nestas empresas. A chamada “Conta-Covid” será fruto de um decreto, o qual regulamentará a MP 950, e deverá ser divulgado em meados de maio, definindo suas regras. O objetivo é injetar liquidez no caixa das empresas para lidar com a crise.

Fonte: Canal Energia.

  • Restrições para combater COVID-19 fazem consumo de energia cair 13% em abril.

Estudo recente da CCEE mostra que, em abril, houve uma queda de consumo de energia de 13%, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Tal situação refletiu a diminuição das atividades comerciais e industriais ocorridas no país em decorrência das medidas para combate à pandemia da Covid-19.

Os dados ainda são preliminares, mas já apontam para um impacto de -14% no mercado livre, e um pouco menor, -13%, no mercado regulado, já que o consumo residencial teve uma continuidade. A CCEE também levantou a queda de consumo por ramo de atividade. Os setores de veículos e têxtil tiveram as quedas percentuais mais expressivas, de 66% e 47%. De modo oposto, os setores de alimentos e saneamento tiveram aumento de consumo, de 4% e 24%, respectivamente.

Fonte: Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

  • CCEE, ONS e EPE propõem revisão extraordinária da carga à Aneel

Em função da queda de consumo na faixa dos 13%, além do fato de que as previsões de PIB desde meados de março têm se deteriorado bastante, ONS, EPE e CCEE decidiram solicitar à ANEEL autorização para realizar uma revisão extraordinária das previsões de carga para fins de planejamento e operação do Sistema Interligado Nacional, além da formação do PLD.

Na primeira revisão, feita em abril, o PIB considerado para 2020 era de 0%. Contudo, previsões mais atualizadas de bancos, casas de research e o próprio Banco Central, através de seu relatório Focus, já mostram estimativas em torno de -3% a -5%. A revisão extraordinária, segundo Rui Altieri, Presidente do Conselho de Administração da CCEE, deverá ser aplicada a partir de julho.

Fonte: Canal Energia.

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

1. Níveis de Armazenamento

Ao longo da semana em análise, tivemos praticamente uma continuidade dos níveis de armazenamentos do Sudeste/Centro-Oeste. Nordeste e Norte seguem com ascensão nos seus níveis. Já no Sul, temos os piores valores do histórico – inclusive, fechando a semana já abaixo dos 15%.

Figura 1 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
2. Energia Natural Afluente (ENA)

Seguimos com uma tendência bem definida nos subsistemas. No SE/CO, já estamos em pleno período seco, o que se reflete na queda contínua nos valores de ENA.

No Sul, infelizmente não houve alteração na situação hidrológica bastante desfavorável, que já perdura há meses.

Nordeste e Norte mostram escoamento de vazões, mas com níveis dentre os maiores do histórico.

Figura 2 – Trajetórias dos níveis de armazenamento por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para a RV2 do PMO de Maio (Fonte: ONS)

Na Tabela 2, temos a comparação das previsões de ENA divulgadas para a revisão 2 do PMO de maio/2020, a qual abrange a semana operativa de 09 a 15/5, com as previsões que foram divulgadas para a semana em curso. Apenas no Nordeste não houve queda nas expectativas de ENA. Consequentemente, os PLDs divulgados pela CCEE, na Tabela 3, subiram 14% no seu valor médio nos submercados SE/CO e Sul.

Já Nordeste e Norte seguem no seu valor mínimo regulatório (R$ 39,68/MWh) em todos os patamares de carga, por estarem em uma condição hidrológica mais favorável, além de transmitir energia para as demais no limite da capacidade de intercâmbio nos principais troncos de transmissão. Justamente quando há o intercâmbio máximo de energia de um ou mais subsistemas do SIN para os demais, temos o chamado “descolamento do PLD” entre regiões.

Tabela 3 – PLD da segunda semana operativa de Maio/2020 (Fonte: CCEE)
3. Carga de Energia

Nos gráficos abaixo, podemos verificar que, com as medidas restritivas necessárias para se tentar frear o avanço da COVID-19, há uma queda acentuada da carga no SIN como um todo desde meados para o final do mês de março. Na média móvel de 30 dias, percebemos uma queda material da carga em relação aos anos anteriores em todos os subsistemas. No ano, temos uma queda de 13,2% na carga do SIN, representando cerca de 8,5 GWm, valor bastante expressivo e que impacta de forma material os PLDs. Caso não estivéssemos nessas condições, certamente os valores de PLD estariam significativamente mais elevados.

Figura 3 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Conforme temos reportado em nossos Boletins, o mercado de energia tem apresentado uma forte queda nos preços de energia para o ano de 2020, além de 2021, conforme pode ser visto nos gráficos a seguir. Interessante, contudo, notar que os produtos de mais longo prazo não têm sofrido variações significativas.

Figura 4 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

De forma análoga ao que aconteceu na semana anterior, a saída do PLD do seu valor mínimo regulatório nos submercados Sudeste e Sul causa volatilidade no produto referente ao próprio mês de maio, e alguma volatilidade mais sensível também no produto junho/2020. Nos demais, ainda não se nota uma mudança material, já que o mercado ainda espera a divulgação da revisão extraordinária das previsões de carga para o período de 2020 a 2024 (horizonte de simulação do modelo NEWAVE, utilizado para cálculo dos PLDs), já solicitada para a ANEEL por ONS, EPE e CCEE.

Figura 5 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Ao longo da semana, nossa expectativa era de uma elevação no PLD dos submercados Sudeste e Sul para a próxima semana operativa, o que se confirmou.

Como houve nova queda nas expectativas de Energia Natural Afluente para todos os subsistemas, exceto no Nordeste, o aumento de 14% na média dos PLDs dos submercados citados faz sentido. Nordeste e Norte seguem no chamado “piso”, R$ 39,68/MWh

Ainda não temos nenhum indicativo firme de mudança significativa nas condições hidrológicas e de chuvas no Sul.

O impacto na queda de consumo é material para a formação de preços. Como a continuidade das medidas de restrição de circulação de pessoas para combate à pandemia da Covid-19 ainda seguem no país, devemos continuar a verificar um consumo de energia bastante reduzido, e bem inferior ao que era previsto antes do início da pandemia.

Em função disso e, consequentemente, da queda constante nas expectativas de PIB e retomada da economia para 2020, ONS, EPE e CCEE já solicitaram à ANEEL uma revisão extraordinária nas projeções de carga do SIN para fins de planejamento, operação e formação de preços. Como tal fato era esperado pelo mercado, mesmo com condições de ENA bem abaixo da média no Sudeste e, sobretudo, no Sul, não se percebe uma elevação dos preços para transações de energia ao longo de 2020 e, até mesmo, 2021.

Após a divulgação dos novos valores de carga, o mercado deverá ratificar ou retificar a sua precificação.


Destaques da Semana

1. Luiz Carlos Ciocchi é eleito novo diretor-geral do ONS.

O executivo teve seu nome aprovado por unanimidade na Assembleia Geral Ordinária do ONS, realizada no último dia 28 de abril. Era Diretor Presidente de Furnas, e tem passagens por empresas como EMAE, AES Brasil, AES Argentina, Ford e Queiroz Galvão. Seu mandato é para o quadriênio 2020-2024.

Além dele, foram eleitos Alexandre Zucarato, atualmente na Engie, como Diretor de Planejamento, e Marcelo Prais, do próprio ONS, como Diretor de TI, Relacionamento com os Agentes e Assuntos Regulatórios.

Fonte: Canal Energia.

2. Governo trabalha para fechar Conta-Covid em maio.

MME e ANEEL trabalham de modo intenso para regulamentar a MP 950/2020. A meta do Governo é publicar o Decreto e fechar o financiamento com o sindicato dos bancos. Tal financiamento terá por objetivo principal prover recursos para suportar a redução de receita das distribuidoras. A ideia do empréstimo é o de suavizar possíveis impactos tarifários em 2020. A administração da conta para recebimento e pagamento dos empréstimos, que está sendo chamada “Conta-COVID” no setor, será feita pela CCEE.

Fonte: Canal Energia.

3. Setor elétrico implementa novas medidas durante pandemia da COVID-19

A gerência executiva de Relacionamento com Agentes e Assuntos Regulatórios (RA/DTA) do ONS fez um levantamento recente das principais medidas adotadas no setor elétrico desde o início da pandemia no país. Dentre as principais medidas, destacam-se a implementação do Comitê Setorial de Crise, no âmbito do Ministério de Minas e Energia, para agilizar a tomada de decisão, a suspensão do corte de energia a unidades de serviços essenciais, além da postergação de leilões de energia, dada a dificuldade de se avaliar a real necessidade de expansão do setor após a pandemia e seus possíveis efeitos na economia brasileira e mundial.

Fonte: Operador Nacional do Sistema.

4. ONS defende revisão extraordinária da carga de 2020

O Operador Nacional do Sistema defendeu publicamente, no webinar Agenda Setorial, realizado em 30/4 pelo Grupo CanalEnergia, a revisão extraordinária da carga. A motivação para tanto é justificada, segundo Luiz Eduardo Barata, atual Diretor Geral do ONS, pela esperada retração do PIB, cujas previsões de algumas casas já chegam a -5% para 2020, além do próprio comportamento atual da carga. EPE faz coro ao Operador, também levantando o forte impacto que as medidas de combate à pandemia exercem sobre consumo e economia.

Fonte: Canal Energia.

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

1. Níveis de Armazenamento

Na semana em análise, podemos destacar a continuidade da evolução dos níveis de armazenamento dos subsistemas Nordeste e Norte, sendo que o primeiro se encontra prestes a atingir 90%, nível próximo aos maiores do histórico.

Já o Sul continua em uma situação bastante desfavorável, com redução de seus níveis.

Figura 1 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
2. Energia Natural Afluente (ENA)

Podemos verificar, nos gráficos abaixo, que já estamos em momento de queda nas vazões e, consequentemente, na ENA, o que é coerente com o início do período seco das regiões Sudeste, Nordeste e Norte. Ainda não há expectativa de reversão do cenário hidrológico desfavorável no Sul do Brasil.

Figura 2 – Trajetórias dos níveis de armazenamento por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)
Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para o a RV1 do PMO de Maio (Fonte: ONS)

Na Tabela 2, podemos ver uma comparação das novas previsões de ENA para a Revisão 1 do PMO de maio/2020, divulgadas pelo ONS, com aquelas realizadas na primeira semana operativa do mês de maio (25/4 a 01/5). Houve queda sensível na estimativa de ENA mensal no Sudeste (-1,9 GW médios) e Sul (-241 MW médios). Já no Nordeste e no Norte, houve um aumento na expectativa de ENAs. Com isso, houve descolamento de PLDs entre as regiões – os preços de Sudeste e Sul são mais altos do que os de Nordeste e Norte, estes ainda no PLD mínimo (R$ 39,68/MWh).

Tabela 3 – PLD da segunda semana operativa de Maio/2020 (Fonte: CCEE)
3. Carga de Energia

Nos gráficos abaixo, podemos verificar que, com as medidas restritivas necessárias para se tentar frear o avanço da COVID-19, temos verificado uma queda vertiginosa na carga no SIN. Tais medidas foram iniciadas em meados de março, e devem seguir ao longo do mês de maio, fazendo com que a perspectiva de consumo de energia continue em baixa significativa.

Figura 3 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Na média móvel de 30 dias, como temos nos gráficos acima, percebemos uma queda material da carga em relação aos anos anteriores em todos os subsistemas.

A maior queda de carga percentual é a do Sul, seguida pelo Sudeste. No total do SIN, até o dia 30/4, há uma queda de 14% em relação à carga do mês de março.

Mercado e Preços

O mercado de energia tem apresentado uma forte queda para os preços de energia para o ano de 2020 nos últimos dois meses, conforme as curvas de preços de mercado abaixo. Tal cenário é reflexo do que temos visto na operação do sistema, e seus rebatimentos nas condições de Preços de Liquidação de Diferenças (PLD).

Figura 4 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)
 

Com o PLD saindo do seu valor mínimo regulatório nos submercados Sudeste e Sul, notamos um movimento de alta mais concentrado no produto referente ao próprio mês de maio, além do produto junho/2020. Nos demais, não tivemos grandes modificações. A perspectiva da divulgação de uma revisão extraordinária das previsões de carga para o período de 2020 a 2024 (horizonte de simulação do modelo NEWAVE, utilizado para cálculo dos PLDs) faz com que o mercado siga reticente em iniciar um movimento de alta mais pronunciado, mesmo com a situação hidrológica crítica que estamos vivendo no Sul do país.

Figura 5 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Considerações

Houve elevação do PLD nos submercados Sudeste e Sul, a qual teve como principal causa a queda nas perspectivas de vazões em tais regiões, bem com o consequente nível de armazenamento mais baixo do que previsto na semana anterior em ambas.

Mesmo assim, não percebemos um movimento de alta nos preços do mercado para transações de médio / longo prazo, já que temos a perspectiva de uma revisão extraordinária de carga, que pode ser divulgada para uso já em junho ou em julho. Inclusive, como mencionado na seção “Destaques da Semana”, o próprio ONS, além da EPE, já se pronunciaram publicamente favoráveis a tal revisão. Além das motivações acerca do consumo de energia atualmente observado e expectativa de queda mais intensa do PIB do Brasil em 2020, a revisão extraordinária faria com que a operação do sistema considerasse uma carga mais próxima à realidade. Lembrando que a previsão de carga de energia impacta não só a formação de preços, como também a expectativa da necessidade de contratação das empresas de distribuição nos leilões de energia.


Destaques da Semana

1. BBCE terá comitê de supervisão e monitoramento de mercado.

O Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia Elétrica (BBCE) deu mais um passo em direção a negociação de derivativos de energia para o mercado. Adequando às exigências da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a BBCE criará um Comitê de Supervisão e Monitoramento do Mercado, visando atender às condicionantes para inserir estes novos produtos no mercado. Entretanto, segundo o artigo, ainda não há uma data definida para tanto.

Além disso, a BBCE deve preparar uma cartilha e alguns eventos tipo webinar sobre o tema, para disponibilizá-los ao mercado.

Fonte: Canal Energia

2. Aneel libera mais R$ 432 milhões para preservar a liquidez do setor elétrico.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) autorizou o uso de R$ 432,4 milhões, os quais são oriundos de sobras de encargos de transmissão de energia elétrica. O objetivo é aliviar o custo de energia para consumidores cativos e livres, justamente no horizonte de abril a junho. Esta é mais uma ação do regulador para poupar os consumidores de custos extraordinários decorrentes da pandemia de Covid-19, gerar liquidez no mercado e evitar inadimplência sistêmica sobre a cadeia no setor elétrico.

Fonte: Canal Energia.

3. Brasil ultrapassa marca de 5 GW em capacidade fotovoltaica

De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o Brasil ultrapassou a marca de 5 GW em potência operacional deste tipo de energia. O levantamento considera tanto usinas de grande porte quanto aquelas para geração distribuída.

As plantas de grande porte, com boa parte comercializadas em leilões regulados, já correspondem por cerca de 1,5% da matriz elétrica nacional.

Mesmo com um montante de 2,42 GWm de potência, a matéria destaca que a geração distribuída tem grande potencial para ser explorado, já que uma parcela muito reduzida dos consumidores (0,3%) a utilizam.

A Associação destaca, na matéria, que a geração dessas usinas possibilitou R$ 26,8 bilhões em novos investimentos privados para o país, gerando 130 mil empregos acumulados.

Fonte: Canal Energia.

Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

1. Níveis de Armazenamento

Ao longo da semana em curso, apenas não houve elevação dos níveis de armazenamento do Sul. Mesmo com um cenário de recessão de vazões, especialmente no Sudeste e Nordeste, além de forte estiagem que ainda acomete os estados sulistas, a queda da carga contribui para que os reservatórios continuassem em ascensão.

Convém ressaltar que os níveis do subsistema Sul são os piores do histórico.

Gráfico nível de armazenamento
Figura 1 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
2. Energia Natural Afluente

Mesmo com vazões em recessão, conforme já mencionado, percebe-se, nos gráficos, que as ENAs de Sudeste e Nordeste ainda seguem com valores dentre os melhores dos últimos anos, sobretudo neste último subsistema. Seguimos verificando recordes negativos históricos no Sul.

Figura 2 – Trajetórias dos níveis de armazenamento por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)

Porém, tal região se beneficia do intercâmbio de energia com os demais subsistemas do SIN.

Tabela 2 – Previsões de Energia Natural Afluente mensais para o PMO de Maio (Fonte: ONS)

Na Tabela 2, temos as previsões iniciais de ENA para o PMO de maio/2020, as quais são utilizadas para o cálculo do PLD da próxima semana operativa. Verificamos a permanência da perspectiva de estiagem no Sul, além de valores abaixo da média histórica para Sudeste e Nordeste. Apenas no Norte continua com a expectativa de vazões acima da média.

Ainda assim, em função da queda material do consumo de energia na crise atual, devemos seguir com o PLD em seu mínimo histórico na próxima semana.

Tabela 3 – PLD da primeira semana operativa de Maio/2020 (Fonte: CCEE)
3. Carga de Energia

Nos gráficos abaixo, podemos verificar que, com as medidas restritivas necessárias para se tentar frear o avanço da COVID-19, temos verificado uma queda vertiginosa na carga no SIN. Tais medidas foram iniciadas em meados de março, e devem seguir ao longo do mês de maio, fazendo com que a perspectiva de consumo de energia continue em baixa significativa.

Figura 3 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Na média móvel de 30 dias, como temos nos gráficos acima, percebe-se que a carga está abaixo daquelas verificadas nos últimos cinco anos.

A maior queda de carga percentual é a do Sul, seguida pelo Sudeste. No total do SIN, até o momento, temos um desvio material de -13% em relação ao mês anterior.

Mercados e Preços

O mercado de energia tem apresentado uma forte queda para os preços de energia para o ano de 2020 nos últimos dois meses, conforme as curvas de preços de mercado abaixo. Tal cenário é reflexo do que temos visto na operação do sistema, e seus rebatimentos nas condições de Preços de Liquidação de Diferenças (PLD).

Figura 4 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Esperamos que, ao longo de maio, o PLD se mantenha em seu valor mínimo regulatório, a menos de alguma deterioração muito mais intensa que a esperada nos cenários de vazões, ou mesmo alguma alteração operativa que venha a impactar os preços.

Figura 5 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)
 

Na reunião do Programa Mensal de Operação Energética, realizada hoje (24/4), o Operador Nacional do Sistema destacou que, conforme já havia sido abordado na reunião do Plano da Operação Energética 2020-2024 (PEN 2020) na semana passada, já há tratativas com a ANEEL para a realização de uma revisão extraordinária na carga. Como tal fator exerce uma pressão de baixa no PLD, temos percebido o mercado reticente em operações, além de operar em um certo nível de suporte no preço de alguns produtos.

Considerações

Seguimos com expectativas de PLD no seu valor mínimo operativo na próxima semana. Provavelmente, tal condição deverá se manter ao longo de maio.

A partir do mês que vem, tal continuidade dependerá tanto do cenário hidrológico, sobretudo do Sul, quanto da ocorrência ou não de uma revisão extraordinária na carga. Tal possibilidade já foi aventada tanto pela EPE quanto pelo ONS. Contudo, há de se obter anuência da ANEEL.

De qualquer forma, conforme abordado, a expectativa de tal revisão já faz com que o mercado opere com uma certa cautela.


Situação Hidrológica do Sistema Interligado Nacional

1. Níveis de Armazenamento

Ao longo de abril, houve elevação nos níveis de armazenamento dos principais reservatórios das regiões Sudeste, Nordeste e Norte, sendo estas duas últimas com os valores percentuais mais elevados.

Figura 1 – Níveis de Armazenamento nos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)

Nos gráficos acima, podemos destacar a recuperação das regiões mencionadas, com destaque para a forte elevação dos níveis de armazenamento do Nordeste, devido às condições favoráveis de vazões que vêm ocorrendo ao longo na bacia do rio São Francisco.

Por outro lado, o destaque negativo segue para o subsistema Sul, o qual vem enfrentando uma prolongada estiagem, fazendo com que os níveis de armazenamento de seus principais reservatórios venham se deteriorando ao longo do ano.

Tabela 1 – Acompanhamento dos Reservatórios do SIN (Fonte: ONS)
2. Energia Natural Afluente (ENA)

Os cenários de Energia Natural Afluente (ENA) se encontram dentro os maiores do histórico recente para Sudeste, Nordeste e Norte, o que é coerente com a expressiva recuperação dos níveis de armazenamento em todos estes subsistemas. No Sul, podemos observar que os valores de ENA se encontram dentre os piores do histórico desde dezembro/2019

Figura 2 – Trajetórias dos níveis de armazenamento por subsistema do SIN. (Fonte: ONS)

Como há excedentes energéticos oriundos das demais regiões, os quais podem ser transmitidos via intercâmbio para o Sul, não temos um problema de ordem energética por lá. Ademais, vale ressaltar que a forte queda na carga decorrente da crise da COVID-19 acaba por contribuir com este cenário.

A cada semana, o Operador Nacional do Sistema (ONS) elabora as revisões semanais do Programa Mensal da Operação (PMO). Tais revisões objetivam atualizar as diversas premissas relacionadas à operação do SIN, e que, também, impactam os Preços de Liquidação de Diferenças (PLD).

Dentre as premissas, temos carga, níveis de partida (armazenamento dos reservatórios) e previsões de vazões (convertidas em ENA).

Tabela 2 – Acompanhamento das premissas de ENA das revisões semanais para os submercados do SIN (Fonte: ONS)

As previsões para a RV3 indicam uma leve melhora dos cenários anteriormente previstos na RV2 para Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste. Nos demais subsistemas, houve queda na expectativa.

De qualquer forma, dada a material queda na carga de energia no sistema, o PLD seguirá em seu valor mínimo regulatório (R$ 39,68/MWh) na próxima semana operativa (18 a 24/4).

3. Carga de Energia

Nos gráficos abaixo, podemos verificar que, com as medidas restritivas necessárias para se tentar frear o avanço da COVID-19, há uma queda acentuada da carga no SIN como um todo desde meados para o final do mês de março.

Figura 3 – Acompanhamento da carga nos submercados do SIN. (Fonte: ONS)

Em todos os subsistemas, há queda expressiva da carga. Na média móvel de 30 dias, como temos nos gráficos acima, já vemos que a carga segue abaixo dos últimos 5 anos em praticamente todas as regiões.

Em relação ao mês em curso, comparativamente com a carga média de março do SIN, temos uma queda de 9,4% em abril, decorrentes do prolongamento das medidas contra a COVID-19, bem como condições de temperaturas mais amenas no Sudeste e no Sul. Em relação ao ano anterior, a queda na carga do SIN é de quase 10%.

4. Primeira Revisão Quadrimestral

Observa-se abaixo os resultados da Primeira Revisão Quadrimestral do Planejamento Anual da Operação Energética.

Com base na revisão das premissas de PIB, a queda esperada quando da elaboração da Revisão ensejou uma redução material na expectativa de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Figura 3 – Projeção de Carga do SIN apresentada na 1ª Revisão Quadrimestral. (Fonte: ONS/CCEE/EPE)

Tal premissa é base para as rodadas do modelo energético NEWAVE, que, por sua vez, é parte da cadeia utilizada no cálculo do PLD semanal pela CCEE.

Assim, a revisão da carga exercerá uma pressão baixista no cálculo do PLD a partir do PMO de maio/2020, quando será incorporada às premissas do NEWAVE.

Mercado e Preços

O mercado de energia tem apresentado uma forte queda para os preços de energia para o ano de 2020 nos últimos dois meses, conforme as curvas de preços de mercado abaixo. Tal cenário é reflexo do que temos visto na operação do sistema, e seus rebatimentos nas condições de Preços de Liquidação de Diferenças (PLD).

Figura 4 – Curva de Preços de para Energia Convencional. (Fonte: Exponencial Energia)

Com a queda do PLD no mês de abril, o qual deve se manter em seu valor mínimo operativo na próxima semana e, salvo alguma condição operativa que cause algum impacto inesperado nos preços, ao longo do mês de maio.

Figura 5 – Curva de Preços para Energia de Fonte Incentivada com 50% de desconto na TUSD/TUST. (Fonte: Exponencial Energia)

Na reunião do Plano da Operação Energética 2020-2024 (PEN 2020), a EPE já sinalizou que está em tratativas com a ANEEL para realizar uma revisão extraordinária na carga, o que já causou um impacto baixista nos preços da BBCE no dia de hoje (17/4) .

Destaques da Semana

1. Aneel apresenta propostas para mitigar os efeitos do Covid-19.

Como esperado, as principais notícias ao longo da semana versaram sobre a questão da crise causada pela proliferação e medidas para combate à COVID-19.

A ANEEL divulgou ontem, 16/4, uma série de medidas com a intenção de mitigar os efeitos desta crise para o setor elétrico. A “Carteira de Soluções”, divulgada através da Nota Técnica 01/2020-GMSE/ANEEL, busca prover liquidez ao setor, bem como minimizar a inadimplência intrassetorial, efeitos tarifários futuros, e reduzir eventuais montantes financeiros para lidar com a crise.

A Agência fez uma análise de todos os fluxos de pagamento do setor, identificando formas de se redirecionar recursos setoriais às empresas evitando maior pressão nas tarifas. Dentre as medidas, destacam-se: utilização do superávit da conta bandeira, suspensão temporária de amortização de empréstimos junto ao BNDES, desoneração da CDE, dentre outras. A NT foi encaminhada para a Diretoria Colegiada da ANEEL, para estudo, devendo gerar futuras propostas de regulamentação.

Fonte: Canal Energia.

2. Consumidores livres consultam contratos em meio a crise e Eletrobras atenta para renegociações no mercado livre.

As duas notícias tratam da questão da renegociação dos contratos ensejada pela crise. É sabido que os consumidores têm procurado as empresas para tratar de renegociação de contratos. De acordo com a primeira, há partes que realmente sofreram impactos materiais em seus negócios, alguns que apenas buscam se resguardar de eventuais problemas, e outros, infelizmente, usam da pandemia como pretexto para se aproveitar da situação e “abrir contratos” – o que não recomendamos em hipótese alguma a nossos clientes e parceiros

Como trata no texto, acreditamos e recomendamos que é hora de agir com boa fé e cumprir o contrato.

O próprio presidente da Eletrobras disse, em recente live para a FGV, que a empresa está pronta para negociar com clientes que se encontram em dificuldades. O executivo, ainda, defende que só pode haver uma solução setorial com todos os agentes “sentados à mesa” de negociações. Compartilhamos dessa visão. A via negocial, sem dúvida, é a melhor forma de se chegar a soluções criativas e benéficas para todas as partes

Fonte: Canal Energia.

3. Aneel teme pressão tarifária de socorro ao setor

A matéria inicia indicando que, ao contrário do que se pensava no MME, as medidas previstas na MP 950/2020 têm potencial para gerar pressão tarifária para os próximos anos.

Em princípio, não se trata da isenção por três meses da conta de energia para os consumidores de baixa renda, já que o aporte de R$ 900 milhões do Tesouro provavelmente será suficiente. Mas, caso não seja, pode criar uma pressão a mais na CDE.

A ANEEL já apresentou medidas alternativas, como já abordamos, com o objetivo de não ficar só dependendo de um empréstimo para as distribuidoras, como já foi feito no passado.

Ademais, eventuais empréstimos teriam spread de juros mais elevados do que no passado, pressionando ainda mais as tarifas futuras das distribuidoras.

Fonte: Canal Energia.

4. CCEE elege três conselheiros por unanimidade

Na última quarta-feira, dia 15/4, durante a 21ª Assembleia Geral Ordinária, foram aprovados, por unanimidade, os nomes dos novos conselheiros da CCEE.

Marcelo Loureiro, atual diretor da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), e Marco Delgado, diretor da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), assumirão seus cargos em maio.

Talita Porto foi reconduzida ao cargo. Assim, a composição do Conselho da CCEE, além dos três, conta com Rui Altieri e Roseana Santos.

Marcelo Loureiro assumirá a cadeira do segmento de Comercialização. Marco Delgado, o da Distribuição, e Talita Porto segue representando o segmento de Geração de Energia.

O Conselho de Administração é responsável pela gestão da CCEE, uma sociedade civil de direito privado e sem fins lucrativos, mantida pelos seus Agentes.

Fonte: Canal Energia.

Considerações Finais

A crise da COVID-19 alterou completamente a dinâmica de preços que o mercado estava vivenciando até meados de março passado.

A expressiva queda no consumo de energia, decorrente das medidas de tentativa de contenção da pandemia, levou o PLD ao seu valor mínimo ao longo do mês em curso. Tal situação pode perdurar por mais tempo, a menos de alguma ocorrência operativa ou condição hidrológica que venha a alterá-la.

A expectativa de crescimento de consumo futuro de energia também foi impactada. Caso haja uma revisão extraordinária da carga, mais pressão baixista pode vir nos preços de energia.

Há grande potencial de elevação de tarifas nos próximos anos, a qual pode ser maior ou menor dependendo das medidas que serão aprovadas.

Recomendamos cautela e respeito aos contratos firmados. Em eventual necessidade, soluções negociais sempre valem mais a pena. No mercado de energia, reputação é vital na avaliação de crédito. Perdê-la pode ser muito mais nocivo ao negócio do que os impactos da crise.

Gostaria de entender mais a fundo?

Conte com nosso time de profissionais com anos de experiência no mercado de energia. Entre em contato conosco e vamos conversar mais sobre esse assunto

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